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Maysa Polcri
Publicado em 24 de abril de 2026 às 17:57
Uma idosa de 84 anos, moradora da zona rural de Aramari, na região nordeste da Bahia, enfrenta uma longa espera por atendimento de saúde e ainda não conseguiu realizar a cirurgia de que precisa. Segundo a família, Hermenegilda de Almeida Ferreira aguardou por dois anos ser chamada para o procedimento de remoção da vesícula biliar até descobrir que não está cadastrada no sistema de regulação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).>
Documentos apresentados pela família mostram que, em 30 de julho de 2024, a idosa chegou a passar por etapa pré-operatória, com autorização para procedimento anestésico no Hospital do Subúrbio, em Salvador.>
Idosa de 84 anos aguarda cirurgia há dois anos
Apesar disso, o processo foi paralisado e a cirurgia não aconteceu. Trata-se de um procedimento chamado de colecistectomia videolaparoscópica, que consiste na remoção da vesícula biliar por meio de pequenas incisões e auxílio de câmera. Enquanto a cirurgia não ocorre, a idosa sofre com dores constantes. >
O caso de Hermenegilda é denunciado pela Associação Comissão de Defesa dos Direitos Humanos de Cairu/BA. A associação enviou um ofício à direção do Hospital do Subúrbio e buscou informações junto à secretaria de Saúde. No documento, a entidade relata a demora no atendimento e solicita urgência na realização do procedimento.>
De acordo com a associação, a idosa estaria vinculada apenas a uma lista interna do hospital, e não constaria na Lista Única de Saúde do Estado, que organiza a regulação de acesso a procedimentos cirúrgicos e exames especializados na Bahia. >
“A secretaria informou que não pode ajudar na celeridade porque ela não está inscrita no sistema do Estado. Enquanto isso, o hospital diz que é preciso aguardar”, diz. A reportagem entrou em contato com a Sesab, questionou a pasta sobre o caso da paciente e aguarda retorno. >
Enquanto não há prazo para a realização do procedimento, o estado de saúde da idosa se agrava. Segundo familiares, ela sente dores constantes, tem dificuldade para se alimentar e já não consegue dormir deitada. Em alguns dias, apresenta vômitos e piora no quadro clínico.>
O caso foi registrado com base no Estatuto do Idoso, com protocolo formal e histórico das tentativas de resolução. A associação prepara um relatório que deve ser encaminhado ao Ministério Público. “A gente não quer saber de quem é o erro. Um joga para o outro. O que queremos é a cirurgia com urgência”, disse a representante.>