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Saiba quem é João Carlos Salles, eleito para o terceiro mandato como reitor da Ufba, que defende orçamento maior

Professor foi reitor da universidade entre 2014 e 2022

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 22 de maio de 2026 às 09:05

João Carlos Salles e a candidata a vice, Jamile Borges
João Carlos Salles e a vice, Jamile Borges Crédito: Divulgação/Marcos Musse

O professor João Carlos Salles foi eleito reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) para o mandato 2026–2030 após uma campanha centrada na defesa da autonomia universitária, recomposição orçamentária e fortalecimento da permanência estudantil.

Ex-reitor da instituição entre 2014 e 2022, João Carlos Salles voltou à disputa eleitoral afirmando que a candidatura surgiu a partir de um “chamamento coletivo” da comunidade universitária diante dos desafios enfrentados atualmente pela universidade. Ao lado da professora Jamile Borges, encabeçou a chapa Somos Ufba (Chapa 2).

Professor titular do Departamento de Filosofia da Universidade Federal da Bahia desde 1985, foi reitor da Ufba por dois mandatos consecutivos, de 2014 a 2022. por Marina Silva/Arquivo CORREIO

Professor titular do Departamento de Filosofia da Ufba desde 1985, João Carlos Salles possui longa trajetória acadêmica e institucional. É membro fundador da Academia de Ciências da Bahia e integrante da Academia de Letras da Bahia, onde ocupa a cadeira 32. Também presidiu a Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof), a Sociedade Interamericana de Filosofia (SIF) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), entre 2019 e 2020.

Em entrevista ao CORREIO durante a campanha, o professor afirmou que inicialmente não pretendia voltar à reitoria, mas mudou de posição após diálogos com integrantes da comunidade universitária.

“Não estava exatamente nos meus planos pessoalmente voltar. Mas houve um chamamento, um conjunto de pessoas que começaram a dialogar comigo julgando que a minha maneira de organizar a gestão e também as posições que eu defendo acerca da luta pelo orçamento para a universidade eram bem oportunas para esse momento”, declarou.

Campanha

Na campanha, João Carlos Salles destacou que sua proposta de gestão foi construída em torno de eixos como fortalecimento da relação entre ensino, pesquisa e extensão; defesa da autonomia universitária; valorização das pessoas; vida estudantil; preservação do patrimônio universitário; e aperfeiçoamento dos sistemas administrativos e acadêmicos.

Ao analisar o cenário da universidade, o professor classificou seus dois primeiros mandatos como um período de “resistência”, marcado por cortes orçamentários, instabilidade política nacional e ataques às universidades federais. “Eu digo que foi um mandato de resistência, necessário e importante”, afirmou.

Segundo ele, apesar da mudança do contexto político nacional, as universidades federais ainda convivem com dificuldades financeiras e ausência de recomposição adequada do orçamento. “Nós julgamos que é importante uma luta nacional, envolvendo todas as 69 universidades federais, de modo que a educação superior seja uma prioridade nacional”, disse.

Durante a campanha, João Carlos Salles também comentou os problemas enfrentados pela Ufba após a implantação do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA), especialmente as reclamações de estudantes sobre dificuldades de matrícula e falta de vagas em disciplinas.

Para o professor, a implementação do sistema ocorreu sem diálogo suficiente com os colegiados e precisava ser corrigida por meio de articulação institucional. “Esse é um sintoma de que a implantação do SIGAA, que é um sistema robusto, não foi feita em conformidade com os regramentos adequados e com o devido diálogo com os colegiados”, avaliou.

Tensão

A disputa eleitoral também foi marcada por críticas do então candidato Penildon Silva Filho, que acusava a Administração Central de favorecer a candidatura de João Carlos Salles por conta do apoio público do então reitor Paulo Miguez.

Questionado sobre o tema, João Carlos afirmou que qualquer integrante da universidade tinha direito a manifestar preferência política, desde que não houvesse uso indevido da estrutura institucional. “Todos os cidadãos na universidade têm direito a ter suas preferências. O que é inaceitável é o uso da máquina e utilizar benefícios em relação a uma candidatura, qualquer que seja”, declarou.

Outro ponto central da campanha foi a permanência estudantil e o combate à evasão universitária. Segundo João Carlos Salles, a expansão das universidades federais trouxe novos desafios relacionados ao acolhimento de estudantes em situação de vulnerabilidade social.

“Essa expansão, ao inclusive incorporar uma camada significativa de estudantes em vulnerabilidade social, precisa de várias medidas para que a inclusão se transforme em um autêntico pertencimento”, afirmou.

O professor defendeu a ampliação de bolsas, auxílios estudantis e melhores condições de funcionamento da universidade, especialmente para estudantes dos cursos noturnos. “Precisa ter bibliotecas, espaços funcionando, segurança, várias condições para que o estudante possa se sentir acolhido”, concluiu.

A eleição foi marcada pelo inédito voto direto, sem lista tríplice, conforme a Lei nº 15.367/2026. Quatro chapas disputaram: Mais Ufba (Penildon Filho e Bárbara Coelho), Somos Ufba (João Carlos Salles e Jamile Borges), Ufba Insurgente (Fernando Conceição e Célia Sacramento) e Nossa Ufba (Salete Maria e Menandro Ramos).