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Mariana Rios
Publicado em 28 de abril de 2026 às 14:09
A implosão do submersível Titan, em 2023, mudou a vida de Christine Dawood, que perdeu o marido, Shahzada, e o filho, Suleman, na tragédia. Em relato ao jornal The Guardian, ela descreve o impacto da perda e a forma como recebeu os restos mortais dos dois: “vieram em duas caixas de sapatos”, disse, resumindo a dimensão do luto que passou a enfrentar desde então. >
A viagem que terminou em desastre começou como a realização de um sonho compartilhado entre pai e filho, apaixonados pela história do Titanic. O jovem Suleman havia desenvolvido interesse pelo naufrágio desde cedo, o que motivou a dupla a embarcar na expedição rumo aos destroços do navio, a quase 4 mil metros de profundidade, no Atlântico Norte. Christine, que inicialmente também participaria, decidiu ceder seu lugar ao filho, permitindo que ele vivesse a experiência ao lado do pai.>
No dia da expedição, ela acompanhou a partida do submersível do navio de apoio. Horas depois, quando o Titan perdeu comunicação, a informação inicial foi tratada como algo não incomum, o que manteve a expectativa de que tudo terminaria bem. Enquanto isso, uma operação internacional de busca ganhava escala, cercada por incertezas e pelo temor de que o tempo de oxigênio fosse limitado.>
A confirmação da tragédia veio dias depois: o Titan havia implodido durante a descida, matando instantaneamente os cinco ocupantes. Apesar do choque, Christine afirmou que saber da morte imediata trouxe algum alívio em meio à dor, ao afastar a possibilidade de sofrimento prolongado. Ainda assim, o processo de luto se mostrou profundo e contínuo.>
Desde então, ela relata enfrentar crises de ansiedade e a difícil tarefa de reconstruir a rotina sem o marido e o filho. Em sua casa, preserva objetos e espaços que pertenciam aos dois e tenta encontrar sentido na perda ao compartilhar sua história publicamente. >
Na cozinha de Christine, existe um modelo do Titanic no centro do ambiente. Exposto em um armário com frente de vidro, o navio de Lego tem quase 1,5 metro de comprimento e foi montado com 9.090 peças do brinquedo. O filho dela, Suleman, de 19 anos, levou cerca de duas semanas para concluir a construção.>
“As pessoas sempre ficam um pouco chocadas ao vê-lo”, ela admite. “Mas o que eu deveria fazer? Desmontar? Esconder? O Suleman dedicou tantas horas a isso. Ele era fascinado pelo Titanic desde que fomos a uma grande exposição quando morávamos em Singapura.”>
Como era o Titanic
O que aconteceu? >
O submarino Titan fez seu último mergulho em 18 de junho de 2023, uma manhã de domingo, e perdeu contato com seu navio de apoio cerca de duas horas depois. Quando foi relatado como atrasado naquela tarde, os resgatadores enviaram navios, aviões e outros equipamentos para a área, cerca de 700 quilômetros ao sul de St. John's, no Canadá.>
Além do cofundador da OceanGate, Stockton Rush, a implosão matou dois membros de uma família paquistanesa, Shahzada Dawood e seu filho Suleman Dawood; o aventureiro britânico Hamish Harding; e o especialista em Titanic Paul-Henri Nargeolet.>
Harding e Nargeolet eram membros do The Explorers Club, uma sociedade profissional dedicada à pesquisa, exploração e conservação de recursos. "Isso nos afetou profundamente em um nível pessoal", disse o presidente do grupo, Richard Garriott, em uma entrevista um ano após a tragédia. >
Em outubro de 2023, a Guarda Costeira dos Estados Unidos recuperou os destroços restantes do submersível, incluindo supostos restos humanos. A recuperação ocorreu no fundo do oceano, a cerca de 488 metros de distância do Titanic e a uma profundidade de 3,8 mil metros.>