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Em meio a crise, CEO de gigante da construção civil anuncia afastamento de time brasileiro

Executivo segue como acionista da SAF e conselheiro, mas transfere decisões do dia a dia a nova gestão

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 1 de maio de 2026 às 10:04

Rafael Menin
Rafael Menin Crédito: Divulgação

Um dos principais nomes da gestão do Atlético desde 2019, o empresário Rafael Menin anunciou que deixará de atuar diretamente na rotina do clube. A decisão foi comunicada em vídeo divulgado nesta quinta-feira (30), em meio a um cenário de forte pressão sobre a SAF alvinegra.

Principal acionista e figura central nas decisões dos últimos anos, Menin vinha sendo alvo de críticas nas redes sociais após a sequência de resultados negativos. A cobrança se intensificou especialmente depois da derrota por 4 a 0 para o Flamengo, no último domingo (26), na Arena MRV, quando ele acompanhou parte da coletiva do técnico Eduardo Domínguez.

Ao explicar o movimento, o executivo afirmou que precisa se dedicar mais à MRV, empresa de engenharia da qual é CEO. “A partir de agora, eu vou me afastar um pouco do dia a dia e da operação do clube, por uma necessidade maior da minha presença aqui na MRV”, disse. Ele reforçou que seguirá acompanhando o Atlético de perto, mas sem participação direta na operação.

Último confronto entre Vitória x Atlético-MG, pela Série A de 2025 por Victor Ferreira/EC Vitória

Mudança na gestão e pressão crescente

Com a reconfiguração, a condução administrativa passa a ser centralizada no CEO Pedro Daniel. Menin destacou a confiança no executivo, afirmando que ele assume integralmente a parte operacional. “A questão operacional passa a estar 100% com ele. O Pedro é um cara de referência, um executivo renomado”, afirmou.

Na área esportiva, a responsabilidade fica integralmente com o vice-presidente de futebol, Paulo Bracks. A mudança ocorre em meio a críticas não apenas aos resultados dentro de campo, mas também à condução da gestão. O próprio Menin reconheceu o ambiente de insatisfação, embora tenha ponderado sobre o tom das cobranças. “Sei das críticas que recebo, entendo muitas delas, discordo de algumas – especialmente quando fogem do bom tom ou se tornam desproporcionais. Mas faz parte.”

Mesmo sob pressão, o empresário evitou fazer um balanço da administração. Segundo ele, o momento exige foco na recuperação do clube. “Nesse momento, não é hora de a gente fazer balanço de erro, de acerto. Eu tenho muita convicção que muita coisa boa foi feita e está sendo feita.”

Bahia 3 x 0 Atlético-MG - 26ª rodada Brasileirão 2024  por Arisson Marinho/CORREIO

Papel na SAF e futuro do clube

Apesar do afastamento da rotina, Menin seguirá ligado ao Atlético como membro do Conselho de Administração da SAF e como acionista. Ele ressaltou que continuará presente em espaços como a Arena MRV e a Cidade do Galo, mantendo proximidade com o projeto.

A reorganização também foi tratada como parte de um modelo de governança mais definido. A nova estrutura busca dar mais clareza às funções, com a gestão executiva concentrada no CEO e os acionistas atuando de forma estratégica. Nesse contexto, o clube afirma que pretende fortalecer a disciplina financeira e melhorar a eficiência operacional, com o objetivo de sustentar competitividade esportiva e equilíbrio fora de campo.

Menin também fez um apelo direto à torcida diante do momento delicado. “Torcedor, eu sei que o momento está muito difícil. Está doído mesmo! Mas eu acredito demais que, com a união e a força da torcida, a gente vai conseguir.”

Trajetória e influência no Atlético

A relação de Rafael Menin com o Atlético ganhou força no fim de 2019, quando o então presidente Sérgio Sette Câmara buscou apoio de empresários para enfrentar a crise financeira e esportiva do clube. Ao lado de Rubens Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador, ele passou a integrar o grupo que conduziu a reestruturação institucional.

Nos anos seguintes, tornou-se peça-chave nas decisões estratégicas e teve papel determinante na transformação do Atlético em SAF, concluída em novembro de 2023. Sua influência no futebol também cresceu, especialmente após a saída de Rodrigo Caetano para a CBF, em fevereiro de 2024.

Desde então, participou diretamente das decisões ligadas ao elenco, em conjunto com nomes como Victor Bagy e Paulo Bracks.