Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

A rede de supermercados que chegou a faturar R$ 285 milhões por ano e fechou as portas na Bahia

Ex-CEO do Corujão, Daniela Lacerda passou a investir no agronegócio e assumiu a presidência do Avante na Bahia, após o encerramento da marca em 2024

  • Foto do(a) author(a) Esther Morais
  • Esther Morais

Publicado em 16 de maio de 2026 às 06:30

A mulher por trás do Corujão: rede de supermercado chegou a faturar R$ 285 milhões por ano na Bahia
A mulher por trás do Corujão: rede de supermercado chegou a faturar R$ 285 milhões por ano na Bahia Crédito: Taila Silva / Divulgação

Uma das principais redes baianas de supermercados, o Corujão ganhou notoriedade no varejo de proximidade ao apostar em um modelo até então incomum no interior da Bahia: lojas funcionando 24 horas por dia. Criada em Feira de Santana, a empresa se transformou em referência regional no setor supermercadista, chegando a sete unidades e faturamento anual de R$ 285 milhões durante o auge da operação. Em 2024, porém, encerrou as operações após enfrentar uma crise financeira.

O negócio começou de forma simples, em 2012, como uma distribuidora de bebidas 24 horas criada pela empresária Daniela Lacerda ao lado do marido. A proposta nasceu da percepção de uma lacuna no mercado local. Em Feira de Santana, depois de determinado horário, apenas pequenas conveniências permaneciam abertas.

A mulher por trás do Corujão: rede de supermercado chegou a faturar R$ 285 milhões por ano na Bahia por Reprodução / Redes sociais

“Sempre gostei de estudar diferenciais competitivos. Feira de Santana não tem opções de lazer como cidades litorâneas, e o consumo de bebidas era muito forte. Depois de determinado horário, só existiam conveniências abertas. O Corujão começou funcionando praticamente como uma distribuidora de gás e bebidas 24 horas. Nosso principal diferencial era justamente esse: éramos o único funcionando 24h, todos os dias”, afirmou Daniela ao relembrar o início da empresa.

A estratégia transformou rapidamente o Corujão em um fenômeno regional. O que começou como um depósito de bebidas evoluiu para supermercado em 2018, ampliando a atuação para o segmento de atacarejo e varejo de proximidade. A rede também passou a apostar em unidades no formato Express e expandiu operações para Salvador por meio do modelo de franquias.

De sacoleira a empresária do varejo

Por trás da ascensão da marca estava a trajetória da própria Daniela. Filha de uma família humilde, ela começou a empreender ainda criança, vendendo brinquedos e doces na porta de casa.

“A minha infância foi muito voltada para o brincar. Tive pai e mãe presentes, mas éramos uma família humilde. Meu pai sempre trouxe muito forte a relevância do trabalho e dizia que, para vencer na vida, era preciso esforço”, contou.

Ainda jovem, durante a faculdade de Direito, Daniela passou a vender roupas, bolsas, óculos e bijuterias para conseguir pagar a mensalidade do curso.

“Eu fui para a faculdade de Direito, mas meu pai não conseguia bancar tudo sozinho. Para eu não desistir do curso, comecei a vender bijuterias, óculos e bolsas. Eu era sacoleira e ajudava a pagar minha mensalidade”, relembrou.

Antes do Corujão, Daniela já utilizava as redes sociais para impulsionar as vendas, em um momento em que o Instagram ainda não era utilizado como ferramenta comercial de forma massiva.

“A informalidade traz muitas dificuldades, principalmente de acesso a crédito e expansão do negócio. Meu ciclo de vendas estava muito focado na faculdade, até que comecei a enxergar o digital como oportunidade”, disse.

Grupo chegou no auge durante pandemia

O crescimento acelerado da rede fez Daniela ganhar projeção no setor supermercadista. Aos 30 anos, ela foi apontada como a mulher mais jovem a integrar a Associação Baiana de Supermercados (Abase). O Corujão chegou a ter mais de 500 colaboradores e consolidou-se como uma das marcas mais populares do varejo no interior da Bahia.

Segundo Daniela, a proximidade com o público e a valorização dos funcionários foram fundamentais para o crescimento da empresa. “A gente fazia um trabalho diferente na comunicação direta com o público e na aproximação com os clientes. Sempre valorizei muito o capital humano e a força dos colaboradores”, afirmou.

Durante a pandemia, o grupo viveu o auge operacional. O aumento do consumo doméstico impulsionou o varejo alimentar e ajudou a fortalecer ainda mais a marca. “Conseguimos nos tornar o maior varejo do interior da Bahia naquele período”, disse a empresária.

Entenda por que o Corujão entrou em crise

Mas o cenário começou a mudar em 2022. A desaceleração do varejo, aliada ao aumento da taxa Selic e à dificuldade de crédito, impactou diretamente o grupo.

“O mercado teve uma regressão muito forte em 2022. O pior fator foi a taxa de juros. Sofremos muito no varejo até 2023, quando chegou um ponto em que não conseguimos mais suportar”, contou.

O Corujão entrou em uma crise financeira marcada por alto endividamento. O principal problema, afirma Daniela, foi o crescimento acelerado dos juros sobre empréstimos e renegociações bancárias.

“A principal dívida foi relacionada aos juros. Tivemos um endividamento alto comparado ao valor inicialmente emprestado. Com a Selic elevada, os juros viraram juros sobre juros e a gente não conseguiu acompanhar”, afirmou.

A empresária revelou ainda que a rede tentou recorrer à recuperação judicial, mas não conseguiu manter o processo. “Recuperação judicial é muito cara e já não tínhamos mais caixa suficiente para conseguir conduzir tudo em tempo hábil”, disse.

O encerramento das operações ocorreu em 2024 e marcou o fim de uma das redes varejistas mais conhecidas do interior baiano.

O cenário enfrentado pelo Corujão também atingiu outras grandes empresas do varejo brasileiro nos últimos anos. Redes como Americanas, Dia Brasil, Casas Bahia e o Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e Mobly, passaram por processos de recuperação judicial ou renegociação de dívidas em meio ao aumento dos juros, retração do consumo e dificuldade de acesso ao crédito.

Especialistas apontam que o varejo nacional sofreu forte impacto após o período de crescimento registrado durante a pandemia, especialmente empresas com operações expansivas e dependentes de financiamento.

A nova fase de Daniela Lacerda

Mesmo após a crise, Daniela decidiu permanecer no empreendedorismo. Atualmente, ela está à frente da Caipirovos, empresa voltada para o mercado de ovos e agricultura familiar, conectando pequenos produtores a confeiteiras e empreendedores no modelo B2B.

“Eu olhei para trás e pensei: ‘Se cheguei até aqui, posso pensar de outra forma’”, afirmou.

Além da atuação empresarial, Daniela também passou a ocupar espaço político. Em 2025, assumiu a presidência estadual do Avante na Bahia, com foco na ampliação da participação feminina em posições de liderança. “A proposta é trazer mais força feminina e incentivar mulheres a gerirem melhor suas carreiras”, declarou.

Tags:

Supermercados Disputam Clientes E Espaço em Salvador Supermercado