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Infrações por uso de celular aumentam mais de 400% em um ano na BR-324

Monitoramento é feito com uso de câmeras inteligentes

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  • Maysa Polcri

Publicado em 3 de maio de 2024 às 05:00

 Monitoramento das rodovias é feito com uso de câmeras inteligentes
Monitoramento das rodovias é feito com uso de câmeras inteligentes Crédito: Divulgação/PRF-BA

Ser pego usando celular no volante é considerado infração gravíssima e rende multa de até R$ 293,47, além de representar um risco nas estradas. Mesmo assim, a rodovia federal mais movimentada da Bahia, a BR-324, registrou um aumento de 480% no número de infrações desse tipo neste ano. Foram 2.187 autuações, contra 377 no mesmo período do ano passado.

Os dados são da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que desde fevereiro conta com a ajuda de câmeras com inteligência artificial para flagrar os motoristas. O aumento de mais de 400% é resultado da fiscalização eletrônica, que está presente também na BR-116, por iniciativa da concessionária Via Bahia, que administra ambas as rodovias.

"O objetivo do uso desta tecnologia, por parte da concessionária, é a de detectar, de forma mais eficiente, ocorrências na rodovia e melhorar a cada dia o atendimento realizado aos nossos usuários", diz a empresa. "O uso da tecnologia foi disponibilizado à Polícia Rodoviária Federal para que a autoridade conseguisse identificar comportamentos inadequados dos motoristas, como o uso do celular ao volante e a falta do cinto de segurança, atitudes que podem gerar acidentes", completa.

A combinação perigosa entre celular e volante pode configurar três infrações diferentes. Estar em ligação, mesmo com fones de ouvido, é considerado infração média e a multa é de R$130,16, além de quatro pontos na carteira de motorista.

Segurar o celular em uma das mãos é ainda mais arriscado. A infração é gravíssima, rende sete pontos e multa de R$293,47. O número de pontos e o valor da multa são os mesmos se o motorista for pego teclando no celular. É o caso dos motoristas que enviam mensagens enquanto dirigem.

Especialistas em trânsito alertam para os riscos de usar o celular no volante. O maior problema está relacionado à desatenção, que torna as reações dos motoristas mais lentas. O uso de celular é a terceira maior causa de acidentes no Brasil, atrás do consumo de álcool e excesso de velocidade, segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet).

“Esse era um fenômeno das vias urbanas, mas que está se estendendo para as rodovias. Há quatro anos, o uso de celular é a terceira maior causa de acidentes nas cidades, mas isso virou realidade nas estradas, o que é mais perigoso”, analisa Luide Souza, especialista em trânsito e tenente-coronel da Polícia Militar. “Não é uma questão só da maior fiscalização. Os condutores tendem a achar que ninguém está vendo nas estradas”, conclui. 

A distração quando o condutor utiliza o celular é tão intensa que é como se o motorista dirigisse de olhos vendados por alguns segundos. “O número de pessoas que utilizam celular enquanto dirigem é alarmante. Para se ter um exemplo dos riscos, o condutor que dirige a 100 km/h, quando tem uma distração de três segundos, faz o carro percorrer cerca de 80 metros sem atenção. Essa distância é grande e o trânsito não se mantém estático, o que ocasiona acidentes”, afirma Mario Henrique, chefe de comunicação da PRF na Bahia.

Desde a implementação das câmeras inteligentes, também houve aumento de 700% nas autuações de motoristas sem cinto de segurança. Nos primeiros quatro meses deste ano, foram 6.389 autuações, contra 805 no mesmo período do ano passado.