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Mistério milenar: pesquisa revela como pode ter surgido o lendário rio do Jardim do Éden

Resultados foram divulgados na revista Nature Geoscience

  • Foto do(a) author(a) Elaine Sanoli
  • Elaine Sanoli

Publicado em 4 de junho de 2026 às 18:56

Rio Eufrates
Rio Eufrates Crédito: Reprodução

Uma pesquisa publicada na revista Nature Geoscience na última segunda-feira (1º) pode ter chegado à origem do Rio Eufrates, um dos mais importantes para a história das civilizações humanas, por ser o coração da antiga Mesopotâmia.

A pesquisa de cientistas da Universidade de Oxford e da Chevron indica que o Rio Eufrates, conhecido também como um dos quatro "Rios do Jardim do Éden", é fruto do encontro de outros dois rios antigos que existiram entre 3,6 e 1,6 milhões de anos atrás. 

Rio Eufrates por Reprodução

Com cerca de 2,8 mil quilômetros de extensão, ele passa por países modernos como Turquia, Síria e Iraque. Segundo informações do Extra, o rio é apontado como o berço da civilização e da Crescente Fértil.

As investigações começaram em 2014, quando Andrew Madof, geólogo da Chevron, começou a analisar dados da costa do Líbano em busca de gás natural. Por meio de imagens sísmicas, ele conseguiu elaborar uma representação tridimensional de materiais subterrâneos.

A partir daí, o pesquisador percebeu que as imagens indicavam, além dos depósitos de sal, fruto do período conhecido como Crise de Salinidade Messiniana, indícios de depósitos fluviais. “Basicamente, foi o começo de uma viagem de 12 anos para mim”, afirmou o cientista à National Geographic.

Com essa descoberta, os cientistas envolvidos na pesquisa identificaram, por meio de mapas geológicos, a existência dos rios Paleo-Karasu e Paleo-Murat, que desaguavam na bacia do Mediterrâneo e receberam essa nomenclatura com base nos nomes atuais. Segundo o geólogo, os rios possuíam dimensões muito maiores do que as atuais.

O que ocorreu, segundo a pesquisa, é que um evento relacionado às placas tectônicas, como um terremoto ou a formação de uma cordilheira, desviou o curso das águas, afastando-as do Mediterrâneo e unificando-as em um único caminho, que hoje deságua no Golfo Pérsico.

Ainda há dúvidas, pois, apesar de o trabalho trazer resultados consistentes, ele é baseado em análises sísmicas remotas e modelos digitais, carecendo de comprovação por meio da coleta e análise de amostras de campo. Apesar disso, representa um grande avanço para desvendar parte da história da humanidade até então desconhecida.