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Fim dos pedreiros? Máquina inteligente faz serviço de 6 trabalhadores, usa cola ao invés e cimento e funciona até na chuva

Máquina ergue paredes com precisão milimétrica e surge como aposta para enfrentar falta de mão de obra no setor

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 26 de maio de 2026 às 08:39

Robô precisa de supervisão humana
Robô precisa de supervisão humana Crédito: Reprodução

A construção civil começou a incorporar uma nova solução tecnológica para enfrentar um dos principais desafios do setor: a escassez de profissionais qualificados. Batizado de WLTR, ou “Walter”, o robô foi desenvolvido para executar tarefas pesadas e repetitivas nos canteiros de obras, especialmente o assentamento de tijolos em paredes.

O equipamento funciona de maneira autônoma e precisa apenas da supervisão de um operador humano. Segundo os desenvolvedores, em uma hora de trabalho contínuo o sistema consegue realizar o equivalente ao serviço de cinco pedreiros e um ajudante.

O WLTR também opera sob diferentes condições climáticas, o que evita paralisações comuns em obras durante períodos de chuva, ventos fortes ou temperaturas extremas. A máquina dispensa andaimes e já armazena internamente os projetos arquitetônicos que serão executados.

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Como funciona

Para iniciar a operação, é necessário apenas que a primeira camada da estrutura esteja nivelada e que os paletes de tijolos sejam reabastecidos periodicamente. A partir daí, o robô realiza sozinho o alinhamento, a aplicação do adesivo e o posicionamento das peças.

Um dos pontos mais destacados da tecnologia é a precisão. O sistema trabalha com margem de erro de apenas dois milímetros, índice considerado difícil de alcançar de forma constante por equipes humanas no ritmo exigido pelo mercado.

Outro diferencial está na substituição da massa de cimento convencional por uma cola especial desenvolvida para o equipamento. A mudança reduz significativamente o impacto ambiental da construção, já que a produção e o uso do cimento respondem por cerca de 6% das emissões globais de dióxido de carbono.

Além da redução na pegada de carbono, o novo método pode diminuir o peso de algumas estruturas e facilitar o processo de montagem em determinados tipos de edificações residenciais e comerciais.

A chegada do WLTR ocorre em um momento estratégico para o Reino Unido. O governo britânico anunciou planos para construir mais de um milhão de moradias, enquanto o setor enfrenta dificuldade crescente para contratar pedreiros qualificados.

Nesse cenário, a automação passou a ser vista como uma alternativa para acelerar obras sem depender exclusivamente da ampliação da força de trabalho especializada.

Os criadores do robô afirmam ainda que o modelo de operação pode atrair profissionais mais jovens para o setor. Isso porque a interface de controle lembra a experiência de videogames e jogos de computador, tornando a função de operador mais atrativa para as novas gerações.

Com menos esforço físico e mais foco em monitoramento e controle, a tecnologia também promete transformar a dinâmica tradicional dos canteiros de obras.

Movimento de robotização

O WLTR faz parte de um movimento mais amplo de robotização da construção civil, setor que historicamente avançou mais lentamente na automação em comparação com áreas como a indústria automobilística e a eletrônica.

Especialistas apontam que a automação de tarefas repetitivas pode elevar a produtividade, reduzir acidentes de trabalho e abrir espaço para novas inovações dentro das obras. Ainda assim, a integração entre robôs autônomos e ambientes imprevisíveis segue como um dos principais desafios tecnológicos da área.