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Da Redação
Publicado em 25 de junho de 2023 às 12:18
A programação especial de São João em Salvador, promovido pela Prefeitura, será encerrada neste domingo (25) com a realização do Festival Samba Junino, no Dique do Tororó. A atividade terá início a partir das 15h, com o cortejo de dezenas de grupos tradicionais de samba junino e show de Tatau, com participações de Ninha e Reinaldo. >
O cortejo dos grupos de samba junino vai começar no viaduto Rômulo Almeida e seguir pela Avenida Vasco da Gama até o palco, localizado em frente à portaria da Arena Fonte Nova, no Dique do Tororó. A concentração está marcada para as 14h. >
O festival vai celebrar o movimento cultural genuinamente baiano que nasceu há mais de 40 anos em festas de terreiros de candomblé de bairros como Engenho Velho de Brotas, Fazenda Garcia, Tororó e Federação. Dentre os grupos desfilará o Samba Duro de Terreiro, do Uruguai, que é um dos maiores em atividade na capital baiana. Ao som de cantigas e batuques de samba duro, cerca de 30 grupos vão desfilar no mesmo estilo dos tradicionais arrastões nos bairros. >
Para o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, o Festival encerra as comemorações do São João em grande estilo. >
“Foi um pedido especial do prefeito fazer um grande encerramento da nossa programação junina. Estamos agora em fase final de ajustes desse momento e garanto que vai ter tudo que pede o nosso São João, com tradição, música, beleza e comemoração”, destacou. >
O secretário de Cultura e Turismo de Salvador (Secult), Pedro Tourinho, afirmou que o samba junino é um movimento comunitário que tende a crescer ainda mais nos próximos. >
“O samba junino é patrimônio cultural de Salvador, uma celebração particular de cada bairro, cada grupo e comunidade, uma grande potência de nossa cidade que se reunirá neste domingo para que todos possam ver, participar e se divertir", declarou. >
O cantor Tatau, que no início da carreira fez parte do grupo “Samba Scorpions”, declara ter uma relação muito especial com o samba duro. “É um movimento que ajudei a difundir aqui e tenho músicas que foram uma das primeiras a reverberar para o grande público em relação ao ritmo, a exemplo de ‘Quero Ser Seu Namorado’. Então é uma satisfação esse convite e eu garanto que vamos entregar ao público um show que leva a tradição, a cultura e o profissionalismo. Estou ansioso e pronto para interagir com o público que já gosta de samba duro e também atrair os jovens para participar desse momento e multiplicar um ritmo e um estilo musical que é muito importante pra nossa cultura”, afirmou o cantor. >
Para o produtor cultural e presidente da Liga de Samba Junino da capital, Wagner Shrek, a festa vai garantir não apenas entretenimento para os cidadãos, mas também visibilidade para o movimento que é forte nas periferias e possui também impacto social. Os grupos possuem um calendário fixo de apresentações que inicia no período da Semana Santa e segue até o São João, além de desenvolver atividades pontuais em outras festividades. >
“É um movimento ancestral, da cultura do povo preto e que está tendo o reconhecimento como patrimônio. Estamos avançando e salvaguardando essa cultura que não se restringe à música. Os grupos estão ligados a atividades culturais e sociais com iniciação de crianças e jovens na música. Além disso, as apresentações, que são sempre realizadas nas ruas, também fomentam a economia das comunidades”, reforçou. >
O samba junino é derivado do samba de caboclo e tem suas matrizes rítmicas vinculadas às evoluções do tambor. Com o passar do tempo, diversos bairros de Salvador se tornaram expoentes do movimento cultural, como Liberdade, Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas, Alto das Pombas, Cajazeiras, Águas Claras e Canabrava. >
O movimento surgiu em torno das casas de candomblé de Salvador, no bojo da religiosidade popular, presente nos terreiros e em muitas festividades de matriz africana nas festas de caboclo, iniciando suas manifestações nas queimas de Judas e encerrando no Dois de Julho, inclusive na sequência das rezas direcionadas aos santos juninos – Santo Antônio, São João e São Pedro. >
Símbolo de resistência, o samba junino deu origem a estilos musicais contemporâneos como o pagode baiano, que emplacou diversos sucessos nacionais na década de 1990 com grupos como Gera Samba, Terra Samba e Companhia do Pagode, e projetou muitos artistas conhecidos do grande público, como o próprio Tatau, Reinaldo, Ninha e Márcio Victor. Por ser uma manifestação genuinamente soteropolitana, foi reconhecido, em 2018, como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador, pela Fundação Gregório de Mattos (FGM).>