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Carol Neves
Publicado em 27 de maio de 2026 às 10:56
Uma nova regra da União Europeia vai mudar a fabricação de carros vendidos no bloco a partir de 7 de julho de 2026. A medida exigirá que todos os veículos novos comercializados nos países europeus saiam de fábrica preparados para receber o sistema Alcolock, tecnologia capaz de impedir a partida do motor caso o motorista tenha consumido álcool acima do limite permitido.>
O equipamento funciona como um bafômetro conectado ao sistema de ignição do veículo. Quando instalado e ativado, o motorista precisa soprar o aparelho antes de ligar o carro. Se o nível de álcool ultrapassar o permitido, o motor permanece bloqueado.>
Apesar da mudança, o dispositivo não será automaticamente obrigatório para todos os condutores. O que passa a ser exigido pela regulamentação europeia é a instalação prévia da interface eletrônica necessária para conectar o sistema futuramente. Na prática, os carros já sairão das montadoras preparados para receber o Alcolock caso haja determinação judicial ou exigência das autoridades de trânsito.>
A proposta europeia prevê principalmente o uso da tecnologia para motoristas reincidentes em infrações relacionadas ao álcool ou incluídos em programas de reabilitação.>
Dez comportamentos do condutor que são considerados infrações de trânsito e nem todo mundo sabe
Entre os principais pontos da nova regra estão:>
obrigatoriedade da pré-instalação da interface do Alcolock em veículos novos;>
integração do sistema ao mecanismo de partida do motor;>
possibilidade de ativação por decisão judicial;>
aplicação voltada especialmente a motoristas reincidentes;>
uso do equipamento por períodos definidos pelas autoridades.>
A medida faz parte do pacote europeu de segurança viária criado para reduzir mortes no trânsito. Segundo a Comissão Europeia, cerca de 19,8 mil pessoas morreram em acidentes nas estradas do bloco em 2024. A redução foi de apenas 3% em relação ao ano anterior, ritmo considerado insuficiente para atingir a meta de cortar pela metade as mortes até 2030.>
Na Espanha, um dos países que vêm defendendo medidas mais rígidas contra álcool ao volante, os dados reforçam a preocupação das autoridades. Informações da Direção Geral de Trânsito (DGT) mostram que 53,6% dos motoristas mortos em acidentes no país em 2023 tiveram resultado positivo para álcool, drogas ou psicofármacos nos exames toxicológicos.>
A própria DGT classifica o álcool como um dos principais fatores de risco no trânsito e afirma, em materiais oficiais, que “a única taxa segura é 0,0”.>
Brasil>
O debate europeu sobre segurança no trânsito também encontra eco no Brasil. Desde 2008, a Lei Seca estabelece tolerância zero para motoristas flagrados após consumir bebida alcoólica. Pela legislação brasileira, qualquer quantidade detectada já configura infração, com margem técnica de 0,04 mg/L prevista apenas para compensar possíveis falhas do etilômetro.>
Mesmo com regras rígidas, o problema continua grave. Estudo divulgado pelo Jornal da USP estima que a combinação entre álcool e direção provoque mais de 10 mil mortes por ano no Brasil. Homens representam 89% das vítimas fatais, principalmente entre 18 e 34 anos.>
O modelo europeu também inspira propostas no Congresso Nacional. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1437/20, que prevê a obrigatoriedade do bafômetro conectado ao sistema de ignição em veículos nacionais. Caso seja aprovado, o tema será regulamentado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).>
Além da adoção do Alcolock, alguns países europeus discutem limites mais rígidos para o consumo de álcool ao volante. Na Espanha, por exemplo, houve debate para reduzir o limite permitido de álcool no sangue de 0,5 g/l para 0,2 g/l, mas a proposta acabou rejeitada pelo Congresso.>