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Maysa Polcri
Publicado em 21 de maio de 2026 às 15:17
Atos de vandalismo a monumentos e equipamentos históricos de Salvador causaram prejuízos de R$ 945 mil à gestão municipal entre 2025 e este ano, segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM). O trabalho é realizado a partir do monitoramento contínuo promovido pela Gerência de Patrimônio Cultural da FGM, que realiza vistorias técnicas e ações de fiscalização periódicas nos monumentos da cidade. >
Um caso emblemático, segundo a fundação, foi a depredação do monumento construído em homenagem a Vinícius de Moraes, na praça em frente à casa onde o poeta morou na década de 1970, em Itapuã, e onde escreveu clássicos, como "Tarde em Itapuã". >
A peça tem sido alvo de recorrentes ações de vandalismo. Dias após sua restauração, realizada no ano passado, o pulso e o antebraço da escultura foram serrados, em uma tentativa de furto. Danos também foram provocados em partes da cadeira. Com isso, um novo investimento precisará ser feito para a recuperação da obra.>
O Monumento da Praça Vinícius de Morais é de autoria do artista plástico baiano Juarez Paraíso e foi inaugurado em outubro de 2003. No local, há uma mesa e duas cadeiras. Sobre uma delas, está posicionada a escultura de Vinícius de Moraes, em tamanho natural, como se estivesse sentado. >
Outro caso chamou a atenção devido à recorrência dos atos criminosos: a estátua Gandhi Andante, em referência ao líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, situada na Praça da Inglaterra, no Comércio, teve os óculos furtados. A FGM já havia elaborado um orçamento para a restauração; no entanto, a estátua sofreu novos danos e foi preciso fazer um aditivo contratual.>
Algumas das peças restauradas em 2025 e no início deste ano foram o monumento à Sereia Yemanjá, no Rio Vermelho; os equipamentos do Caminho da Fé, na Cidade Baixa; o monumento a Dodô e Osmar, na Praça Castro Alves; o monumento ao Padre Manoel da Nóbrega, no Centro Histórico de Salvador; a Sereia de Itapuã e o monumento em homenagem a Vinícius de Moraes, ambos no bairro de Itapuã; o monumento a João Ubaldo Ribeiro, na Pituba; o monumento a Gregório de Mattos, na Praça Castro Alves; o monumento a Nelson Mandela, na Liberdade, o Medalhão Dupla Face Mãe Caetana (Mãe Preta), na Estrada do Curralinho; e o monumento à Mãe Stella de Oxóssi, em Stella Maris.>
Ainda estão em processo de restauração a estátua Gandhi Andante, no Comércio; o monumento aos heróis da Conjuração Baiana e a Fonte, ambos na Praça Piedade; os monumentos ao 2 de Julho, no Campo Grande; e o acervo do Benin, que compõe a Casa do Benin, no Centro Histórico. No ano passado, os valores empreendidos na manutenção e restauro de cada peça variaram entre R$ 3 mil e R$ 200 mil.>
Além das ações executadas diretamente pela FGM, também são realizados serviços de reparação e manutenção com apoio da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal) e da Secretaria Municipal de Manutenção (Seman). >
Com base nos relatórios produzidos pela equipe técnica da FGM e nas denúncias encaminhadas pela população, é elaborada uma lista de demandas e são definidas as prioridades de intervenção, de acordo com o orçamento disponível. Para a definição das prioridades, são avaliados o valor simbólico do bem, a urgência da intervenção e a disponibilidade técnica e orçamentária.>
Os monumentos históricos da capital baiana são restaurados, em sua maioria, pelo pesquisador e artista José Dirson Argolo, professor do curso de Artes Plásticas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e especializado em restauração de obras de arte. Há mais de 40 anos, o artista se dedica a esse ofício. Outras obras são restauradas pelos artistas que as fizeram, a exemplo do Caminho da Fé, cuja recuperação foi realizada pelo ateliê do próprio Juarez Paraíso, autor da obra.>
De acordo com o Código Penal, destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia é crime sujeito à pena de detenção, de um a seis meses, ou multa. Se o crime for cometido contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos, a pena pode chegar a até três anos, com multa.>
Com informações da Prefeitura de Salvador. >