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Da fábrica ao algoritmo: Bahia entra de vez na Indústria 4.0 com IA, automação e energia limpa

Empresas aceleram digitalização, usam sensores e dados em tempo real e avançam na descarbonização

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
  • Foto do(a) author(a) Murilo Gitel
  • Estúdio Correio

  • Murilo Gitel

Publicado em 28 de maio de 2026 às 10:00

Ao todo, 92% dos fabricantes acreditam que a manufatura inteligente será o principal motor de competitividade nos próximos três anos
Ao todo, 92% dos fabricantes acreditam que a manufatura inteligente será o principal motor de competitividade nos próximos três anos Crédito: Gorodenkoff

A transformação digital já faz parte da rotina da indústria baiana. Com uso crescente de inteligência artificial, internet das coisas, automação avançada e análise de dados, empresas como a Braskem ampliam eficiência operacional, reduzem emissões e fortalecem a competitividade da Bahia na nova era da Indústria 4.0.

Sensores inteligentes, monitoramento em tempo real e automação avançada já fazem parte do cotidiano das operações industriais no estado. Em um cenário cada vez mais conectado e tecnológico, empresas instaladas na Bahia vêm acelerando investimentos em inovação para aumentar a eficiência operacional, fortalecer a segurança, reduzir impactos ambientais e tornar seus processos mais competitivos.

A adoção de tecnologias mais sofisticadas costuma depender de uma série de fatores por Magnific

Tecnologia redefine operações industriais

Essa transformação acompanha um movimento global. Levantamento da Deloitte, publicado em 2025, com 600 executivos de grandes empresas industriais, aponta que 92% dos fabricantes acreditam que a manufatura inteligente será o principal motor de competitividade nos próximos três anos. O estudo também mostra que iniciativas de smart manufacturing já geram ganhos concretos: em média, aumento de 10% a 20% na produção, melhora de 7% a 20% na produtividade dos trabalhadores e liberação de 10% a 15% da capacidade operacional.

Na prática, isso significa que a chamada Indústria 4.0 deixou de estar restrita ao discurso sobre inovação e passou a ocupar o centro das decisões produtivas. Inteligência artificial, internet das coisas, análise de dados, automação, sensores, drones e modelos preditivos vêm sendo aplicados para antecipar falhas, reduzir paradas não planejadas, ampliar a segurança dos trabalhadores e tornar o uso de energia e recursos mais eficiente.

Inteligência artificial amplia eficiência

Para a Braskem, essa nova era é marcada pela integração de inteligência artificial, automação avançada, internet das coisas (IoT) e análise de dados aos processos produtivos. Um exemplo prático da companhia é o projeto Multivariate Process Analysis (ProMV), desenvolvido com o apoio do Centro Digital da Braskem.

“Por meio de modelos matemáticos, estatísticos e simulações em tempo real, aplicamos inteligência artificial e IoT para otimizar a operação dos fornos de pirólise, equipamentos essenciais nas centrais petroquímicas e grandes consumidores de energia. Essa abordagem permite decisões mais rápidas, maior estabilidade operacional e ganhos relevantes de eficiência energética”, explica o diretor industrial da Braskem na Bahia, Carlos Alfano.

Outro exemplo é a Central de Gestão de Ativos, na unidade Q1, que monitora em tempo real os principais equipamentos industriais e analisa variáveis como temperatura, vazão e vibração, além de desenvolver algoritmos que previnem falhas e evitam interrupções não planejadas.

Desde 2023, a Braskem também utiliza inteligência artificial nas unidades da Bahia, o que melhora o controle de processos, a eficiência operacional e a competitividade.

Automação reforça segurança industrial

Câmeras de alta resolução também são usadas para inspeção interna em equipamentos, sem a necessidade da entrada de trabalhadores em espaços confinados, além da utilização de drones para monitoramento visual de equipamentos e estruturas localizadas em altura, evitando a exposição de profissionais a riscos de queda.

“Cada uma dessas iniciativas mostra que o futuro da indústria passa pela combinação entre tecnologia, excelência operacional e compromisso com a transição energética”, afirma Alfano.

Segundo a companhia, a digitalização industrial também vem fortalecendo protocolos de segurança operacional e ampliando a capacidade de resposta em processos críticos, reduzindo riscos e aumentando a confiabilidade das operações.

Energia renovável impulsiona descarbonização

Para a Braskem, a descarbonização e a transição energética são pilares estratégicos e vêm avançando de forma consistente na implementação de iniciativas que conciliam competitividade, eficiência operacional e sustentabilidade.

Na Bahia, mais de 90% da energia elétrica consumida pela Braskem é de origem renovável, viabilizada por contratos de longo prazo e investimentos em parques eólicos, que somam mais de 200 MW de capacidade instalada no país.

Por meio do Programa de Descarbonização Industrial, iniciado em 2021, a companhia estabeleceu o objetivo de reduzir em 15% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) dos escopos 1 e 2 até 2030.

Desde então, mais de 1,3 milhão de toneladas de CO₂e já foram evitadas por meio de iniciativas ligadas ao programa, com a Bahia desempenhando papel estratégico ao contribuir com mais de 200 mil toneladas desse total.

Futuro será mais conectado e sustentável

Para Carlos Alfano, a indústria do futuro será marcada pela integração entre inovação tecnológica, economia circular e sustentabilidade.

“O futuro da indústria será cada vez mais conectado, circular, renovável e colaborativo. E essa transformação só será possível se inovação e sustentabilidade caminharem juntas, impulsionando soluções capazes de melhorar a vida das pessoas e, ao mesmo tempo, preservar os recursos necessários para as próximas gerações”, projeta o executivo.

Com investimentos em inteligência artificial, automação industrial e energia renovável, a Bahia avança na consolidação de um parque industrial mais moderno, eficiente e alinhado às novas exigências globais de competitividade e sustentabilidade.

O projeto Indústria Forte é uma realização do jornal Correio, com patrocínio da Acelen, Jacobina Mineração - Pan American Silver, Neoenergia Coelba, Suzano e Unipar, e apoio da Braskem, FIEB e Wilson Sons.

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Especial Indústria Forte 2026