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Maysa Polcri
Publicado em 3 de outubro de 2023 às 05:00
Mulher autodeclarada negra, cristã e militante da prevenção contra o abuso sexual de crianças e adolescentes. Essas são algumas das características de Viviane Peixoto, de 38 anos. A soteropolitana criada no Subúrbio Ferroviário foi a conselheira tutelar mais votada em Salvador na eleição realizada no domingo (1º). Ela recebeu 5.680 votos e tomará posse do seu terceiro mandato em 10 de janeiro de 2024. >
Viviane Peixoto é assistente social formada na Faculdade Dom Pedro e conta que o desejo de trabalhar com crianças e adolescentes despertou ainda na graduação. Em 2015, foi eleita para o Conselho Tutelar XIV com 400 votos. O trabalho dos 120 conselheiros de Salvador é dividido em áreas de atuação. Ilha Bom Jesus dos Passos, Ilha dos Frades, Ilha de Maré, Paripe e São Tomé são as localidades que Viviane atende. >
Ela também é a atual presidente do Instituto Me Abrace, projeto sem fins lucrativos que trabalha na criação de políticas para o desenvolvimento de comunidades. Quando soube que foi a conselheira mais votada de Salvador, se surpreendeu. “Eu realmente não esperava, é uma responsabilidade grande, mas estou muito grata”, fala. >
A assistente social tornou-se conhecida nas comunidades pelas palestras que realiza em escolas e igrejas da capital baiana. Vestida de boneca, ela visita os espaços e faz palestras voltadas para o público infantil sobre a prevenção do abuso sexual. “Comecei a me perceber que atenderia as crianças no conselho depois que elas já tinham sido vítimas de abusos. Então porquê não trabalhar na prevenção para que isso não aconteça?”, diz. >
De forma lúdica e recreativa, ela orienta crianças a terem mais autonomia sobre seus corpos e não permitir que sejam tocadas sem permissão. “A proteção do corpo e das suas partes íntimas é algo muito importante e simples, mas que muitas vezes não é ensinado pelos pais dentro de casa”, afirma a conselheira. >
Viviane Peixoto é casada e tem três filhos. Ela é cristã e defende que a prevenção do abuso sexual deve ser debatida nas igrejas. “Antes, a sexualidade era um tabu dentro da igreja, mas conseguimos perceber que elas se atualizam. Hoje entramos na igreja e temos espaço para falarmos sobre educação sexual”, diz. Para o próximo mandato, que vai até 2028, Viviane pretende continuar lutando pelos direitos das crianças e adolescentes.>