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Murilo Gitel
Publicado em 28 de maio de 2026 às 16:00
A fábrica do futuro não é feita apenas de máquinas mais modernas. Ela depende de dados, sensores, conectividade, profissionais qualificados e capacidade de transformar informação em decisão. Na era da Indústria 4.0 (também conhecida como Quarta Revolução Industrial), tecnologias como inteligência artificial, automação e análise de dados começam a mudar a forma como empresas planejam a manutenção de equipamentos, acompanham a produção, reduzem falhas e buscam ganhos de produtividade. >
A transformação digital já deixou de ser uma agenda distante para a indústria brasileira. Um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em março deste ano, mostra que 61% das indústrias brasileiras inovaram nos últimos três anos. Entre os principais resultados alcançados por esse movimento, 38% das empresas apontaram aumento de produtividade, 21% citaram acesso a novos mercados e 19% registraram redução de custos.>
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Na prática, esse avanço não acontece da mesma forma em todos os setores, nem no mesmo ritmo entre empresas de diferentes portes. A adoção de tecnologias mais sofisticadas costuma depender de maturidade produtiva, capacidade de investimento, cultura de dados e disponibilidade de profissionais qualificados. >
Geralmente, a incorporação tecnológica acontece em contextos em que já existe um determinado nível de maturidade industrial. Em outras palavras, empresas que investem em novas tecnologias normalmente já operam com domínio de processos produtivos, o que facilita a absorção de inovações.>
Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), de modo geral, a indústria da Bahia possui reais condições de acompanhar a introdução de novas tecnologias, ainda que esse processo ocorra de maneira gradual e heterogênea entre setores e empresas.>
“Apesar de não termos um levantamento oficial sobre o uso de IA e outras tecnologias na indústria baiana, pela nossa expertise e contato com empresas do setor, percebemos que esta realidade ainda é mais restrita às grandes empresas, que já começam a usar os dados para fazer planejamento de manutenção e prevenir falhas de processos”, pondera o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos.>
De acordo com Passos, esse mercado de trabalho em constante transformação necessita de profissionais com competências técnicas, comportamentais e digitais, além da capacidade de aprender continuamente, mantendo-se atualizados com as novas tecnologias. “O profissional da indústria do futuro precisa se capacitar para ser um agente estratégico na integração entre tecnologia, pessoas e processos”, defende.>
A mão-de-obra qualificada para atuar na nova indústria digital seguirá como um dos principais desafios do setor produtivo. Para superar esses obstáculos, a FIEB estrutura o processo de qualificação profissional em diferentes etapas, que vão desde a educação básica até a formação técnica e superior. >
“Ao longo desse percurso, o Sistema FIEB exerce uma atuação abrangente e integrada, iniciada na educação básica, com o SESI; passando pela educação técnica, com o SENAI, chegando a níveis mais elevados, como a formação superior oferecida pela Universidade Cimatec. Temos o Projeto Minha Trilha, que foca nessa jornada educacional dos estudantes que entram na nossa rede”, reforça Carlos Henrique Passos.>
O projeto Indústria Forte é uma realização do jornal Correio, com patrocínio da Acelen, Jacobina Mineração - Pan American Silver, Neoenergia Coelba, Suzano e Unipar, e apoio da Braskem, FIEB e Wilson Sons.>