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Donaldson Gomes
Publicado em 10 de maio de 2026 às 05:00
Mais de 70% das empresas brasileiras já adotam práticas ESG. A grande maioria ainda está no estágio inicial de adoção da agenda de responsabilidades, mas 26% do total já se consideram em estágio avançado, indica o estudo Panorama ESG, lançado em 2024. De lá para cá, muita coisa aconteceu, entretanto não se deve esperar um retrocesso nestes números. Pelo contrário, a tendência no mundo corporativo é incluir cada vez mais as três letrinhas, que representam a sustentabilidade ambiental, social e na gestão, em cada vez mais espaços. >
As motivações para ampliar a aposta na agenda passam pelo compromisso com o meio ambiente e as questões sociais para 78% das empresas, mas o fortalecimento da reputação no mercado surge praticamente empatada, com 77% das respostas, seguida de perto com a busca pelo melhor relacionamento com os públicos com os quais as organizações se relacionam, com 63% do total. O que estes números mostram com clareza é que encarar a agenda como parte da gestão estratégica, e não apenas como estratégia de marketing, é um grande negócio. >
Outra pesquisa, o Mapa ESG Brasil, mostra que 69% dos CEOs afirmam incorporar totalmente práticas de governança ambiental, social e corporativa em seus negócios. O levantamento mostra que as empresas listadas na bolsa estão entre as que mais se preocupam com o assunto. A cada 10 empresas que estão na B3, sete divulgam informações estruturadas sobre a agenda de responsabilidades, com auditorias ou revisões de entidades independentes. >
Nos últimos anos, a adoção de práticas ESG tornou-se um fator determinante para a atração de investimentos, pois os investidores e avaliadores de risco utilizam esses critérios para medir a solidez da governança corporativa e a sustentabilidade financeira de longo prazo das organizações. Investir no controle dos riscos não-financeiros é importante tanto por questões relacionadas à credibilidade, quanto por abrir portas para um enorme mercado global em expansão. A Bloomberg Intelligence estimou que até o final de 2025 o mercado de investimentos ESG deveria alcançar a impressionante cifra de US$ 53 trilhões.>
É este o mercado em que algumas das mais importantes empresas brasileiras estão mirando. Na Vibra, uma das mais importantes plataformas de soluções energéticas do país, ESG deixou de ocupar um lugar periférico há muito tempo. De acordo com a empresa, temas como mudanças climáticas, transição energética, ética, segurança e governança fazem parte da matriz de dupla materialidade e são tratados como prioridades estratégicas aprovadas pelo Conselho de Administração. Isso se traduz em decisões concretas, como a ampliação do portfólio de soluções renováveis com a integração da Comerc Energia (que atua no mercado livre, comercializando energia renovável), avanço em combustíveis de menor intensidade de carbono, investimentos em eletromobilidade e metas consistentes de diversidade, segurança e integridade. >
“O mercado também mudou. Investidores, clientes e sociedade passaram a avaliar empresas pela capacidade de gerar resultado financeiro com responsabilidade socioambiental e governança sólida”, aponta Aspen Andersen, vice-presidente de gente, tecnologia e ESG da Vibra. “ESG, portanto, não é uma agenda paralela, é um componente essencial da resiliência, da reputação e da capacidade de liderar a transição energética no Brasil”, completa.>
Uma das frentes de trabalho são os investimentos em transição energética, com a expansão das soluções renováveis e o desenvolvimento de iniciativas ligadas à descarbonização, incluindo combustível de aviação e eletromobilidade.>
Na hora de mensurar os resultados, a empresa considera tanto indicadores financeiros, quanto a geração de valor para stakeholders. Em 2025, a Vibra registrou a redução de 18% nas emissões de escopos 1 e 2, ganhos relevantes de eficiência logística com apoio de inteligência artificial e redução de custos operacionais, por exemplo. >
ESG no DNA>
Luiz Tapia, diretor de sustentabilidade e relações corporativas da Veracel, conta que a atuação responsável da empresa antecede a criação do conceito de ESG. “A Veracel está situada num território de 11 municípios, que englobam pouco mais de 400 mil habitantes e mais de 150 comunidades. Quando a gente está num território com esse nível de complexidade e diversidade, a sustentabilidade tem que ser transversal ao negócio”, explica. “A nossa atuação tem o potencial de gerar impactos positivos ou não, mas o que queremos é que eles sejam sempre positivos”>
Segundo ele, a operação vai completar 35 anos em julho, com a fábrica em operação há 21 anos. “Ao longo deste tempo, o território foi se transformando positivamente”, lembra. >
“Quando surgiu o conceito do ESG, a gente precisou adaptar as terminologias, mas as práticas nós já tínhamos”, conta. Um dos exemplos é a fábrica, que mesmo após mais de duas décadas segue entre as mais modernas do mundo. Até mesmo a questão do odor característico da produção de celulose foi tratada. A eficiência no uso da água é outro destaque. >
“A nossa empresa é benquista no território, as comunidades nos procuram, inclusive, para questões que não tem relação conosco, porque nos enxergam como parceiros, numa relação de confiança mesmo”, diz Tapia. >
Inscrições abertas>
Um dos principais eventos para discussões da agenda ESG no Brasil está com as inscrições abertas. Em sua quinta edição, o Fórum ESG Bahia será realizado mais uma vez no Porto de Salvador (Contermas), nos próximos dias 20 e 21 de maio. Promovido pelo jornal Correio, o encontro reúne especialistas, empresários, gestores públicos e representantes da sociedade civil em torno de uma agenda estratégica cada vez mais central para a competitividade das organizações.>
Em um cenário de amadurecimento do ESG no Brasil, impulsionado por regulações, exigência de transparência e pressão de investidores, o fórum se propõe a discutir caminhos para transformar essa agenda em ações concretas, com foco em gestão de riscos, accountability e inovação.>
“A quinta edição do ESG Fórum Bahia consolida o papel do Correio como agente de transformação, estimulando uma agenda que integra desenvolvimento econômico, responsabilidade social e governança. Acreditamos na força do diálogo para construir um futuro mais sustentável e competitivo para o país”, destaca Renata de Magalhães Correia, diretora do jornal.>
Ao longo de dois dias, o encontro aposta em um formato dinâmico, com palestra magna, painéis e momentos de networking, estimulando o diálogo direto entre palestrantes e público. A programação aborda temas como mercado de carbono, inteligência artificial aplicada à governança, transparência de dados e inclusão produtiva.>
Outro eixo relevante será o papel das cidades como espaços de experimentação de soluções sustentáveis, com destaque para Salvador, além de discussões sobre competitividade, liderança corporativa e reputação em um ambiente cada vez mais orientado por critérios ESG.>
O evento tem no conselho curador Isaac Edington, presidente da Saltur, responsável por estruturar uma programação que integra conteúdo técnico, visão estratégica e conexões setoriais. “O Fórum chega à quinta edição como uma plataforma estratégica onde o debate sai do conceito e vira prática, com foco em geração de valor para empresas e sociedade. A proposta é conectar lideranças, mercado e poder público em torno de soluções concretas, impulsionando competitividade, inovação e desenvolvimento sustentável”, destaca.>
“O ESG Fórum Bahia também traduz o compromisso crescente das empresas em investir em iniciativas que impulsionem a agenda ESG. Ao apoiar e participar de projetos como este, o setor produtivo fortalece o diálogo, acelera a implementação de boas práticas e contribui diretamente para um desenvolvimento mais sustentável e competitivo", sinaliza Luciana Gomes, gerente Comercial e de Marketing do Correio.>
Diretor-presidente do Instituto Ethos, Caio Magri é uma das presenças confirmadas no segundo dia do Fórum ESG Bahia. Ele fará a palestra “ESG gera valor? Mito ou realidade”, trazendo uma análise crítica sobre os efeitos concretos das práticas ambientais, sociais e de governança nos resultados das empresas e no desenvolvimento sustentável. >
Fundado em 1998, o Instituto Ethos é um polo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramenta, que busca ajudar empresas com análises de suas práticas de gestão, aprofundando o compromisso com a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. >
Caio Magri atua no Instituto Ethos desde 2004, quando iniciou como assessor de Políticas Públicas. “A 5ª edição do ESG Fórum Bahia tem a oportunidade para avançar na compreensão e urgência da responsabilidade empresarial com a integridade socioambiental (ASG). Que já deixou de ser uma agenda paralela para se tornar um eixo de geração de valor, inovação e competitividade”, afirma. “O desafio agora é transformar compromisso em execução: integrar sustentabilidade à estratégia das lideranças, às cadeias produtivas, às cidades, ao mercado de carbono, à inteligência artificial e, sobretudo, à realidade das pequenas, médias e grandes empresas. O que realmente importa é sua capacidade de produzir valor econômico com impacto social, ambiental e institucional positivo”, completa.>
A experiência de Japão e China em sustentabilidade e governança será apresentada na palestra de Guga Cruz. Sócio da AC Governança e Sustentabilidade, ele vai propor uma análise direta sobre como práticas consolidadas nessas economias podem inspirar estratégias na Bahia, com foco em inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável.>
“Esse olhar de um ‘ESG 2.0’, mais maduro, haja vista uma compreensão maior sobre o conceito e seus pilares, implica em discussões mais profundas, menos 'trocar copo plástico por copo de vidro' e mais análise criteriosa com participação ativa do financeiro das empresas. Por outro lado, temos um cenário de polarização e de severos impactos por conta de conflitos geopolíticos e geoeconômicos que elevam o tom nas discussões de temas como transição energética justa, mudanças climáticas, diversidade e inclusão nas organizações’, defende.>
Ainda segundo ele, as empresas que amadureceram suas agendas ESG 2.0 passaram a ter um olhar mais amplo sobre seus impactos socioeconômicos no desenvolvimento territorial, inclusive como fator importante a se considerar nos debates sobre licença social. “Trarei ao público uma visão holística sobre o Japão e a China e que lições extraímos para a agenda de sustentabilidade para as empresas brasileiras”, acrescentou.>
O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Contermas, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBCG), Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brasil Eventos.>