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Chicão, filho de Cássia Eller, lança primeiro disco com sua banda

Com influência de blues e folk, disco tem nove composições de Chico Chico, como ele gosta de ser chamado

  • Foto do(a) author(a) Roberto  Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 10 de outubro de 2015 às 08:32

 - Atualizado há 3 anos

Ele foi batizado como Francisco, ganhou depois o apelido Chicão e hoje adota o nome artístico Chico Chico. Aos 22 anos, o rapaz, filho de Cássia Eller (1962-2001), junta-se aos amigos para lançar o álbum 2x0 Vargem Alta (Coqueiro Verde Records), que leva o nome da banda e marca sua estreia fonográfica. Chicão diz que começou na música sem pretensão, se juntando aos amigos(Foto: Oscar Vasconcelos/Divulgação)Nascido no meio musical, Chicão lembra-se que na infância tinha umas aulas informais com a percussionista Lan Lan, amiga de Cássia. Estudou também violão, mas acredita que seu aprendizado foi mais intuitivo: “O aprendizado real é ouvindo a galera compor”. Nesse papo com o CORREIO, Chico fala sobre suas composições, sua timidez e, claro, sobre a mãe, que lhe deixou o timbre grave de herança.

Como se formou a 2x0 Vargem Alta? Vocês se reuniram desde o início com o objetivo de formar a banda ou foi algo natural?Foi algo despretensioso. Eu e Rodrigo (Rodrigo Garcia, produtor e violonista) começamos a gravar umas músicas e gostamos do resultado. Depois, fomos chamando pessoas, amigos nossos que tocam, e fomos dando cara ao trabalho, que virou um CD. Hoje em dia, contamos com cinco integrantes - Artur Pedrosa na bateria, que é um amigo  desde os tempos de colégio e com quem já tive outras bandas. Dudu Souto no baixo, outro grande amigo músico, toca sete cordas e é bonitão e gente boa (risos) e também é outro amigo dos tempos de colégio. Pedro Fonseca nos teclados, outro amigaço que também estudou comigo! E Leandro Bocão na guitarra, que conheci através do Rodrigo Garcia. É o único que não estudou com a gente, mas é da galera. No CD não encontra essa formação. Pra fazê-lo, contamos também com Miguel Dias no baixo, Marcelo Bernardes, o Durval Pereira participou, Alex Merlino, Jander Ribeiro. Muita amizade envolvida.Em novembro de 1994, Chicão, com pouco mais de 1 ano de idade, veio com Cássia Eller a Salvador, quando a mãe se apresentou na Concha Acústica do TCA. De Cássia, herdou, além do talento para a música, a tão falada timidez, que ele garante não atrapalhar a carreira: “Timidez não tem a ver com palco. A gente sobe ali e se diverte. Diferente de ficar falando o que você acha daquilo ou disso”.(Foto: Márcio Costa/Arquivo CORREIO)Você tem formação teórica como músico? Estudou música ou foi um aprendizado intuitivo? Cara, foi bem intuitivo. Quer dizer, tive aulas de violão, a Lan Lan (amiga de Cássia Eller) me ensinou o pandeiro, fiz umas aulas, mas foi bem pouco. Mas o aprendizado real é vendo a galera compor.Pretende concluir a faculdade de Geografia? Está mais propenso a ser músico ou geógrafo?Pretendo concluir. Estou mais propenso a fazer o que pintar, sem grandes planos. Quero tocar, falar minhas coisas, mas, se um dia quiser dar aula ou ser um pesquisador, tambem tô aí, né? Quero ficar confortável, acho que é isso.

Muito se fala sobre sua timidez. Como conciliar a vida artística com essa característica? Como pretende encarar o palco sendo tímido?Timidez não tem a ver com palco. A gente sobe ali e se diverte. Diferente de ficar falando o que você acha daquilo ou disso. O problema é o que esperam de você, eu tô aí pra ficar tranquilo, não pra dar entrevista ou fazer foto, ou botar coisinha no Facebook.

Sua mãe deixou  muitos fãs que talvez se interessem inicialmente por seu som pelo fato de você ser filho dela. Está pronto para lidar com isso?Tô não (risos). Mas como eu já disse, tô aí, né?As composições do álbum são todas suas? Como começou seu interesse por compor? Gosta de criar em parcerias?Tem uma do Tui Lana e tem também uma parceria com Kadu Mota, guitarrista daqui do Rio. Desde novo que eu tenho meu caderno e escrevo umas coisas, mas daí ate sair música demorou um tantinho. Eu gosto é de falar o que eu passo e sinto. Tive poucas experiências em parcerias, mas elas rolam sim. É um exercício diferente, inevitável quando se tem tantos amigos que compõem. Temos mais é que fazer de tudo mesmo.Chico, com a camisa da Argentina, acompanhado dos amigos da 2x0 Vargem Alta: Artur Pedrosa(bateria), Dudu Souto (baixo), Leandro Bocão (guitarra) e Pedro Fonseca (teclado). Com exceção do guitarrista, todos estudaram juntos e hoje formam uma “galera”, como diz Chicão, que adotou o nome artístico Chico Chico. “Quando alguém perguntar ‘que Chico?’, vão dizer: ‘O Chico Chico’. O outro é o Buarque, né? Hahaha!”.(Foto: Oscar Vasconcelos/Divulgação)O blues e o folk parecem ter influenciado esse disco. Ouve muita coisa desses gêneros?Sim, ouço muito. (David) Crosby, Stills, Nash and Young, Bob Dylan, muito Beatles, Paul. Sempre curti, mas não só isso, muita coisa brasileira também. Hoje em dia me amarro em Criolo, o Sombra, a Anelis Assumpção.Foi à homenagem a sua mãe no Rock in Rio deste ano? Por que você não participou?O Rock in Rio não tem nada a ver comigo. Mas fiquei feliz que quem participou curtiu. E são todos queridos por nós (eu e minha mãe Eugênia).

Ainda escuta muito as gravações de Cássia Eller? Alguma gravação dela te chama a atenção especialmente?Ainda me amarro muito nas gravações de minha mãe. Escuto, claro. Tem uma gravação pirata aí na internet que é foda! Red House, do Jimi Hendrix. Ela cantando é bom demais.

Vargem Alta ganha o jogo, por Hagamenon BritoNão é fácil para um cantor estrear quando ele, além de ser filho de um grande ídolo, tem um timbre vocal que evoca o parente e também segue caminhos sonoros semelhantes. No começo, evidentemente, vão surgir comparações, mas ces’t la vie . Basta o rebento demonstrar talento e não soar como um clone. 

Em sua estreia como vocalista e compositor da banda 2x0 Vargem Alta, Chico Chico mostra semelhanças com a mãe Cássia Eller, sim, mas nunca como uma imitação. Com frescor e naturalidade, a banda passeia por influências do rock, do blues e do baião (na gostosa Amor pra Dar) - e encanta em canções como As Folhas da Praça Paris, Chia (com participação especial de Júlia Vargas), De Manhã Cedo e na releitura de Hard Time Killing Foor Blues, de Skip James (1902-1969).

O blues, aliás, é a maior das influências de Chico Chico e a 2x0 Vargem Alta, também integrada por Artur Pedrosa (bateria), Dudu Solto (baixo), Leandro Bocão (guitarra) e Pedro Fonseca (teclados). Assim, na estreia, a banda ganha o jogo e mostra que pode avançar no campeonato. E, à medida que isso ocorrer, Cássia & Eugênia sentirão orgulho do brilho musical próprio do seu Chicão.