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Da Redação
Publicado em 3 de dezembro de 2014 às 13:03
- Atualizado há 3 anos
Uma criança australiana de 11 anos luta na justiça para conseguir autorização para realizar uma cirurgia de mudança de sexo. Insatisfeita com o corpo com o qual nasceu, Isabelle Langley decidiu conversar com a família para poder ser reconhecida como menina. "Eu falei pra minha mãe que não queria ser um garoto, porque me sentia como menina. Estou cansada de viver neste corpo", explicou. A decisão de Isabelle aconteceu há pouco mais de um ano, quando ela havia completado apenas 10 anos. A mãe da criança, Naomi McNamara, disse que a filha agiu com muita naturalidade diante da questão. "Ela me disse: ‘não gosto do meu corpo; não é certo eu estar nesse corpo’. Falei que era normal se sentir estranho, porque o corpo está crescendo, mas Isabelle foi enfática: ‘não, eu sinto que sou uma menina e estou no corpo errado", explicou.>
Isabelle, que recebeu o nome de Campbell ao nascer, desde cedo demonstrava não ter afinidade com o universo masculino. Quando criança, ela sempre brincou de bonecas e se sentia feliz usando vestidos cor de rosa e fantasias de fadas com asas. "Nunca gostei das coisas de garoto. Minha vida inteira preferi brinquedos de meninas. Tentei lutar contra isso por um tempo; tentei parar, mas não consegui", conta.Andrew Langley, pai de Isabelle, lembra que estranhou o comportamento da filha quando mais jovem. "Adoro esportes, mas nunca consegui colocar Campbell nos esportes. Ele também nunca gostou de carrinhos. Chegava em casa e ia direto para caudas de sereias e vestidos de Cinderela", lembra. Pais apoiam a jovem (Foto: Arquivo pessoal)Decisão assustou parentesA decisão de Isabelle nem sempre foi encarada com naturalidade na casa da garota. "É uma montanha russa emocional. Meus primeiros pensamentos foram para Campbell, como ele ia lidar com isso e as barreiras sociais que iria enfrentar", disse o pai dela.A mãe concorda. “Achamos que ele era gay e já me imaginei segurando a bandeira do arco-íris. Seria ótimo! Mas quando realmente entendi do que se tratava, pensei: 'por que ele não poderia simplesmente ser gay?' Seria mais fácil, pensamos na época. Obviamente, são duas coisas completamente diferentes".Reconhecida claramente como uma criança transgênero, Isabelle precisou acionar a Justiça para conseguir mudar de sexo através de cirurgia. Pela lei australiana, crianças e adolescentes transgênero precisam de sentença judicial para passar pelo tratamento, que envolve a aplicação de hormônios para bloquear a mudança no tom da voz e o crescimento de pelos. Além disso, é necessário acompanhamento psicológico.Como ainda é muito jovem, Isabelle está passando por um tratamento médico, acompanhado por sua pediatra, que é leve e reversível. "Eu não sabia que havia tratamento pra minha condição. Procurei na internet e achei muitos sites explicando o que a gente pode fazer quando se sente como menina. Dizia que tem uma cirurgia especial, que quero fazer quando completar 18 anos. Quando for maior, posso fazer a operação de mudança de sexo, que vira o pênis de fora para dentro, transformando-o em uma vagina. Assim, eu vou poder usar mais roupas de meninas", explica a criança.A segunda etapa do tratamento, que é a mudança de sexo em si, só poderá ser feita quando a jovem tiver 16 anos. Ela precisará ir aos tribunais para provar que é capaz de tomar a decisão e que tem maturidade para isso, já que não tem como reverter.Isabelle está tão certa da sua decisão que já estudou muito sobre o assunto. Ela leu, inclusive, uma pesquisa que aponta que no país em que vive, 30% dos jovens transgênero e não podem passar por tratamento optam por suicídio, enquanto 50% tentam se mutilar. Os pais ficaram apavorados com os dados. "Quando vi as estatísticas, pensei: 'tenho uma criança feliz. Isso não vai acontecer, porque vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para que ela tenha felicidade e uma vida longa'", disse o pai dela.A criança, que já sofreu muito bullying na escola, passou a ser respeitada após se assumir como menina e receber apoio da família, que procurou a instituição para mediar a relação dela com os colegas.>