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Carol Neves
Publicado em 1 de junho de 2026 às 10:31
A Justiça do estado de Nova York condenou David Huff, de 44 anos, à prisão perpétua pela morte do próprio filho, Jeremiah Huff, de 11 anos, e da namorada, Yeraldith Tschudy, de 32. Ao anunciar a sentença na sexta-feira (29), o juiz Theodore H. Limpert fez duras críticas ao réu e afirmou que nem mesmo a pena aplicada seria suficiente diante da gravidade dos crimes. >
“Suas ações são repugnantes e você merece permanecer preso pelo resto da vida”, declarou o magistrado. Em seguida, acrescentou: “Nem mesmo uma sentença de prisão perpétua é longa o suficiente para você”.>
Segundo o Daily Mail, Huff se declarou culpado em abril por duas acusações de homicídio em segundo grau. Pela decisão judicial, ele terá de cumprir ao menos 40 anos de prisão antes de poder solicitar liberdade condicional. Na prática, só poderá fazer o pedido quando estiver na faixa dos 80 anos.>
Homem foi condenado por matar filho e namorada
A audiência foi marcada por manifestações emocionadas de familiares das vítimas. Samantha Gallup-Peltier, mãe de Jeremiah e ex-companheira do condenado, afirmou que a perda do filho transformou para sempre a vida de todos ao redor.>
“Uma mãe literalmente carrega partes de seu filho para sempre”, disse. “E, por causa disso, eu sei que Jeremiah está comigo a cada segundo de cada dia.”>
Em um dos momentos mais fortes do depoimento, Samantha destacou que crianças deveriam enxergar os pais como fonte de proteção. “Crianças deveriam confiar que seus pais as protegerão do perigo, não que se tornarão a fonte dele”, declarou.>
Ela ainda recordou a ligação que recebeu do filho pouco depois de ele ser baleado. “Ouvir o medo na voz dele quando me ligou imediatamente depois de ser atingido, e eu prometendo que estava a caminho. Essa ligação se repete na minha cabeça todos os dias.”>
Durante a audiência, Samantha dirigiu uma mensagem direta ao ex-companheiro: “Você está destinado ao sétimo círculo do inferno”.>
Assassinatos>
Os crimes ocorreram na noite de 17 de março de 2025, em Syracuse. De acordo com a investigação, Huff utilizou uma espingarda calibre 12 para matar Jeremiah e Yeraldith dentro da casa de seu padrasto. Os disparos foram feitos à curta distância.>
Os promotores afirmam que ele também tentou atirar contra o padrasto, mas a arma apresentou falha e não disparou.>
Após o ataque, Samantha recebeu uma ligação considerada perturbadora e acionou a polícia. Quando os agentes chegaram ao imóvel, o suspeito já havia fugido. As autoridades iniciaram uma busca que durou toda a madrugada.>
Posteriormente, a promotoria revelou que Huff chegou a se esconder por um curto período dentro de um hospital da região antes de deixar o local. Ele foi capturado por volta das 9h30 da manhã seguinte, nas proximidades da cena do crime.>
Antes da confissão, a defesa estudou a possibilidade de alegar problemas psiquiátricos. Especialistas foram chamados para avaliar se Huff poderia ser responsabilizado criminalmente.>
O advogado Shaun Chase sustentou que o cliente havia consumido “molly”, nome popular do ecstasy, uma droga sintética com efeitos estimulantes e alucinógenos. Segundo ele, Huff acreditava ouvir vozes e teria sofrido um surto psicótico.>
Apesar disso, a própria defesa reconheceu que qualquer alteração mental estaria relacionada ao uso voluntário de álcool ou drogas, condição que não é aceita como justificativa legal para afastar a responsabilidade criminal. Os exames concluíram que ele tinha condições de responder ao processo.>
Réu riu durante audiência>
Outro aspecto que chamou atenção ao longo do caso foi a postura do acusado diante das acusações. Em uma audiência realizada em abril, enquanto o juiz descrevia os assassinatos, Huff foi visto sorrindo e rindo.>
A reação levou o magistrado a interromper os trabalhos. “Você acha isso engraçado?”, perguntou Limpert. Ainda sorrindo, Huff respondeu: “Não, não, é uma piada presa na minha cabeça... Pode continuar”.>
Mais tarde, ao ser questionado sobre a morte de Yeraldith, respondeu de forma indiferente: “Claro. Foi isso que aconteceu”.>
Em outro momento, contestou a descrição dos promotores sobre os ferimentos sofridos pelo filho. “Jeremiah não levou um tiro na cabeça de forma alguma”, afirmou.>
O juiz chegou a lembrar que ele poderia optar por um julgamento caso discordasse dos fatos apresentados pela acusação. “Não, nós não vamos voltar aqui”, respondeu Huff. “Sou culpado de tudo isso. Do que vocês disserem que sou culpado.”>
Na audiência de sentença, familiares compareceram usando camisetas com fotografias de Jeremiah. A mãe e o irmão mais velho do garoto também utilizaram broches de trevo em homenagem ao menino, morto justamente no Dia de São Patrício.>
Ao final da audiência, o réu pediu desculpas pelas risadas demonstradas em sessões anteriores. A manifestação não convenceu alguns familiares presentes. “Nos vemos no inferno, David”, gritou uma pessoa da plateia.>
Huff respondeu apenas que amava todos os que estavam no tribunal e reconheceu que não havia nada de engraçado no que havia feito.>