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Tradição de berço: famílias se unem em luto e fé na sexta-feira da Paixão

Segundo dia do Tríduo Pascal se encerrou com o Sermão das Sete Palavras

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 3 de abril de 2026 às 20:00

Liturgia e procissão da Semana Santa na Igreja do Carmo
Liturgia e procissão da Semana Santa na Igreja do Carmo Crédito: Sora Maia/CORREIO

Silêncio, roupas escuras e passos lentos nas ladeiras de pedra do Centro Histórico ditaram o compasso de uma das tradições mais comoventes da Semana Santa. Dos mais tradicionais aos mais jovens, o soteropolitano mostrou sua face mais devota na tarde da sexta-feira (3) ao se reunir no Largo do Carmo para reviver o luto pela Paixão de Cristo, numa procissão que simboliza a renovação da fé.

A sexta-feira da Paixão é tradição certa para os católicos. O momento é de recordação da morte de Jesus Cristo. Para isso, os fieis compareceram à Catedral Basílica do Santíssimo Salvador, no Centro Histórico, para a realização da Ação Litúrgica da Paixão, sob a presidência do Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, Cardeal Dom Sérgio da Rocha.

Liturgia e procissão da Semana Santa na Igreja do Carmo por Sora Maia/CORREIO

Membro da Pastoral da Acolhida da igreja do Santo Antônio Além do Carmo, a fiel Josy Brito explicou que a Semana Santa é importante para a renovação da fé para os católicos. “É onde nós fortalecemos a nossa fé. Um período que eu, particularmente, gosto muito, porque nós aprendemos e vivemos cada minuto do que aconteceu com nosso Senhor Jesus Cristo”, diz.

A soteropolitana de 45 anos contou que a fé começou como uma tradição familiar. A avó era a responsável por introduzir as netas nas tradições religiosas. “Desde pequena eu fui aprendendo sobre como se portar, sobre a quaresma e a Semana Santa. Acho que é por isso, por ter vindo de berço, que eu vivo com mais intensidade. Essa fé também vem herdada”, relembra.

O dia simboliza a segunda parte do Tríduo Pascal, o conjunto de celebrações realizadas entre a quinta-feira e o sábado da Semana Santa. É o único dia do ano onde não são realizadas missas. A celebração teve início às 15h, com os fiéis ocupando os assentos da catedral vestidos com roupas escuras em alusão ao luto pela morte de Cristo. No mesmo horário, a Ação Litúrgica na Igreja da Ordem Terceira do Carmo foi celebrada. Após o final da liturgia, foi realizada a procissão do Senhor Morto, onde o corpo de Cristo sai da igreja e segue pelas ruas do Centro Histórico.

Quem estava lá para seguir o legado era Maria Tereza Carvalho, que entrou para a Irmandade aos 18 anos. “Desde criança, meu avô vinha e trazia a família inteira. Foi uma tradição que veio de família. É cansativo, mas vale a pena”, conta. Além daqueles que já carregam anos de experiência prestando orações na Sexta-feira Santa, o local também contava com uma parcela de devotos mais jovens, que simbolizavam a renovação não só da fé, mas da tradição.

Esperando o início da procissão, os irmãos Ícaro Caetano e Maitê Caetano, de 13 e 14 anos, esperavam ao lado da mãe Ingrid, que os leva para as celebrações desde muito cedo.O irmão mais novo contou que, apesar da mãe cobrar os dois, eles se interessam e gostam de participar dos eventos religiosos.

“Gosto bastante, acho muito legal a parte da procissão. Acho muito interessante, gosto de vim porque acho muito importante também para a nossa fé. A gente entende a Sexta-feira Santa como um dia de reflexão e silêncio”, conta. “É um evento lindo mesmo e a liturgia também é algo que me cativa bastante neste dia. Hoje, em especial, é dia de luto. A gente lembra desse sacrifício necessário de Cristo para nossa salvação, que vai ser completa no domingo”, complementa Maitê.

Conselheiro da Ordem Terceira do Carmo, Jaílson Pires percebe a presença cada vez maior de jovens. Em quase 20 anos de serviço à Igreja, o secretário vê com bons olhos essa alteração no perfil dos fiéis. “Está existindo uma mudança entre os mais jovens, tanto que, hoje, a gente não vê mais aqueles idosos, porque às vezes a comorbidade não deixa mais vir. Hoje, os jovens estão mais presentes e isso é um bom sinal, sem dúvida. Renovação sempre é bom”, afirma. Por volta das 17h, o cortejo enfim saiu. Sob os olhares dos jovens devotos e dos experientes fiéis, a imagem do Senhor Morto, conhecida como o "Cristo do Cabra”, foi conduzida no esquife por militares do Exército.

Com o silêncio completo de quem estava presente, o segundo dia do Tríduo Pascal se encerrou com o Sermão das Sete Palavras, proferido por Dom Sergio.