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Maysa Polcri
Publicado em 22 de maio de 2026 às 09:05
O professor João Carlos Salles foi eleito reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) para o mandato 2026–2030 após uma campanha centrada na defesa da autonomia universitária, recomposição orçamentária e fortalecimento da permanência estudantil. >
Ex-reitor da instituição entre 2014 e 2022, João Carlos Salles voltou à disputa eleitoral afirmando que a candidatura surgiu a partir de um “chamamento coletivo” da comunidade universitária diante dos desafios enfrentados atualmente pela universidade. Ao lado da professora Jamile Borges, encabeçou a chapa Somos Ufba (Chapa 2).>
Quem é João Carlos Salles
Professor titular do Departamento de Filosofia da Ufba desde 1985, João Carlos Salles possui longa trajetória acadêmica e institucional. É membro fundador da Academia de Ciências da Bahia e integrante da Academia de Letras da Bahia, onde ocupa a cadeira 32. Também presidiu a Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof), a Sociedade Interamericana de Filosofia (SIF) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), entre 2019 e 2020.>
Em entrevista ao CORREIO durante a campanha, o professor afirmou que inicialmente não pretendia voltar à reitoria, mas mudou de posição após diálogos com integrantes da comunidade universitária.>
“Não estava exatamente nos meus planos pessoalmente voltar. Mas houve um chamamento, um conjunto de pessoas que começaram a dialogar comigo julgando que a minha maneira de organizar a gestão e também as posições que eu defendo acerca da luta pelo orçamento para a universidade eram bem oportunas para esse momento”, declarou.>
Na campanha, João Carlos Salles destacou que sua proposta de gestão foi construída em torno de eixos como fortalecimento da relação entre ensino, pesquisa e extensão; defesa da autonomia universitária; valorização das pessoas; vida estudantil; preservação do patrimônio universitário; e aperfeiçoamento dos sistemas administrativos e acadêmicos.>
Ao analisar o cenário da universidade, o professor classificou seus dois primeiros mandatos como um período de “resistência”, marcado por cortes orçamentários, instabilidade política nacional e ataques às universidades federais. “Eu digo que foi um mandato de resistência, necessário e importante”, afirmou.>
Segundo ele, apesar da mudança do contexto político nacional, as universidades federais ainda convivem com dificuldades financeiras e ausência de recomposição adequada do orçamento. “Nós julgamos que é importante uma luta nacional, envolvendo todas as 69 universidades federais, de modo que a educação superior seja uma prioridade nacional”, disse.>
Durante a campanha, João Carlos Salles também comentou os problemas enfrentados pela Ufba após a implantação do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA), especialmente as reclamações de estudantes sobre dificuldades de matrícula e falta de vagas em disciplinas.>
Para o professor, a implementação do sistema ocorreu sem diálogo suficiente com os colegiados e precisava ser corrigida por meio de articulação institucional. “Esse é um sintoma de que a implantação do SIGAA, que é um sistema robusto, não foi feita em conformidade com os regramentos adequados e com o devido diálogo com os colegiados”, avaliou.>
A disputa eleitoral também foi marcada por críticas do então candidato Penildon Silva Filho, que acusava a Administração Central de favorecer a candidatura de João Carlos Salles por conta do apoio público do então reitor Paulo Miguez.>
Questionado sobre o tema, João Carlos afirmou que qualquer integrante da universidade tinha direito a manifestar preferência política, desde que não houvesse uso indevido da estrutura institucional. “Todos os cidadãos na universidade têm direito a ter suas preferências. O que é inaceitável é o uso da máquina e utilizar benefícios em relação a uma candidatura, qualquer que seja”, declarou.>
Outro ponto central da campanha foi a permanência estudantil e o combate à evasão universitária. Segundo João Carlos Salles, a expansão das universidades federais trouxe novos desafios relacionados ao acolhimento de estudantes em situação de vulnerabilidade social.>
“Essa expansão, ao inclusive incorporar uma camada significativa de estudantes em vulnerabilidade social, precisa de várias medidas para que a inclusão se transforme em um autêntico pertencimento”, afirmou.>
O professor defendeu a ampliação de bolsas, auxílios estudantis e melhores condições de funcionamento da universidade, especialmente para estudantes dos cursos noturnos. “Precisa ter bibliotecas, espaços funcionando, segurança, várias condições para que o estudante possa se sentir acolhido”, concluiu.>
A eleição foi marcada pelo inédito voto direto, sem lista tríplice, conforme a Lei nº 15.367/2026. Quatro chapas disputaram: Mais Ufba (Penildon Filho e Bárbara Coelho), Somos Ufba (João Carlos Salles e Jamile Borges), Ufba Insurgente (Fernando Conceição e Célia Sacramento) e Nossa Ufba (Salete Maria e Menandro Ramos).>