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Da periferia ao topo do iFood: executiva defende inclusão como estratégia de crescimento

Luana Ozemela, CSO e vice-presidente de Impacto & Sustentabilidade do iFood, que cresceu na periferia, defende ESG com impacto real

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
  • Estúdio Correio

Publicado em 11 de maio de 2026 às 16:00

Luana Ozemela
Luana Ozemela fará palestra na abertura do evento Crédito: Reprodução

Antes de integrar conselhos globais e se tornar uma das principais executivas do iFood, Luana Ozemela cresceu na periferia de Porto Alegre observando como raça, renda e território definiam oportunidades. Hoje, ela defende que o ESG precisa ir além do discurso e gerar transformação estrutural. “Eu cresci na periferia de Porto Alegre e vivi de perto como fatores como raça, renda e território influenciam profundamente as oportunidades que as pessoas têm ao longo da vida”, afirma a CSO e vice-presidente de Impacto & Sustentabilidade da empresa desde 2022.

“Isso moldou muito a minha visão sobre impacto", completa Luana, que foi reconhecida como uma das Mulheres Mais Poderosas do Brasil pela Forbes Brasil em 2026, além de integrar a lista das 500 pessoas mais influentes da América Latina da Bloomberg Línea. Foi dessa vivência que nasceu o interesse em entender como empresas, investimentos e inovação poderiam ser usados como ferramentas de transformação social. “Comecei a aprender o que costumo chamar de ‘a linguagem do capital’”, diz.

No próximo dia 20 de maio, durante a programação exclusiva para convidados do 5º ESG Fórum Bahia, promovido pelo jornal Correio, a executiva ministra a palestra “O novo ESG das grandes empresas”, tema que, para ela, passa longe de discursos vazios e está diretamente ligado à capacidade das empresas de gerar desenvolvimento econômico, inclusão e transformação estrutural.

Luana construiu uma trajetória marcada pela atuação em desenvolvimento econômico, equidade e acesso a oportunidades. Antes do iFood, passou pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, trabalhando em projetos em mais de 20 países da América Latina e Caribe. Hoje, também integra conselhos globais como o do Fórum Econômico Mundial e da UNICEF.

Primeira palestra do III ESG Fórum Salvador por Gil Santos/CORREIO

Ao longo da carreira, Luana consolidou a visão de que questões sociais não podem mais ser tratadas como uma agenda paralela dentro das companhias. Para ela, empresas têm hoje alcance suficiente para influenciar relações de trabalho, ampliar o acesso a serviços e criar oportunidades econômicas em larga escala.

“No iFood, enxergamos impacto e sustentabilidade como parte da arquitetura de crescimento da companhia”, explica. “Quando fortalecemos restaurantes, investimos em educação, apoiamos entregadores ou criamos caminhos para ampliar inclusão produtiva, estamos fortalecendo todos os parceiros do ecossistema.”

Essa lógica, segundo a executiva, também mudou a forma como investidores e o mercado enxergam a agenda ESG. Ela defende que gestão moderna não pode mais ser medida apenas pelo lucro, mas pela capacidade de gerar resultados financeiros, sociais e ambientais de forma integrada.

“O iFood mostrou, na prática, que impacto social e ambiental não reduz competitividade, aumenta”, afirma. “Ao investir em segurança, educação, inclusão e sustentabilidade, fortalecemos a operação e ampliamos a confiança institucional.”

63% sem acesso a crédito bancário

Entre os exemplos citados por ela estão os programas voltados para entregadores, com iniciativas em educação, inclusão financeira, apoio jurídico e segurança. A empresa também aposta em ações de democratização financeira para pequenos empreendedores.

“Um dado que me orgulha é que 63% dos empreendedores que acessaram crédito via iFood não conseguiam aprovação em bancos tradicionais. Isso é democratização financeira na prática”, destaca.

1 milhão de empregos

Segundo Luana, essa atuação também se reflete em números macroeconômicos: atualmente, o iFood movimenta cerca de R$ 140 bilhões, o equivalente a 0,64% do PIB brasileiro, além de gerar aproximadamente 1 milhão de empregos diretos e indiretos.

1 em cada 3 no ensino superior

Outro projeto citado por ela é o MDEM, programa voltado à educação de entregadores. “Já formamos 15 mil entregadores, e um em cada três segue para o ensino superior”, conta. “Um estudo do MIT mostrou que programas assim ajudam a reduzir a criminalidade em até 11% em São Paulo. É impacto estruturante.”

Além da pauta econômica e social, Luana também reforça que representatividade precisa vir acompanhada de mudanças concretas. “Representatividade sem transformação estrutural é só imagem”, afirma. “O que me move é mudar quem tem acesso às decisões, não só quem aparece nelas.”

No iFood, essa visão se traduz em metas internas e programas de formação. Atualmente, 46% das lideranças da empresa são ocupadas por mulheres, e a companhia tem a meta de alcançar 40% de pessoas negras no marketplace até 2030. Programas como Elas São Tech e Potencialize 2.0 foram criados para acelerar carreiras de mulheres e pessoas negras em tecnologia e liderança.

Bahia: papel estratégico

Durante o fórum, Luana também pretende falar sobre a relação histórica do iFood com a Bahia, estado que teve papel estratégico na expansão da companhia. “Salvador foi o primeiro mercado do iFood no Nordeste, há 14 anos. Foi nossa primeira aposta na região. E hoje posso dizer com orgulho: acertamos”, afirma.

Segundo ela, o Nordeste já representa o segundo maior mercado consumidor da empresa no país, com crescimento de 15% e mais de 16 milhões de pedidos adicionais no último ano. O comportamento do consumidor baiano, inclusive, chamou atenção da companhia. “Vocês transformaram o domingo em família no nosso maior pico de pedidos da região”, comenta. “Isso mostra que conhecemos e respeitamos a cultura local. Delivery também é sobre preservar tradição e fortalecer identidade.”

O que é ESG e por que essa agenda se tornou estratégica

ESG é a sigla para Environmental, Social and Governance - em português, Ambiental, Social e Governança. O conceito reúne práticas adotadas por empresas e instituições para garantir desenvolvimento sustentável, responsabilidade social e gestão ética. No eixo ambiental, estão ações ligadas à preservação do meio ambiente, redução de impactos ambientais e uso consciente dos recursos naturais. Já o aspecto social envolve diversidade, inclusão, direitos trabalhistas, relacionamento com comunidades e bem-estar das pessoas.

O terceiro pilar, a governança, trata da transparência, ética e responsabilidade na administração das organizações. Atualmente, o ESG deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser um critério estratégico para empresas que desejam atrair investidores, fortalecer reputação e se manter competitivas no mercado. O tema é o foco do ESG Fórum Bahia, que há cinco anos reúne especialistas e lideranças para discutir inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico aliado à responsabilidade social.

Visão estratégica e conexões setoriais

A edição 2026 do ESG Fórum Bahia tem no conselho curador do presidente da Saltur, escritor e palestrante Isaac Edington, responsável por estruturar uma programação que integra conteúdo técnico, visão estratégica e conexões setoriais. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui

Primeira palestra do III ESG Fórum Salvador por Gil Santos/CORREIO

Serviço

5º ESG Fórum Bahia

Data: 20 e 21 de maio de 2026

Horário:

20/05 – 17h às 22h (exclusivo para convidados)

21/05 – 08h às 18h (aberto ao público)

Local: Porto Salvador – Contermas

Endereço: Av. da França, 393 – Comércio, Salvador – BA

Inscrições: gratuitas, sujeito à lotação do espaço: aqui

O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Contermas, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBCG), Plano Brasil Saúde, Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brazil Eventos.