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Carol Neves
Publicado em 10 de abril de 2026 às 09:07
Um homem de 62 anos começou a ser julgado nesta sexta-feira na Suécia acusado de explorar sexualmente a própria esposa ao longo de vários anos, obrigando-a, segundo a acusação, a manter relações pagas com aproximadamente 120 homens. Ele responde por crimes como exploração sexual agravada, estupro e agressões, mas nega todas as acusações. >
O caso tem gerado grande repercussão no país e passou a ser comparado por parte da opinião pública ao episódio envolvendo Dominique Pelicot, condenado em 2024 na França após drogar a esposa, Gisèle Pelicot, e permitir que dezenas de homens a violentassem durante anos.>
De acordo com a promotoria, o réu - apontado como ex-integrante da gangue de motociclistas Hell's Angels - teria atuado diretamente na organização dos encontros com clientes, incluindo a publicação de anúncios na internet e o acompanhamento das atividades da companheira. O promotor classificou a conduta como uma “exploração implacável”.>
A investigação aponta que ele lucrava com os encontros e monitorava a rotina da mulher, que estava em situação de vulnerabilidade. Segundo o processo, também houve episódios em que ela teria sido obrigada a praticar atos sexuais sozinha diante de câmeras para divulgação online.>
Entre as acusações apresentadas estão oito casos de estupro, quatro tentativas de estupro, quatro agressões e exploração sexual agravada. Um dos episódios citados envolve a participação de um cliente.>
O julgamento ocorre no tribunal distrital de Angermanland e trata de fatos que teriam ocorrido entre agosto de 2022 e outubro de 2025. O homem foi preso em outubro do ano passado após a própria esposa procurar a polícia no norte do país.>
Vítima impôs limites, diz promotora>
Segundo a promotora Ida Annerstedt, ouvida pela Agence France-Presse (AFP), a mulher chegou a aceitar parcialmente a prostituição, mas havia estabelecido restrições claras.>
"Ela havia estabelecido certos limites. Quando ele não os respeitou, quando a agrediu fisicamente depois que ela disse 'não', essas são situações que configuram acusações de tentativa de estupro ou estupro", explicou.>
Ainda conforme a promotora, quase 120 homens são suspeitos de terem comprado serviços sexuais da vítima. A imprensa sueca informou que 26 deles já foram formalmente acusados, embora o julgamento iniciado nesta sexta trate exclusivamente da atuação do marido.>
A defesa sustenta que não houve coerção. A advogada Martina Michaelsdotter afirmou à AFP que o cliente dela reconhece participação parcial na atividade exercida pela esposa, mas nega ter exercido controle ou violência.>
"Ele admite ter participado, em certa medida, da atividade da denunciante", declarou. Segundo ela, o acusado afirma que "não a facilitou" e que não houve pressão nem agressões. "Ele prestou auxílio em questões técnicas e administrativas", disse.>
Na Suécia, a legislação pune a compra de serviços sexuais e também criminaliza quem intermedeia esse tipo de atividade, embora a venda em si não seja considerada crime. >