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Carol Neves
Publicado em 20 de maio de 2026 às 09:55
Quando a Copa do Mundo de 1994 ainda nem havia começado, Romário já enfrentava a maior pressão de sua vida. Principal estrela da Seleção Brasileira naquele ciclo, o atacante viveu dias de desespero após o sequestro do pai, Edevair de Souza Faria, no Rio de Janeiro. >
O caso aconteceu em meio à onda de sequestros que assustava o estado fluminense nos anos 1990. Edevair desapareceu em 2 de maio de 1994 depois de sair do bar Garota do Quitungo, na Vila da Penha, Zona Norte da capital. A notícia rapidamente tomou conta do país e aumentou a tensão em torno da preparação brasileira para o Mundial dos Estados Unidos.>
Dois dias após o desaparecimento, os criminosos fizeram contato e exigiram US$ 7 milhões para libertar o pai do jogador. O valor considerado fora do padrão chamou atenção da polícia, que chegou a tratar a ação como desorganizada.>
Romário relembrou sequestro do pai em documentário
Naquele momento, Romário era o principal nome do futebol brasileiro. Atuando pelo Barcelona, o atacante vinha de grande temporada na Espanha e era visto como peça fundamental na tentativa de encerrar o jejum de 24 anos sem títulos mundiais. Ao lado de Bebeto, formava a dupla ofensiva mais esperada da competição.>
Jogador disse que não iria aos EUA>
O desaparecimento do pai abalou profundamente o atacante, que chegou a colocar em dúvida sua presença na Copa. Em entrevista a um jornal de Barcelona, reproduzida pela Folha de S.Paulo em 6 de maio de 1994, Romário afirmou: "Ou meu pai aparece ou não irei ao Mundial". Na mesma entrevista, também declarou: "Estou tentando manter a calma".>
A possibilidade de perder seu principal jogador às vésperas da Copa transformou o caso em um assunto nacional. A cada novo desdobramento, aumentavam a pressão e a expectativa pela libertação de Edevair.>
O sequestro terminou seis dias depois. Em 8 de maio, policiais localizaram Edevair em um cativeiro em Queimados, na Baixada Fluminense. O resgate não foi pago.>
Craque relembrou momento>
Anos depois, Romário revelou que a mobilização para encontrar o pai ultrapassou as autoridades oficiais. Em depoimento à minissérie documental Romário - O Cara, contou que pessoas ligadas ao crime também participaram das buscas.>
"Pessoas ligadas a mim falaram com traficantes, policiais, vagabundos, com a p*rra toda. Eu queria meu pai em casa", disse.>
O historiador Joel Paviotti afirmou que a repercussão provocou uma espécie de força-tarefa informal para localizar os sequestradores. "A declaração do Baixinho deixou todo mundo em choque. Desde a polícia até o pior dos bandidos, afinal, todo mundo é brasileiro. Nesse momento, começa uma caçada pelos desajuizados que sequestraram o pai do maior craque do país um mês antes da Copa do Mundo", explicou.>
Depois da libertação, Romário voltou a falar sobre o episódio e reconheceu a ajuda recebida de diferentes lados. "Quem não estiver de acordo que me desculpe, mas acho que estas pessoas ajudaram também para um desfecho positivo. Não tive medo. Algo me dizia que meu pai ia se sair bem. Foi até mais rápido do que eu esperava", afirmou.>
Com o pai em segurança, o atacante retomou a preparação para a Copa. Pouco tempo depois, embarcou para os Estados Unidos e comandou a campanha do tetracampeonato mundial.>
Na final, a Seleção Brasileira venceu a Seleção Italiana de Futebol nos pênaltis após empate sem gols. Romário marcou cinco vezes no torneio e terminou o ano eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA.>
Após o drama vivido em maio de 1994, o atacante já deixava claro qual seria seu objetivo: "Agora, mais que nunca, farei o máximo para conseguir o título mundial". Meses depois, a promessa virou realidade.>