Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Do chão de fábrica à liderança: mulheres avançam na indústria baiana e redesenham o setor

Empresas ampliam participação feminina com programas de formação e políticas de inclusão, impulsionando mudança cultural e melhores resultados

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
  • Foto do(a) author(a) Márcia Luz
  • Estúdio Correio

  • Márcia Luz

Publicado em 29 de maio de 2026 às 10:00

Divulgação Jacobina 2 (2)
Indústria baiana amplia a presença feminina em setores históricos e prova que diversidade gera resultado Foto: Crédito: divulgação/ Jacobina Mineração

Durante muitos anos, os grandes polos industriais da Bahia foram território quase exclusivamente masculino. Chão de fábrica, usinas, refinarias e minas carregavam a marca da predominância de homens, reforçada por barreiras culturais, falta de qualificação dirigida e pouca representatividade. Hoje, esse cenário ganha nova configuração, com aumento da presença de mulheres em áreas antes ocupadas somente por eles. Duas das grandes operações do estado, Acelen e Jacobina Mineração/Pan American Silver, mostram que a entrada de mulheres em funções operacionais, técnicas e de liderança não é discurso; são dados, projetos e resultados.

Na Refinaria de Mataripe, operada pela Acelen, as mulheres já são 28% do quadro industrial. O número, acima da média nacional do setor de energia, revela um movimento estruturado. O avanço é ainda mais visível no Acelen Agripark, Centro de Inovação Tecnológica Agroindustrial da companhia, onde a participação feminina supera 37% da força de trabalho. Para se ter uma ideia da importância desse percentual, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indica que a média histórica do setor agroindustrial gira em torno de 28%.

Certificações do Jornada Jovem Acelen por Divulgação/Acelen

Lá, elas estão em Operações Industriais, Pesquisa e Inovação, Agronômico, Engenharia, Modelagem, Recursos Humanos e Responsabilidade Social. “Mais do que ampliar indicadores, esse avanço representa histórias de mulheres que passaram a enxergar a indústria como um espaço possível para crescer, liderar e transformar realidades”, afirma Claudia Barros, diretora de Comunicação da Acelen.

A Jacobina Mineração Pan American Silver experimenta uma transformação semelhante no cotidiano da mineração. Em 2022, mulheres correspondiam a 11,32% do efetivo. Em 2026, o índice chegou a 13,11%, totalizando 230 colaboradoras no Brasil, com 12,58% em cargos de liderança. O salto mais expressivo está onde a resistência cultural é maior: áreas operacionais e técnicas.

Hoje, elas ocupam mais de 80 funções diferentes, da manutenção industrial à operação de equipamentos móveis no subsolo, passando por sondagem e áreas administrativas estratégicas. “A empresa segue revisando anualmente suas metas de contratação e retenção feminina, buscando ampliar a representatividade em todos os níveis”, destaca Ionele Santiago, analista de Recursos Humanos da Jacobina Mineração.

Formação e crescimento

Se o desafio é histórico, a resposta tem sido prática. Na Acelen, a parceria com o SENAI-BA formou gratuitamente 37 técnicas em petroquímica, preparando mulheres para funções que antes sequer constavam no radar. O programa, inédito no setor, uniu capacitação técnica ao fortalecimento da autoestima e da perspectiva profissional. A companhia ainda mantém processo seletivo com foco em equidade de gênero, vagas afirmativas para mulheres, pessoas negras, indígenas, PCDs e LGBTQIAPN+, além de licença-maternidade estendida para seis meses.

Na Jacobina Mineração, o projeto DisseMina, em parceria com o CETEC e o Instituto Pan American Silver, oferece 160 bolsas integrais para mulheres, com prioridade para moradoras das comunidades e chefes de família. Os cursos são focados em funções tradicionalmente masculinas: operação de equipamentos pesados, elétrica industrial e mecânica.

Além da qualificação, há apoio financeiro mensal e desenvolvimento de competências socioemocionais. “O objetivo é ampliar oportunidades, fortalecer a mão de obra local e gerar impacto que vai além do nosso quadro interno”, assegura Ionele.

Elas são referência

Os resultados dessas iniciativas surgem na rotina da indústria. Na Refinaria de Mataripe, Rebeca Guimarães e Gabriele Conceição, técnicas em Química, respondem pela análise do processo produtivo, função estratégica para controle de qualidade e segurança operacional. No Agripark, Stephanie Veloso atua como técnica de Operações em uma usina piloto ao lado de outras oito mulheres, enquanto Josineia Siqueira, técnica em Segurança do Trabalho, acompanha o projeto desde o início.

Também na Jacobina Mineração, a mudança já chegou a setores como manutenção pesada e operação no subsolo. A empresa conta com auxiliares de sondagem, operadoras de equipamentos pesados no subterrâneo, soldadoras e eletricistas. O marco aconteceu com a formação das primeiras mecânicas da empresa: uma na manutenção de planta e outra em equipamentos pesados, ambas formadas por projetos sociais nas comunidades. “Mais do que ampliar a presença feminina, estamos criando condições reais para diversificar o perfil das equipes, com base em capacidade e oportunidade”, destaca Ionele Santiago.

Diversidade muda tudo

O impacto da presença feminina na produção industrial vai além dos números. As duas companhias relatam que equipes mais diversas melhoram diálogo, segurança e inovação. Na Acelen, a presença feminina fortalece a gestão de riscos e a troca de conhecimento em operações onde precisão é primordial. Já na Jacobina Mineração, a diversidade ampliou perspectivas, melhorou a comunicação e estimulou práticas mais inclusivas e seguras.

Essa nova realidade também redefiniu as regras de recrutamento e promoção. Processos seletivos passaram a considerar diversidade como fator estratégico para crescimento sustentável. Lideranças são sensibilizadas e políticas internas ganham força para garantir a equidade. “Ambientes mais diversos promovem diferentes formas de pensar, o que fortalece a inovação e contribui para decisões mais equilibradas”, reforça Claudia Barros.

O projeto Indústria Forte é uma realização do jornal Correio, com patrocínio da Acelen, Jacobina Mineração - Pan American Silver, Neoenergia Coelba, Suzano e Unipar, e apoio da Braskem, FIEB e Wilson Sons.

Tags:

Especial Indústria Forte 2026