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Estúdio Correio
Murilo Gitel
Publicado em 4 de junho de 2026 às 10:00
O ESG que faz a diferença não é aquele que se limita a compromissos públicos, relatórios ou metas distantes da realidade, mas sim o que entra na operação, muda processos, escuta territórios e gera transformação concreta. Esta foi a principal mensagem do painel “O ESG que faz a diferença”, realizado durante o 5º ESG Fórum Bahia, promovido pelo Jornal Correio. >
Mediado pelo jornalista Donaldson Gomes, editor de Economia do Correio, o debate reuniu Ângela Ribeiro, gerente de Sustentabilidade da Bracell; Arnobson dos Santos, embaixador Lixo Zero e embaixador Luz na Educação; Flávio Cardozo, cofundador e diretor executivo da ÓiaFia!; e Victor Barreto, CEO da Blueartes.>
5o ESG Fórum Bahia
Na Bracell, empresa que é líder mundial em produção de celulose solúvel, a sustentabilidade está estruturada em uma estratégia de longo prazo, com 14 metas conectadas à governança e ao negócio. >
Segundo Ângela Ribeiro, entre as áreas contempladas pelas metas da companhia estão biodiversidade, redução de resíduos enviados para aterros, pessoas e clima. “Construímos um roadmap em muitas mãos para nos certificar de que nossas metas sejam desafiadoras e, ao mesmo tempo, viáveis”, afirmou.>
Ângela Ribeiro
gerente de Sustentabilidade da BracellA executiva destacou que, em 2025, a Bracell aplicou quase R$ 10 milhões em projetos sociais, alcançando mais de 159 mil pessoas nas comunidades onde atua. A companhia também já destina corretamente 85% dos resíduos gerados e realiza investimentos em biomassa. Para ela, o diferencial está em transformar diretrizes em decisões cotidianas. “ESG que faz a diferença é o que sai do discurso e entra nas decisões, todos os dias, em todas as áreas da empresa”, resumiu.>
A partir da experiência em Irecê, no Semiárido baiano, Arnobson dos Santos trouxe ao debate a perspectiva dos territórios historicamente invisibilizados. >
Em uma comunidade quilombola, na Escola Municipal Quilombola Anísio Teixeira, ele iniciou um trabalho de valorização dos resíduos descartados, que levou à certificação Lixo Zero pelo Instituto Lixo Zero. Para além do reconhecimento, explicou, o objetivo foi mostrar às comunidades que aquilo visto como descarte poderia se tornar recurso, identidade e possibilidade de desenvolvimento.>
Para Santos, o ESG precisa ir além de uma política “fria e sem sentimento” e recuperar vínculos com ancestralidade, pertencimento e educação. A experiência iniciada na escola quilombola foi escalada para uma rede com mais de 10 mil estudantes. “O ESG de hoje precisa voltar para a ancestralidade. Precisa ter equidade, inclusão e transformação dos territórios”, defendeu.>
Também a partir da escuta dos territórios, Flávio Cardozo apresentou a atuação da ÓiaFia!, negócio que transforma óleos residuais em cosméticos sustentáveis. Com trajetória iniciada na indústria e na pesquisa, ele afirmou que as experiências mais importantes vieram do contato direto com as comunidades. “Não adianta querer implementar iniciativas sem viver a realidade dessas pessoas, conhecer como os territórios funcionam e escutar o que elas necessitam”, disse.>
Um dos exemplos citados foi a possibilidade de reaproveitamento do azeite de dendê usado por baianas de acarajé, que poderia ser descartado de forma inadequada e passa a integrar uma cadeia de economia circular.>
Para Flávio, esse processo também fortalece identidade e pertencimento. “A baiana ganha um senso de pertencimento: ‘sou uma baiana sustentável porque reutilizo o azeite aqui do tabuleiro’”, exemplificou. “ESG que faz a diferença é aquele que é feito não somente para as pessoas, mas com as pessoas”.>
No setor criativo, Victor Barreto mostrou como a Blueartes vem incorporando sustentabilidade à cenografia, ao retail design e à arquitetura efêmera. “Passamos a buscar alternativas aos materiais tradicionalmente utilizados no mercado, como tintas tóxicas e tecnologias de impressão menos sustentáveis. Em 2023, a Blueartes assumiu compromissos ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo ampliar a presença de mulheres na empresa e substituir a tecnologia solvente por opções de menor impacto”, explicou.>
Entre as soluções apresentadas está o Ecoboard, material feito com estrutura interna em formato de colmeia, revestido com papel Kraft de alta gramatura. Reciclado, reciclável, não tóxico, resistente e ultraleve, o produto permite aplicações em ativações, eventos, móveis, PDVs e projetos especiais. >
Barreto reconheceu que o custo ainda é um desafio, já que alternativas sustentáveis podem ser um pouco mais caras do que materiais convencionais. Ainda assim, defendeu que a transição exige visão de longo prazo.>
Ao reunir experiências de uma grande indústria, da educação quilombola, da economia circular e da cenografia sustentável, o painel demonstrou que o ESG capaz de fazer diferença é menos sobre discurso e mais sobre prática. >
Em comum, os painelistas defenderam que os aspectos ambiental, social e de governança só ganham força quando deixam de ser uma agenda paralela e passam a transformar a forma como empresas, instituições e territórios tomam as decisões.>
Acompanhe no canal: correio24horas.com.br/esg.>
O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Confederação Nacional da Indústria - CNI, Contermas, Neoenergia Coelba, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Plano Brasil Saúde, Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brazil Eventos.>