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João Fonseca critica torcida brasileira após derrota contra sérvio: 'Pensam que é jogo de futebol'

'Adoro a torcida, mas tem que ter um pouco de limite e respeito. Não atrapalha só o adversário, mas me atrapalha também', disse tenista

  • Foto do(a) author(a) Wladmir Pinheiro
  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Wladmir Pinheiro

  • Estadão

Publicado em 10 de maio de 2026 às 13:55

João Fonseca no Masters 1.000
João Fonseca no Masters 1.000 Crédito: Divulgação/ATP

O brasileiro João Fonseca criticou a postura da torcida durante sua estreia no Roma Open, no sábado, quando foi derrotado pelo sérvio Hamad Medjedovic. A partida chegou a ser interrompida em alguns momentos após reclamações do adversário sobre o comportamento dos torcedores.

Após o confronto, Fonseca afirmou que o apoio excessivo acabou interferindo no andamento do jogo. "A torcida foi um ponto dentro da partida, muitas paradas, não posso dizer que isso foi a culpa da derrota, mas isso importa. A torcida brasileira pensa que é um jogo de futebol, mas não é. Adoro a torcida, mas tem que ter um pouco de limite e respeito. Não atrapalha só o adversário, mas me atrapalha também. É só um questionamento, continuo amando jogar com a torcida e acho que é mais uma lição e oportunidade de evoluir. Seguimos, depois de uma derrota difícil, mas com a cabeça erguida", disse.

João Fonseca por Divulgação/ATP Tour

Em entrevista à ESPN, o tenista voltou a comentar o impacto das manifestações vindas das arquibancadas, especialmente nos momentos de saque.

"Eu não me importo deles ficarem falando quando vou sacar, me concentro bem, mas quando o adversário fica xingando, não sei exatamente o que ele estava falando, se estava falando alto com alguém, enquanto eu estou sacando, isso me atrapalhou, e eu acho que deveria ter o primeiro saque", desabafou Fonseca em entrevista à ESPN.

Durante a partida, o brasileiro também se envolveu em um desentendimento com o árbitro de cadeira e acabou advertido após demonstrar irritação ao lançar uma bola para fora da quadra. Para ele, o episódio foi consequência do clima tenso do duelo.

"Acho que o árbitro perdeu o controle da partida. Não tenho nada contra ele, acho uma ótima pessoa, fala português, mas acabou perdendo o controle... Pelo o que eu conheço do tênis, por isso fui falar com o árbitro, porque, enfim, ele perdeu o controle da partida e eu também perdi o controle. Falei que eu nunca reclamei, mas acho que ele estava tomando uma decisão errada, e foi uma análise minha, mas enfim, são coisas que ficam quentes durante a partida, mas depois falei com ele depois, foi tranquilo. São coisas da partida, o terceiro set, estava 5 a 5, então a cabeça fica um pouco mais quente", declarou.

Fonseca acabou superado por Medjedovic por 2 sets a 1, com parciais de 3/6, 6/3 e 7/6 (7/1). Na avaliação do brasileiro, as oportunidades perdidas no segundo set foram determinantes para o desfecho da partida.

"Partida difícil, jogo de tênis é assim, com jogadores imprevisíveis... É um ‘se’ que não existe, mas se eu pegasse um dos break points que tive no segundo set, poderia ter terminado a partida nesses dois sets, mas enfim, ele (Medjedovic) conseguiu jogar bem, colocou pressão e fez o set, e no terceiro eu fiquei me remoendo, mas são coisas da partida. Foi bem jogada e os dois jogaram um bom tênis, e isso acontece. Obviamente, me perguntam se eu estou frustrado, e é pelas oportunidades, que cada vez aparecem menos, mas já identifiquei esse ponto e estou me esforçando para melhorar", disse.

Mesmo com a eliminação precoce, o atual número 29 do ranking mundial destacou a necessidade de reduzir erros para evoluir no circuito. "Obviamente tento ser cada vez mais sólido, mas o meu jogo é ser agressivo, dar o winner, ir para a rede, comandar os pontos. Ontem eu estava sentindo menos a bola, sem jogar tão bem, fui fazendo o meu e controlando a partida até certo ponto, mas acho que continuo com a mesma análise. Todos os jogadores tentam errar cada vez menos."

Na sequência da temporada, Fonseca tem como próximo compromisso o ATP 500 de Hamburgo, disputado entre 16 e 23 de maio, última preparação antes de Roland Garros. Questionado sobre a possibilidade de não ser cabeça de chave no Grand Slam francês, o brasileiro afirmou que prioriza sua condição física e mental, e não o ranking.

"Sobre o próximo torneio, estamos em Hamburgo, vendo as possibilidades, pensando com a minha equipe, ainda não sentei com eles, mas estamos pensando. Sobre o chaveamento de Roland Garros, eu nunca me importei muito no ranking, se vou pegar o cabeça 1 ou 2, sempre me importei como estou fisicamente e mentalmente. Assim fico mais relaxado e consigo jogar o meu melhor tênis, mas enfim, isso não afetaria minha decisão e sim como vou estar", finalizou.