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Priscila Natividade
Publicado em 5 de março de 2018 às 06:00
- Atualizado há 3 anos
O jornalista Adriano Silva foi demitido após passar 13 meses no 'emprego dos sonhos' (Foto: Renato Parada/ Divulgação) Carreira bem-sucedida, emprego perfeito, oportunidade única em um cargo de comando. Mas o sonho do auge da carreira virou, em pouco mais de um ano no pesadelo do desemprego. Quem abre a série de reportagens do CORREIO sobre o aprendizado que fica com os erros corporativos é o jornalista e empresário Adriano Silva. Ele conquistou prestígio dentro do Grupo Abril com a reformulação da revista Superinteressante e com o lançamento dos títulos Mundo Estranho e Vida Simples, o que o fez ser convidado para trabalhar em um dos programas de maior audiência da televisão brasileira.“Tinha uma carreira bem-sucedida, de quase uma década na Editora Abril. O convite que recebi era irrecusável à época. Fui contratado como chefe de Redação e meu ciclo no novo emprego foi mais curto do que eu gostaria”.Com a mesma velocidade que subiu na carreira, o jornalista experimentou a queda, quando foi demitido após 13 meses. “Algumas questões contribuíram para o tombo. Entre elas: não fui contratado pelo meu superior direto, mas pelo chefe do meu chefe. E não consegui estabelecer laços nem para o lado, nem para cima, nem para baixo. No mundo corporativo, a regra é simples: pertença ou pereça. Sem apoio, num ambiente hostil a quem chega de fora, durei pouco”, analisa. Na escada corporativa, quanto mais se sobe, mais visado se fica. “Você vai sendo promovido e todo mundo sorri e ri das suas piadas, por mais sem graça que sejam. A verdade, no entanto, é quanto mais você for galgando posições, mais inveja vai atrair, mas vai ter gente torcendo - e operando - pela sua queda”. Por mais que tenha sido dura a queda, o tombo foi importante, como acrescenta Adriano Silva. “Só a queda ensina. Cair uma vez é do jogo. Tomar o mesmo tombo duas vezes não faz sentido. Sofri e aprendi muito. Muito melhor viver a experiência e sair dela mais forte do que se defender da vida e se esconder das oportunidades que a carreira oferece - e que sempre embutirão riscos”. Sobrevivência Para resistir no mundo corporativo, o jornalista destaca a formação de alianças. “Na maioria das empresas, a principal preocupação dos executivos é manter seus empregos. Por isso se gasta tanto tempo e tanta energia na construção de alianças, na formação de conchavos - tanto para nos protegermos, para não sobrarmos como o elo mais fraco da corrente”. Outro alerta está nos chefes ruins e nas estratégias equivocadas. “Uma boa regra para gerir sua carreira: não perca tempo com chefes ruins. Não existe a empresa dos sonhos. O que existe é o sonho da empresa, a visão que ela quer realizar como organização. E o seu sonho profissional. É preciso haver conexão e sinergia entre esses dois sonhos. É necessário, sim, sempre, se adaptar e ser flexível. Mas nunca dobre a sua coluna ou coloque uma máscara diante das suas feições reais”, defende. A parte não tão bem-sucedida da carreira virou um livro, lançado no ano passado [Treze Meses Dentro da TV - Uma Aventura Corporativa Exemplar]. Hoje, o jornalista se dedica ao Projeto Draft, plataforma digital que cobre a expansão na nova economia no Brasil e é presidente da The Factory, empresa que desenha e implementa projetos editoriais. “Trate bem as pessoas. Seja claro, direto e honesto. Trabalhe duro, não se economize. Aposte na alegria - seja feliz e faça os outros felizes. Cresça e faça a companhia crescer com você. Se nada disso der certo, o problema não está em você, mas no lugar onde você está. Saia de lá correndo”, aconselha. 'É preciso criar relacionamentos sólidos, que são baseados em valores', destaca Slivnik (Foto: Denise Dominguez/ Divulgação) >
Lição corporativa por Alexandre Slivnik>
Embora muitos queiram rotular, o ambiente corporativo não é sempre igual em todos os lugares. Histórias e casos que aconteceram em uma determinada empresa, talvez não aconteceriam em outras. As empresas têm culturas diferentes, que são, muitas vezes, definidas de acordo com o comportamento do seu líder maior. A história do Adriano trouxe uma reflexão interessante. Quando ele diz que não conseguiu estabelecer laços, talvez aí esteja a resposta. É preciso criar relacionamentos sólidos que são baseados em valores e, talvez, para o Adriano naquele momento, os valores da empresa e das pessoas estavam diferentes dos valores dele. Não quer dizer que são valores melhores ou piores. Apenas diferentes. E isso já basta para não conseguir criar laços firmes. Concordo que para que possamos evoluir na nossa carreira, precisamos correr riscos. Quanto mais riscos corremos, maior a chance de subirmos de forma mais rápida. E esse é o grande barato da vida corporativa, pois nosso trabalho só estará exposto (e será visto) se resolvermos problemas dos demais (líderes, liderados e clientes externos), correndo, obviamente, riscos de não dar certo. E se realmente não der certo naquele momento, já terá valido a pena pela fantástica experiência de ter vivenciado algo diferente.>
Alexandre Slivnik é autor do livro o Poder da Atitude (Gente, 2012), sócio-diretor do Institute for Business Excellence (IBEX), do Instituto de Desenvolvimento Profissional (IDEPRO) e diretor-executivo da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD). >
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