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Estúdio Correio
Márcia Luz
Publicado em 31 de maio de 2026 às 16:00
O mercado de carbono deixou de ser uma agenda de nicho e passou a ser visto como mecanismo concreto para reduzir emissões e gerar receita com conservação ambiental. A avaliação é de Alexandre Di Ciero, diretor executivo da Pólen, durante a palestra “O mercado de carbono e as oportunidades para o Nordeste”. >
Di Ciero explicou que o mercado funciona como um sistema de compra e venda de créditos de emissões de gases de efeito estufa. Cada crédito corresponde a uma tonelada de CO₂ equivalente evitada ou removida da atmosfera. O objetivo é permitir que empresas reduzam sua pegada de carbono e compensem emissões que não conseguem eliminar.>
5o ESG Fórum Bahia
No Brasil convivem dois modelos de mercado de carbono. O mercado voluntário já funciona sem obrigatoriedade. As empresas aderem por reputação, metas climáticas ou exigência de investidores.>
Segundo Di Ciero, o Brasil é o 4º maior gerador de créditos no mercado voluntário global, com 148 milhões de créditos emitidos, atrás de Estados Unidos, China e Índia. Créditos premium chegam a US$ 150 a tonelada.>
Alexandre Di Ciero
executivo da PólenO mercado regulado ainda está em fase de adequação. O modelo adotado será o cap and trade, no qual o governo define limites de emissão e as empresas precisam compensar excedentes. A obrigatoriedade deve valer para empresas que emitem mais de 10 mil toneladas por ano, com implementação gradual até 2030.>
Di Ciero apontou que os principais desafios estão na definição das regras. Limites de emissão, cobertura setorial e valores envolvidos ainda estão em aberto. Também há dúvidas sobre integração com outros mercados e impactos nas metas brasileiras. Ele alertou que, se o Brasil estruturar o mercado regulado, o preço dos créditos tende a subir. Isso aumenta o atrativo econômico para projetos de redução e remoção de carbono, mas exige governança sólida para evitar fraudes e dupla contagem.>
O Brasil tem vantagem competitiva pela capacidade de reduzir emissões rapidamente, principalmente via combate ao desmatamento, restauração florestal, gestão de resíduos, biocombustíveis e energia limpa. Hoje, porém, as três principais fontes de emissão de CO₂ são desmatamento, agropecuária e energia.>
Di Ciero citou números para ilustrar o potencial. Um hectare de floresta amazônica retém, em média, 280 toneladas de CO₂ quando desmatado. Já a restauração da Mata Atlântica pode sequestrar entre 1,6 e 10 toneladas de CO₂ por hectare ao ano.>
Para ele, a monetização dos serviços ambientais é estratégica. “Quem emite mais tem que pagar mais. Se o regulador for trabalhado de forma coerente, a sociedade sai ganhando”. O Nordeste aparece como região com espaço para projetos de restauração, manejo sustentável e energia limpa. A combinação de potencial ambiental e necessidade de desenvolvimento econômico torna a região um polo de oportunidades, desde que haja segurança jurídica e metodologias confiáveis.>
Di Ciero destacou que o avanço do mercado depende de clareza regulatória, padronização metodológica e transparência na geração dos créditos. Com o mercado regulado em estruturação, a expectativa é de aumento na demanda por projetos de qualidade.>
O Brasil já tem escala no mercado voluntário e recursos naturais para liderar a agenda. O desafio agora é transformar esse potencial em projetos estruturados, com governança e retorno financeiro para quem preserva e restaura.>
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