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Estúdio Correio
Murilo Gitel
Publicado em 1 de junho de 2026 às 10:00
O que realmente importa na agenda ESG quando ela sai do discurso e passa a orientar decisões de negócio? Esta foi a questão norteadora do painel “O que realmente importa no ESG”, realizado no segundo dia do 5º ESG Fórum Bahia, promovido pelo Jornal Correio. >
Mediado pelo jornalista Donaldson Gomes, editor de economia do Correio, o debate reuniu Bernardo Araújo, diretor de Relações Institucionais da Acelen, Guilherme Rinco, gerente de Finanças Sustentáveis, Clima e Biodiversidade do Bradesco, e Luiz Tapia, diretor de Sustentabilidade e Relações Corporativas da Veracel Celulose.>
5o ESG Fórum Bahia
Ao abrir a conversa, Donaldson destacou a importância de entender em que momento o ESG deixou de ser apenas uma agenda reputacional para se tornar parte concreta da estratégia das empresas. Para Bernardo Araújo, da Acelen, esse compromisso está presente tanto na operação da Refinaria de Mataripe quanto no projeto Acelen Renováveis, voltado à produção de combustíveis de baixo carbono, como SAF e HVO. >
“Como fazemos parte de um fundo presente em mais de 60 países, posso dizer que a agenda ESG sempre esteve atrelada ao nosso negócio”, afirmou.>
Na refinaria, Araújo destacou a redução de quase 24% no consumo hídrico desde 2022, volume equivalente ao consumo anual de uma cidade de 80 mil habitantes. A companhia também ampliou o reuso de água, que já representa mais de 60% das atividades, avançou na reutilização de resíduos dentro da operação e recebeu, em 2025, da organização Zero Resíduos, a certificação Aterro Zero – Selo Prata.>
O executivo também defendeu uma visão pragmática sobre a transição energética. Segundo ele, novas fontes não eliminam completamente as anteriores, mas passam a conviver em uma matriz mais diversa. >
Bernardo Araújo
diretor de Relações Institucionais da AcelenNesse contexto, a Acelen aposta na macaúba, planta nativa brasileira que será cultivada em áreas degradadas na Bahia e em Minas Gerais para produção de biocombustíveis.>
O projeto prevê o plantio de 180 mil hectares em pastagens degradadas, parte deles destinada à agricultura familiar, com capacitação técnica e possibilidade de geração de renda. Araújo citou ainda o envolvimento de cerca de 16 instituições de pesquisa brasileiras e internacionais e resumiu a lógica do investimento: “Sustentabilidade sem viabilidade econômica não transforma realidades”.>
No setor financeiro, Guilherme Rinco, do Bradesco, afirmou que a agenda ESG passou por uma mudança de maturidade. Se antes estava mais associada à filantropia e a doações ambientais e sociais, hoje ocupa espaço nas conversas com clientes, nas análises de crédito e na estruturação de operações financeiras. “O grande desafio é conseguir traduzir e olhar para os projetos, identificando o que realmente importa”, afirmou.>
Segundo ele, a área de finanças sustentáveis do banco avalia a materialidade dos projetos e sua capacidade de gerar impacto positivo para clientes e sociedade. Rinco também apontou as emissões financiadas como um dos grandes desafios do setor. >
“Somos corresponsáveis pelo que financiamos. Esse componente influencia na decisão do analista de crédito para saber se vamos seguir ou não com determinado projeto”, explicou.>
Em 2025, o time de Rinco estruturou R$ 4 bilhões em operações ligadas à agenda sustentável. Para o executivo do Bradesco, o ESG precisa ser tratado com objetividade. “Pragmatismo resume bem. Tem que fazer sentido do ponto de vista ambiental, social e financeiro. Temos que fazer porque há sentido e haverá retorno”, defendeu.>
Na Veracel Celulose, segundo Luiz Tapia, a sustentabilidade está presente desde a origem da empresa, localizada na região de Eunápolis, no extremo sul da Bahia. A companhia produz celulose utilizada como base para produtos essenciais, como papéis, embalagens e itens da área da saúde. “A Veracel, desde a sua fundação, foi concebida para ser uma empresa sustentável. Para nós, ESG está no DNA desde os acionistas”, reforçou.>
Tapia destacou que a empresa é a primeira do país a atingir a proporção de um para um entre área produtiva e área preservada. Em um território com 145 comunidades no entorno das operações, a Veracel mantém programas de geração de renda, especialmente ligados à agricultura familiar, incluindo iniciativas que conectam produtores locais ao setor hoteleiro da região de Porto Seguro.>
Na área ambiental, o executivo ressaltou a redução de 30% no consumo de água, a autossuficiência energética, o uso de parque solar para compensar atividades da empresa e um programa de crédito de carbono que prevê o plantio de 1.200 hectares em áreas antes ocupadas por pasto. Tapia também chamou atenção para o papel do consumidor na valorização de cadeias certificadas, como produtos com selo FSC.>
Para o executivo da Veracel, a responsabilidade empresarial precisa estar conectada ao desenvolvimento do território. “Não existe empresa de sucesso em território fracassado. Temos que deixar, por meio da gestão responsável, pessoas melhores para o nosso mundo”, afirmou.>
Ao longo do painel, os três executivos apresentaram experiências de setores distintos, energia, finanças e celulose, mas convergiram em um ponto central: o ESG não pode ser tratado como uma camada acessória da comunicação empresarial. >
O que realmente importa, na visão deles, é a capacidade de transformar processos, orientar investimentos, reduzir impactos, fortalecer comunidades e criar modelos sustentáveis também do ponto de vista econômico.>
Acompanhe no canal: correio24horas.com.br/esg.>
O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Confederação Nacional da Indústria - CNI, Contermas, Neoenergia Coelba, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Plano Brasil Saúde, Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brazil Eventos.>