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Especialistas defendem ESG com métricas, impacto social e resultados concretos

Painel debateu como transformar sustentabilidade em prática real com dados, inclusão social, comunicação clara e geração de valor econômico compartilhado

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
  • Foto do(a) author(a) Márcia Luz
  • Estúdio Correio

  • Márcia Luz

Publicado em 2 de junho de 2026 às 16:00

Guga Cruz, Gilda Gomes, Leana Mattei
Guga Cruz, Gilda Gomes, Leana Mattei Crédito: WALTER GUEDES

A discussão sobre ESG amadureceu e entrou em uma nova fase. O consenso entre os participantes do painel “ESG na prática – execução e mercado – o desafio além da empresa” é que a agenda já não pode se limitar a relatórios e narrativas institucionais. O desafio agora é executar, medir e gerar valor econômico compartilhado.

Mediado por Guga Cruz, advogado, escritor, professor e sócio da AC Governança e Sustentabilidade, o debate reuniu Gilda Gomes, CEO da The Planet, ativista climática e líder do The Climate Reality Project; Jorge Cajazeira, presidente da Câmara de Sustentabilidade da Associação Comercial da Bahia e Head of International Affairs da ABNT/ISO; e Leana Mattei, gerente de ESG e sustentabilidade da SECIS/Prefeitura de Salvador e fundadora da Aganju Consultoria.

5o ESG Fórum Bahia por (c)ERIK SALLES

ODS x Nova consciência

Gilda Gomes destacou que para construir uma sociedade de baixo carbono e gerar transformação real é preciso olhar a sustentabilidade a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e entender que nenhuma organização prospera sem gerar impacto positivo na sociedade. 

“É possível construirmos uma transição de baixo carbono sozinhos? O que de fato precisamos, enquanto sociedade, projetar no ESG?”

Gilda Gomes

ceo da The Planet, ativista climática e líder do The Climate Reality Project

Ela citou dados que reforçam a urgência: cerca de 56% dos brasileiros não acreditam em produtos rotulados como sustentáveis, o aquecimento global já trouxe prejuízo de 300 bilhões de euros, 12 milhões de pessoas hoje vivem em ambientes vulneráveis às mudanças climáticas e 128 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza extrema até 2030. “Não estamos vivendo só uma crise climática, mas uma crise de consciência”, afirmou.

ESG 2.0

Jorge Cajazeira, por sua vez, resgatou a origem da agenda. Ele citou que “o ESG surgiu a partir de uma demanda dos bancos”. O objetivo era criar um mecanismo para dar mais segurança às empresas que recorriam aos bancos, criando critérios que evitassem calotes. “Com o tempo, as empresas passaram a obter resultados concretos com a agenda, mas o termo acabou virando sinônimo de sustentabilidade sem necessariamente sê-lo”, disse. Hoje sabe-se que o conceito do ESG é mais abrangente e não se restringe somente a este aspecto. Para Cajazeira, o uso atual do ESG ainda está restrito às grandes empresas por conta do custo de implantação.

Durante o debate, o mediador Guga Cruz enfatizou que “estamos entrando no ESG 2.0”, fase em que a “modinha” fica para trás e a prioridade passa a ser a execução com métricas claras. Neste cenário, é preciso conectar métricas e impactos, e os indicadores devem estar alinhados aos resultados.

Dos relatórios para as ruas

Leana Mattei trouxe a perspectiva do setor público. Ela citou o exemplo das 48 toneladas de alumínio recolhidas em cinco dias de Carnaval 2026 em Salvador graças ao que chamou de engrenagem por trás disso, que foi o Laboratório de ESG, que possibilitou colocar as políticas públicas para tomarem as ruas. “Esse marco que foi noticiado nos jornais nacionais e internacionais só aconteceu porque existia uma estrutura de acolhimento para filhos de catadores; porque houve mobilização do setor privado; porque houve um trabalho de inclusão nas centrais de reciclagem e pagamento justo e digno direto aos catadores. Isso também é ESG”, disse.

Para ela, o desafio agora é equilibrar economia, distâncias territoriais e entender o que não é ESG. Discurso vazio, campanha de marketing e narrativa de Instagram não sustentam a agenda. Leana defendeu, ainda, que o tema precisa vencer polarizações, ser tratado de forma apartidária e avançar com regulação à medida que novos mercados surgem.

Outro ponto central trazido durante a conversa é a comunicação. Na prefeitura, ela desenvolve projetos e plataformas de informação baseadas nas ODS para tornar o tema acessível. “A comunicação traduz o ESG e ocupa um lugar central. Precisa trabalhar a linguagem em termos práticos, mostrar como as pessoas são impactadas e como os resultados são aplicados”, afirmou. O objetivo é comunicar o que é verdade em tempos de excesso de informação, definir o lugar da fala e garantir que a empresa ou instituição seja percebida por gerar valor econômico compartilhado.

Métrica, dados e correção de rota

O painel convergiu para a ideia de que medir é condição para corrigir o passo do ESG. Sem indicadores ligados a resultados, a agenda corre o risco de ficar na superfície. A digitalização das normas e o uso de plataformas de dados, como as desenvolvidas pela The Planet, aparecem como caminhos para dar mais transparência e velocidade à análise.

Guga Cruz reforçou a importância de métrica ao encerrar o debate, sinalizando que o mercado começa a cobrar evidência, não apenas intenção. A mensagem final dos painelistas foi que o ESG só avança quando deixa de ser tarefa exclusiva das grandes empresas e passa a envolver setor público, cadeias produtivas e sociedade civil, com dados confiáveis e comunicação clara.

Acompanhe no canal: correio24horas.com.br/esg.

O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Confederação Nacional da Indústria - CNI, Contermas, Neoenergia Coelba, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Plano Brasil Saúde, Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brazil Eventos.