Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Maysa Polcri
Publicado em 25 de maio de 2026 às 06:00
A trajetória da cantora e compositora Thaise Lanuzza, de 38 anos, até parece roteiro de filme. Mas daqueles gravados no interior do Nordeste. Mais precisamente, na zona rural da Bahia. Criada entre sanfonas e festas juninas, ela trocou as pistas de bicicross pelos palcos de forró e hoje vive o sonho de levar a cultura nordestina para diferentes cidades do estado. >
A artista vem conquistando espaço no cenário do forró tradicional e já é conhecida como “Rainha dos Festivais”, título que recebeu após uma sequência de apresentações em eventos culturais pela Bahia. >
Conheça Thaise Lanuzza, a 'Rainha dos Festivais'
Natural de Jaguarari, cidade de 34 mil habitantes do norte baiano, Thaise cresceu entre cidades do sertão acompanhando os pais músicos. O pai cantava na banda Trem de Luxo, enquanto a mãe fazia backing vocal. Apesar da convivência intensa com a música, ela garante que nunca foi pressionada a seguir carreira artística.>
“Meus pais nunca forçaram a gente a entrar na música. Eu e meus irmãos crescemos acompanhando os shows, mas sem aquela obrigação de ser cantor”, conta. A relação afetiva com o forró, no entanto, nasceu ainda na infância, nas temporadas que passava na casa da avó, no sertão de Uauá. As músicas de Luiz Gonzaga embalavam o cotidiano da família e hoje são parte essencial do repertório da artista. >
Thaise Lanuzza
Cantora e compositoraAntes de subir aos palcos, Thaise construiu uma trajetória completamente diferente. Através do atual marido, companheiro desde a adolescência, foi incentivada a praticar bicicross. Assim, o que começou como hobby virou profissão. Ela se tornou atleta profissional, conquistou títulos baianos e brasileiros e percorreu o país disputando competições. “Ele comprou uma bicicleta para eu aprender a andar junto com ele e acabou mudando minha vida. Viajei o Brasil inteiro competindo”, relembrou.>
A carreira no esporte durou até 2016. Depois disso, Thaise decidiu estudar e se formou em Fisioterapia, área em que ainda concilia com a carreira musical. A música só passou a ocupar espaço central em sua vida durante a pandemia da covid-19.>
Com o isolamento social, o marido decidiu aprender a tocar sanfona com o pretexto de que ajudaria o pai e o irmão de Thaise, que são músicos. Foi então que começou a pedir para Thaise cantar enquanto ele praticava o instrumento. A brincadeira acabou revelando um talento até então escondido. Assim como foi com o esporte, a participação do marido foi essencial para o mundo na música. >
“Ele dizia: ‘Você nunca cantou na vida?’. E eu mesma não acreditava muito. Mas fomos estudando repertório, pesquisando música, ensaiando em casa e aquilo começou a crescer naturalmente. Como fui atleta, sempre me dediquei a tudo que fiz. Com a música não seria diferente”, afirma. >
Após pequenos shows em bares, festas e eventos intimistas, a cantora começou a chamar atenção do público. Com a disciplina herdada do esporte, mergulhou na preparação artística, estudou repertório, montou banda e passou a circular em festivais de forró pelo interior baiano.>
Nos últimos anos, Thaise se apresentou em eventos tradicionais como o São João de Mucugê, São Pedro de Ipecaetá, São João de Andaraí, Concurso de Quadrilha Junina de Feira de Santana, Festival de Forró da Chapada e Festival de Forró de Lençóis. Em 2024, recebeu o Troféu São João na Bahia como cantora destaque.>
“Cada festival foi acontecendo no boca a boca. Um organizador via o show e chamava para outro. Quando percebi, já estavam me chamando de Rainha dos Festivais”, contou.>
Hoje, Thaise aposta em um repertório que mistura o forró pé de serra tradicional com uma linguagem mais moderna e dançante. Além das releituras de clássicos nordestinos, a artista também investe na carreira autoral. Em 2022 lançou “Chip Clonado”, seu primeiro trabalho próprio. Depois vieram “É Dia de Forró”, em 2023, e “Meu Dengo”, lançada em 2025 junto com um clipe no YouTube.>
Thaise afirma que uma de suas missões de vida é defender o espaço do forró durante o ano inteiro e ampliar a presença feminina nas grades de eventos culturais. “O forró é patrimônio cultural do nosso país. A gente precisa manter essa tradição viva e valorizar mais os artistas do gênero, não só no São João”, defende. >