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Robôs, automação e energia limpa aceleram nova indústria da Bahia

Unipar e Suzano investem em tecnologia preditiva, eficiência operacional e inovação para ampliar competitividade da indústria baiana

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
  • Foto do(a) author(a) Márcia Luz
  • Estúdio Correio

  • Márcia Luz

Publicado em 27 de maio de 2026 às 10:00

Robôs atuam em inspeção de equipamentos na área de produção de celulose da Suzano em Mucuri
Robôs atuam em inspeção de equipamentos na área de produção de celulose da Suzano em Mucuri Crédito: Divulgação

A indústria baiana vive um ponto de virada: produzir melhor passou a ser tão estratégico quanto produzir mais. Duas importantes operações do estado, Unipar e Suzano, realizam investimentos em tecnologia, automação e eficiência, mostrando que o futuro da indústria passa por valor agregado, energia limpa e decisões baseadas em dados. As ações significam evolução para modelos mais competitivos e sustentáveis, com impacto direto na economia da Bahia.

Fábrica greenfield e energia 100% renovável

A Unipar chegou ao Estado da Bahia em dezembro de 2024 com a implantação da nova fábrica de Camaçari, primeiro projeto greenfield da companhia. A unidade já nasceu alinhada à estratégia de eficiência, segurança operacional e sustentabilidade. “Essa fábrica representa uma evolução estratégica em direção a operações cada vez mais eficientes, competitivas e alinhadas às demandas da indústria química”, explica Ricardo Congro, diretor executivo industrial da Unipar.

A planta de Camaçari, concebida para otimizar o consumo de energia, opera com tecnologia de membrana zero gap, a mais atual no processo, e matriz elétrica renovável. A localização no Nordeste também foi decisiva: a operação atende setores essenciais como saneamento, higiene, limpeza e tratamento de água, ampliando competitividade logística e proximidade com clientes. Com tecnologia de ponta e ecoeficiência, a unidade tem capacidade instalada para produzir 20 mil toneladas de cloro, 22 mil toneladas de soda cáustica, 23 mil toneladas de ácido clorídrico e 160 toneladas de hipoclorito de sódio por ano.

Ao todo, 92% dos fabricantes acreditam que a manufatura inteligente será o principal motor de competitividade nos próximos três anos por Divulgação

Os investimentos da Unipar estão direcionados ao fortalecimento da eficiência operacional, competitividade energética, modernização tecnológica e sustentabilidade das operações. Em Camaçari, a fábrica opera com tecnologia de eletrólise de alta performance e matriz elétrica renovável. Segundo Ricardo Congro, os impactos também chegam à cadeia produtiva regional. “Na Bahia, a presença industrial da Unipar em Camaçari também fortaleceu o relacionamento com fornecedores locais e ampliou oportunidades de desenvolvimento da cadeia regional.”

A planta gerou mais de 350 empregos diretos e indiretos durante as obras e, atualmente, mantém mais de 50 postos. Para apoiar a capacitação da mão de obra local, a companhia ofereceu mais de seis mil horas de treinamentos técnicos e de segurança entre 2024 e 2025. A unidade já avança para uma segunda fase de expansão, ampliando a flexibilidade operacional e a diversificação da atuação em segmentos estratégicos, como o agronegócio.

Suzano aposta em robótica, dados e inspeção preditiva em Mucuri

Para a Suzano, o ponto de virada para a transformação tecnológica surgiu da análise de modelos tradicionais de inspeção. “Detectamos que inspeções baseadas em grande volume de atividades operacionais, como montagem de acessos físicos e intervenções manuais, apresentavam oportunidades de otimização”, conta Priscila Santos, do time de Engenharia e Inovação Aberta da Suzano em Mucuri.

A resposta foi priorizar valor tecnológico: inspeção robótica com drones e robôs para antecipar falhas, reduzir tempo de diagnóstico e minimizar exposição humana em ambientes críticos. “Ao incorporar novas tecnologias, estamos transformando a forma como conduzimos nossas operações”, destaca Eduardo Andrade de Oliveira, diretor de Operações Industriais da Unidade Mucuri.

Segundo o executivo, a estratégia fortalece a tomada de decisões e a confiabilidade operacional. “A adoção de inspeções robóticas representa um avanço na segurança das pessoas, na confiabilidade das informações e na capacidade de antecipar decisões críticas. Esse movimento reforça nossa estratégia de evolução contínua, baseada em dados, automação e inovação aplicada.”

O impacto econômico é direto: inspeções mais rápidas, precisas e seguras reduzem custos evitáveis com andaimes, mobilização e preparações complexas, além de diminuir perdas ao antecipar falhas. Há ganho no tempo de retomada da produção e maior disponibilidade dos ativos. “No dia a dia, o valor é percebido pelas equipes na forma de maior segurança, confiabilidade das informações e tomada de decisão mais assertiva”, afirma Priscila Santos.

Ela ressalta que a transformação vai além da adoção de ferramentas digitais. “Mais do que adotar uma nova tecnologia, estamos evoluindo a forma como tomamos decisões na operação, com foco em um modelo tecnológico preditivo, baseado em dados, segurança e eficiência.”

O maior desafio para toda essa transformação, no entanto, foi cultural, pois foi preciso sair da lógica de execução tradicional para um modelo orientado à geração de valor por tecnologia. Isso exigiu medir melhor custos evitados e ganhos reais, além de transformar dados capturados em insights.

Os próximos passos incluem consolidar a metodologia de inspeção robótica, padronizar processos e rotas, ampliar a análise de dados com dashboards e histórico comparativo, além de expandir as soluções para outras unidades, áreas Florestal e Logística. “Estamos pavimentando o caminho para levar a solução de inspeção robótica em ativos de manutenção a outras unidades da empresa”, conclui Eduardo Andrade de Oliveira.

O projeto Indústria Forte é uma realização do jornal Correio, com patrocínio da Acelen, Jacobina Mineração - Pan American Silver, Neoenergia Coelba, Suzano e Unipar, e apoio da Braskem, FIEB e Wilson Sons.

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Especial Indústria Forte 2026