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Rede de supermercados fecha lojas após pedir recuperação judicial e demite mais de 100 funcionários

Empresa tenta manter parte das operações enquanto negocia dívidas com credores até 2027

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 14 de abril de 2026 às 09:06

Rede Caromar
Rede Caromar Crédito: Reprodução

Uma rede de supermercados argentina anunciou o encerramento de parte de suas unidades após entrar com pedido de recuperação judicial e admitir dificuldades para sustentar suas atividades. A Caromar já fechou lojas e desligou mais de 100 funcionários em meio a um cenário de forte crise financeira.

A decisão diminui a presença da empresa no mercado e afeta diretamente trabalhadores e fornecedores. Mesmo assim, a rede tenta seguir operando com uma estrutura reduzida enquanto busca reorganizar suas dívidas na Justiça.

A Caromar é uma rede argentina tradicional no setor de limpeza e perfumaria, com atuação no varejo regional por Reprodução

Crise

Tradicional no segmento de limpeza e perfumaria na Argentina, a Caromar enfrentou uma sequência de problemas que resultaram na atual situação. Entre os principais fatores apontados estão a queda de cerca de 42% no faturamento, retração do consumo, perda de capital de giro, conflitos com fornecedores e processos trabalhistas.

Segundo a empresa, esse conjunto de dificuldades tornou inviável manter o nível anterior de operações. Antes mesmo de recorrer à Justiça, a rede já vinha promovendo cortes internos. No período de maior expansão, a companhia chegou a ter cerca de 500 funcionários; atualmente, pouco mais de 200 permanecem ativos.

Apesar da redução, a empresa ainda mantém atividades em cidades como Laferrere, Moreno, José C. Paz, Rosário e Neuquén.

A queda nas vendas, conforme a Caromar, também foi intensificada pela concorrência com preços abaixo do custo - prática conhecida como dumping. Um dos reflexos desse cenário foi o fechamento de uma fábrica de detergente, após a diminuição da demanda e a dificuldade de competir com grandes marcas, como a Unilever.

Afonso Cláudio (ES) por REprodução

A rede também fornecia produtos para varejistas como Carrefour e Día, mas registrou forte retração no volume comercializado.

Outro fator que agravou a crise foi o aumento das dificuldades financeiras. A empresa acumulou mais de US$ 1 bilhão em cheques devolvidos - valor equivalente a cerca de R$ 5 bilhões - o que levou fornecedores a exigir pagamentos antecipados. A situação provocou um efeito em cadeia, com redução da oferta de produtos, queda nas vendas e agravamento do desequilíbrio financeiro. Segundo a própria companhia, chegou um momento em que não foi mais possível manter o pagamento de salários e outras obrigações básicas.

Tentativa de evitar falência

Com o processo de recuperação judicial em andamento, a expectativa é reorganizar as dívidas e evitar a falência. Entre as próximas etapas estão a verificação de créditos até o fim de maio e a continuidade das negociações com credores, previstas até 2027.

A empresa pretende manter parte das operações em funcionamento, ainda que com menos lojas e funcionários. O cenário enfrentado pela Caromar também reflete dificuldades observadas em outros segmentos do varejo, que vêm sendo pressionados pela queda no consumo e pelo aumento da concorrência por preços.