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Esther Morais
Publicado em 10 de junho de 2026 às 11:33
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) arquivou, nesta quarta-feira (10), a investigação sobre o assassinato de Pedro Henrique Santos Cruz Sousa, ativista morto em dezembro de 2018 no município de Tucano, no nordeste baiano.>
Conhecido por sua atuação contra a violência policial, Pedro Henrique tinha 31 anos quando foi executado dentro de casa. Na época, uma testemunha afirmou que três homens encapuzados, que se identificaram como policiais militares, invadiram a residência onde ele estava e efetuaram os disparos. >
Após sete anos, MP arquiva investigação sobre morte de ativista no interior da Bahia
Segundo depoimentos de testemunhas, a vítima foi colocada de mãos para cima e morta com oito tiros de pistola no quarto da própria casa. >
Os relatos apontaram ainda que os criminosos chegaram até Pedro Henrique após invadirem a casa de seu pai, então com 68 anos. Em depoimento à Corregedoria da Secretaria da Segurança Pública (SSP), o idoso afirmou que foi acordado por homens encapuzados, que arrombaram a porta da residência e exigiram informações sobre o paradeiro do filho.>
Ao justificar o arquivamento do caso, o Ministério Público informou que esgotou todas as medidas investigativas consideradas viáveis, mas não encontrou elementos suficientes para identificar os autores do crime ou sustentar uma denúncia criminal.>
“Foram realizadas inúmeras diligências investigativas, oitivas, interrogatórios, perícias, análises de dados telefônicos, estudos de localização, exames balísticos, levantamentos de inteligência e outras medidas voltadas à busca de elementos objetivos que permitissem a identificação segura dos responsáveis pelo crime”, destacou o órgão em nota.>
Segundo o MP, embora tenham sido produzidos diversos elementos ao longo da apuração, não foi possível alcançar o grau mínimo de justa causa exigido para o oferecimento de denúncia.>
O órgão ressaltou ainda que o arquivamento não diminui a gravidade do caso. “Trata-se de uma decisão imposta pelo dever constitucional de atuar com base em provas e dentro dos limites estabelecidos pelo ordenamento jurídico”, afirmou.>
O caso também chegou ao sistema internacional de direitos humanos. No ano passado, a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) protocolou uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), questionando a atuação do Estado brasileiro nas investigações e a ausência de responsabilização dos envolvidos.>
Para a Defensoria, houve falhas e omissões na condução do caso, incluindo demora na coleta de depoimentos e ausência de diligências consideradas essenciais para o esclarecimento do crime.>
Pedro Henrique Santos Cruz Sousa era ativista e organizava eventos como a Caminhada pela Paz, realizada entre 2013 e 2018 em Tucano. As ações buscavam promover a cultura de paz e denunciar abusos e a letalidade policial na região.>
Segundo familiares e amigos, ele também denunciava com frequência, junto ao Ministério Público e nas redes sociais, abordagens policiais que considerava violentas e que teriam lhe causado lesões no rosto e em outras partes do corpo.>
Na madrugada do crime, três homens encapuzados invadiram sua residência no bairro Matadouro. De acordo com testemunhas, eles afirmaram que levariam Pedro Henrique preso. Pouco depois, o ativista foi executado com oito tiros dentro do quarto da casa.>