Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 1 de junho de 2026 às 09:59
A América Latina tem três representantes entre os países considerados mais problemáticos do mundo para os trabalhadores. É o que mostra a edição 2026 do Índice Global dos Direitos, divulgado nesta segunda-feira pela Confederação Sindical Internacional (CSI), que incluiu Argentina, Panamá e Equador na categoria mais crítica da classificação. >
O grupo reúne dez países avaliados como os piores para o exercício dos direitos trabalhistas e sindicais. Além das três nações latino-americanas, aparecem na lista Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia. As infomrações foram divulgadas por O Globo.>
Segundo a CSI, a Argentina registrou uma nova piora em sua avaliação e alcançou, pela primeira vez, a categoria 5, reservada aos países em que os direitos dos trabalhadores não são garantidos. "A Argentina entra este ano na lista dos 10 piores países para os trabalhadores após cair para a categoria 5, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração de sua classificação", afirma o relatório.>
Fábricas de calçados afetadas pela crise na Argentina
A entidade atribui essa deterioração ao ambiente enfrentado por sindicatos e trabalhadores no país. "As condições para os trabalhadores e os sindicatos tornaram-se cada vez mais repressivas e hostis sob o governo de extrema direita do presidente Javier Milei", sustenta o estudo.>
O documento destaca ainda medidas adotadas pelo governo argentino para lidar com bloqueios de estradas. De acordo com a CSI, o protocolo criado para preservar a ordem pública nessas situações permite o uso indiscriminado da força policial.>
O relatório classifica a queda da Argentina como inédita. "A classificação da Argentina piorou pelo segundo ano consecutivo, situando-se na categoria 5, o pior nível já alcançado por esse país sul-americano no Índice. Isso representa uma queda brusca e sem precedentes da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos", registra o texto.>
Na avaliação da organização, o país passou de um cenário de violações recorrentes de direitos para uma situação em que esses direitos deixaram de ser efetivamente assegurados.>
Em relação ao Panamá, a CSI afirma que trabalhadores e sindicatos enfrentam dificuldades para exercer garantias básicas e convivem com pressão constante tanto do Estado quanto dos empregadores.>
Já o Equador foi citado em razão de uma legislação aprovada em 2025 que, segundo o relatório, autoriza mecanismos de vigilância sem autorização judicial, além da interceptação de comunicações e da coleta de informações privadas.>
A entidade ressalta que os países enquadrados na categoria 5 representam "os piores países do mundo para trabalhar". Nesses locais, afirma a CSI, a existência de direitos previstos em lei não significa necessariamente que eles possam ser exercidos na prática.>
Situação no Brasil e outros países>
O estudo também aponta diferentes níveis de proteção aos trabalhadores na região. Brasil, Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago aparecem na categoria 4, destinada a países com violações sistemáticas dos direitos trabalhistas.>
Bahamas, Bolívia, Chile, Jamaica, México e Paraguai foram classificados na categoria 3, enquanto Espanha, Portugal e República Dominicana figuram na categoria 2.>
O destaque positivo da América Latina é o Uruguai. O país foi o único da região incluído na categoria 1, a melhor do índice, ao lado de Alemanha, Áustria, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia.>
Para a CSI, o caso uruguaio contrasta com a realidade predominante no continente. O relatório afirma que o país é "uma exceção em uma região amplamente caracterizada pela repressão sindical e pela exploração".>
A organização também alerta para o cenário de violência enfrentado por trabalhadores e representantes sindicais na América Latina. Segundo o documento, a região continua sendo a mais letal do mundo para esse grupo, com registros de execuções extrajudiciais na Colômbia e no México.>
"Em cerca de 9 em cada 10 países foi violado o direito de greve e impedido o registro de sindicatos. Em aproximadamente metade dos 25 países da região, trabalhadores foram detidos ou encarcerados", assinala a CSI.>
Produzido anualmente desde 2014, o Índice Global dos Direitos avalia 151 países com base em 97 indicadores construídos a partir das convenções e da jurisprudência da Organização Internacional do Trabalho.>