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Da Redação
Publicado em 31 de janeiro de 2014 às 08:22
- Atualizado há 3 anos
Geisiane Ferreira de Jesus ouviu dizer que os blocos de samba são bons e resolveu se informarO início do mês está chegando e o salário também. O último antes do Carnaval. E se você gosta de brincar a festa vestindo abadá, mas tem que dividir o ordenado de janeiro com outras despesas como impostos, despesas com colégio, dívidas do Natal, pode aproveitar as promoções de blocos mais baratos.É possível, por exemplo, sair no bloco Commanche do Pelô, que desfila no Campo Grande no domingo, na segunda e na terça-feira, levando várias atrações de pagode, pagando R$ 180 pela casadinha (passaporte para duas pessoas) para os três dias. Fica R$ 30 para cada abadá por dia. E ainda dá para dividir em até seis vezes sem juros no cartão de crédito. O bloco Samba & Folia, com o sambista Péricles, está custando R$ 180, com casadinha por R$ 300, desfilando quinta-feira na Avenida. Para ver Péricles, também dá para parcelar, mas em menos vezes, quatro no cartão.Já o Harmonia do Samba, que desfila na sexta no bloco Reduto do Samba, custa R$ 180 o ingresso individual, mas a casadinha sai por R$ 300. O grupo paulistano Revelação desfila apenas no sábado, com o bloco Vem Sambar, e o abadá sai por R$ 200.Achou pouco? Que tal curtir Pablo, a voz romântica que arrasta multidões, por R$ 80, ou em três parcelas sem juros de R$ 26,67? A casadinha, que sai por R$ 140, também pode ser dividida no cartão, e a mensalidade fr menos de R$ 50. O cantor vai desfilar na Barra.Tudo bem. Sabemos que blocos como Commanches do Pelô e Samba & Folia não são grandes nem famosos. Não podem competir com um Camaleão da vida, que neste Carnaval vai ter Bell Marques pela última vez à frente do Chiclete com Banana, cobrando, em média, R$ 1,5 mil por dia por pessoa.DiversãoMas tem gente que junta o preço baixo com a fome de festa e consegue, sim, se divertir bastante. O mecânico Robson Silva Santos, 28 anos, saiu no Commanche com os amigos em 2011. “Foi tranquilo. É pagode, mas é um pagode tranquilo. Não tem confusão, é um bloco que não tem muita bagunça, dá para curtir bem.”Na época, Robson comprou três abadás, para ele e os amigos, por um preço especial. “Um colega meu estava vendendo na Cidade Nova e cada camisa saiu por R$ 35”, afirma. “A gente curtiu bastante, mas esse ano vou sair nos Filhos de Gandhy”, diz ele. Mas ele explica que só escolheu outro bloco este ano porque gosta de curtir a festa com a galera. “Para o ano, eu volto para o Commanche”, promete.Aberto há um mês no Shopping Piedade, o balcão do Projeto Samba Vivo vende abadás de blocos de samba e de entidades de matrizes africanas, como Ilê Aiyê, Alerta Geral, Os Negões e Alvorada. “Antes, para comprar um abadá desses tinha que ir até a sede do bloco. Agora você acha tudo num lugar só”, afirma a vendedora Terezinha dos Santos.A produtora cultural Cris Santana é a dona do projeto e conta que o público é bem variado. “Não é só gente mais velha, como muitos pensam. Vai de acordo com o poder aquisitivo e o gosto de cada um. Tem muita gente nova aderindo ao samba, mas tem gente que acompanha há muitos anos também”, define.A vendedora Geisiane Ferreira de Jesus, 28, parou no balcão para se informar sobre o bloco Reduto do Samba, que desfila com a banda Harmonia do Samba na sexta-feira. “Eu nunca saí, mas disseram que era bom”, diz ela. O bloco sai no Campo Grande, e custa R$ 180 – a casadinha sai por R$ 320.“Só preciso ver com minha irmã, que vai sair junto comigo”, conta Geisiane que, no ano passado, saiu em blocos mais caros, com cantores como Tomate e Saulo Fernandes. “Esse ano, vou sair com ‘os grandes’ de novo, mas sexta-feira quero ir ao Campo Grande”. Para sair nos grandes - Nana Banana, Crocodilo, Bloco Coruja e Cocobambu - ainda é possível encontrar abadás para todos os dias. Os preços variam de R$ 270 (Crocodilo com Daniela Mercury, na segunda-feira) a R$ 1,3 mil (Bloco Coruja, com Ivete e Saulo). Só não para o Camaleão, com Chiclete - que só tem abadá para segunda a R$ 1.490.Vendas na Central estão 40% maiores este anoA gigante Central do Carnaval, que ano passado vendeu nada menos que 175 mil abadás, está vendendo mais do que em 2013, de acordo com o sócio-diretor da Central, Joaquim Nery. Ele credita o sucesso a um conjunto de situações. “Uma das coisas é a retomada da imagem positiva da cidade de Salvador. Lá fora as pessoas veem que a cidade está voltando a brilhar. De uma maneira geral, tudo indica que teremos um Carnaval melhor”, diz Nery.Pelos cálculos de Nery, que compara as vendas de hoje com período semelhante do ano passado - 27 dias antes do início da festa - as vendas estão 40% maiores do que as do Carnaval de 2013. Entre os fatores que influenciaram na vendas estão, segundo ele, o anúncio da saída de Bel Marques do Chiclete e o fato de Daniela Mercury, que comanda o Crocodilo, conhecido por arrastar foliões gays, ter assumido a homossexualidade.>