10 passos para se organizar financeiramente e pagar as dívidas em 2021

salvador
02.01.2021, 06:00:00
Atualizado: 05.02.2021, 20:10:54
É possível se organizar e até economizar em 2021 (Foto: Pexels)

10 passos para se organizar financeiramente e pagar as dívidas em 2021

Fazer um orçamento é só o começo: conversamos com um especialista para te ajudar

O ano de 2020 foi mais do que atípico para todo mundo. Um evento único, pelo menos nos últimos 100 anos, pegou de jeito a humanidade, jogou a economia global no ralo e afetou o bolso de todos – o seu também, muito provavelmente.

A última semana do ano é aquele momento de baixar a guarda e fazer uma análise de tudo o que vivemos, traçando também metas para 2021. Sem dúvida, uma das metas mais comuns para o ano que vem será justamente essa: se reestabelecer financeiramente após o baque de 2020.

O CORREIO vai te ajudar em mais esse momento difícil de 2020. Conversamos com quem entende de planejamento financeiro e criamos essa lista com 10 dicas para conseguir pagas as dívidas em 2021 e se organizar financeiramente para o ano novo.

1) Avalie (com calma) como foi o seu ano

A primeira coisa a se fazer em qualquer planejamento financeiro é avaliar como foi o ano que termina: o que você fez de certo, o que fez de errado e o que pode corrigir. Ainda que 2020 tenha sido um ano difícil – o que também torna esse balanço mais árduo - ele existiu, deixou estragos e é preciso seguir em frente. “Só a partir desse balanço é que você pode fazer um orçamento para 2021. É preciso saber o quanto você gasta fixo, o quanto você recebe”, diz Raphael Carneiro, planejador financeiro e sócio da consultora Petra Capital.

“Uma coisa chata de fazer balanço é que a gente vê o quanto que gasta. Isso assusta a pessoa, desanima e aí ela para de preencher. Dói mesmo, mas fazer esse balanço é fundamental para se ter um controle e saber se dá mesmo para economizar alguma coisa”, completa Raphael Carneiro.

Para aqueles que ganharam o auxílio emergencial do Governo Federal, atenção: é preciso considerá-lo como uma renda extra: “Saiu há pouco um estudo do IBGE mostrando que em famílias mais pobres a renda chegou a ser 30% mais alta por conta do auxílio. Então, é preciso ponderar que ele não estará à disposição em 2021”, lembra o planejador financeiro.

Para quem tem um negócio ou é autônomo, o balanço de 2020 pode ser especialmente duro. Por isso, o especialista orienta: “Não pode fazer a comparação com 2019, porque a queda vai ser absurda. Tem que comparar dentro de 2020, mês a mês, ponderando sempre quais foram os meses que teve funcionamento do comércio e em quais tudo estava fechado”.

Fazer esse balanço na tradicional planilha pode ser chato. Por isso, Carneiro orienta usar aplicativos de planejamento financeiro disponíveis para todos os sistemas, como Guiabolso, Spendee e Mobills: “Tem uns que sincronizam com a sua conta bancária, então elimina o trabalho de ter que preencher cada gasto manualmente”, explica.

2) Faça um orçamento pessoal (bem conservador)

Quando você entender bem como foi seu 2020, aí sim poderá planejar 2021 com os pés no chão. Como o cenário ainda está repleto de incertezas, melhor fazer um orçamento conservador, em cima do que deu certo e o que deu errado nesse ano tão caótico.

“Quem teve dificuldades em 2020 precisa ser conservador. Ver o mínimo que pode receber e o mínimo de custos fixos para tentar projetar um gasto em cima disso. Ver se vai precisar de empréstimo, de uma renda extra”, orienta Raphel Carneiro.

O melhor é fazer esse planejamento em cima do que foi 2020. “Não dá para esperar nada como um novo auxílio emergencial. Então, melhor fazer o orçamento com as receitas bem controladas. Se vier um auxílio ou se vier uma melhora da economia, ficará como lucro”, orienta o especialista.

Outra coisa: não se angustie tentando bater metas de economia que tanto dizem por aí pela internet.

“A maioria das pessoas vive no limite? Não dá para falar de maneira geral 'você tem que economizar 10% da sua renda', isso varia caso a caso. Muitas vezes, falta dinheiro até para comprar algo básico, então como que ela vai conseguir guardar?”, pondera o planejador financeiro.

3) Seja consciente e elimine gastos

Virada de ano também é momento de rever hábitos. E se você fizer um bom balanço, verá que alguns hábitos podem estar custando caro para o seu orçamento. Assim, poderá também avaliar se são gastos necessários ou supérfluos para 2021.

“Costumo dividir os gastos em essenciais - aqueles que precisamos para viver -, básicos - poderíamos viver sem, mas que nos fazem bem - e supérfluos. Se cortando gastos supérfluos você ainda não conseguir encaixar no orçamento, então precisa diminuir alguns gastos básicos”, diz Carneiro.

4) Tome as rédeas do seu cartão de crédito

Se for bem utilizado, o cartão de crédito ajuda, e muito, no planejamento financeiro. Mas, sua facilidade, muitas vezes, faz as pessoas perderem a noção do quanto gastam. “O problema é que você não sente a 'dor' do pagamento”, conta Raphael Carneiro.

“Para quem gasta muito, o ideal é sacar um valor em espécie. Porque você tirar R$ 10 da carteira para pagar um café é bem diferente: você sente o dinheiro indo embora do bolso. Quem usa o cartão, muitas vezes nem vê quanto deu a conta, só digita a senha e vai embora”, cita o especialista.

Além disso, existe a velha sedução das parcelas. “Se algo é caro demais, parcelamos em 10, 12 vezes. A parcela fica pequena e achamos que 'cabe no bolso'. Uma parcela realmente cabe, mas dificilmente você fica só nela. Você vai acumulando pequenas parcelas e vira uma bola de neve”, comenta Carneiro.

5) Não tenha vergonha de renegociar dívidas

O momento de aperto para todo mundo pode ser uma boa oportunidade para renegociar dívidas. Chamar o gerente do banco e tentar diminuir os juros de um financiamento imobiliário, por exemplo. É possível, também, buscar a portabilidade para outra instituição com uma taxa menor.

“O mais importante de tudo é quitar dívidas. Se ganhou 13º salário e não vai gastar nas festas de final de ano, então coloca tudo para pagar as dívidas. Se tiver alguma renda extra pela frente, tenta antecipar pagamentos e diminuir os juros”, orienta o planejador financeiro.

Algo que não faz o menor sentido é pegar a renda extra e colocar em algum fundo de investimentos a fim de pagar dívidas. “Via de regra, os juros que você tem na dívida vão ser sempre maiores do que a rentabilidade que você vai conseguir investindo. Então, você pode até ganhar 10% investindo, mas a dívida aumenta 15% do outro lado. Não existe isso de investir para pagar dívida”, diz Carneiro.

6) Antecipe tudo o que você puder

Todo começo de ano é a mesma coisa: tem que pagar IPVA, IPTU, seguros em geral, material escolar, matrícula das crianças… Não tem para onde correr, você já sabe que vai ter que pagar isso e já pode colocar desde já no seu orçamento para 2021.

Então, se estiver com o 13º no banco, por que não antecipar esses gastos? Em muitos casos, como IPVA, IPTU e seguros de veículos, é possível pagar à vista e conseguir um bom desconto. Se não puder antecipar tudo, escolha aquele que der o maior desconto e parcele os demais.

No caso de material escolar, é de lei juntar um grupo de pais e barganhar desconto em uma loja. Mas, em tempos de pandemia e ensino à distância, essa regra também vale para mensalidade e para matrícula.

“Pode juntar também e negociar desconto nas mensalidades para 2021, já que o ano vai começar com ensino remoto. Nesse momento de aperto geral, vai ser bom tanto para a escola, que vai manter alguma receita, como para os pais”, incentiva Carneiro.

7) A inflação vem aí, então se prepare para ela

Em 2021, o brasileiro deve se reencontrar com uma velha inimiga: a inflação elevada, efeito dos meses de pandemia. Alguns serviços como conta de luz e planos de saúde já anunciaram reajustes elevados para a próxima temporada. É bom colocar isso no orçamento para não ter surpresas.

Um bom exemplo é o reajuste nos preços de alugueis de imóveis. Se você tem contrato vencendo em 2021, fique muito atento:

“O IGP-M (índice usado na maioria dos contratos de aluguel) deve fechar o ano em 24%. Então, quem tiver de renovar o seu contrato em 2021 vai sofrer um baque enorme, de quase um quarto do valor. O jeito é tentar renegociar diretamente com o proprietário ou com a imobiliária, pedir para diminuir essa porcentagem ou buscar outro índice como o IPC-A”, orienta o planejador financeiro.

8) Tire o seu dinheiro da poupança...

Foi-se o tempo em que deixar as suas economias na poupança era ficar tranquilo. Procurar um fundo de investimentos hoje não é mais questão de ganhar dinheiro, mas sim de não perdê-lo para a inflação.

Entenda: a poupança rende 70% da Taxa Selic, que neste momento está em 2% ao ano. Ou seja, o valor é corrigido no ano em 1,4%, sendo que a inflação fechou 2020 em mais de 4%.

“Já vivemos épocas no Brasil de Selic a 14%, então você não precisava fazer esforço nenhum para que seu dinheiro rendesse 1% ao mês. A orientação geral agora é sair da poupança. No máximo, usá-la como reserva de emergência”, explica Raphael Carneiro.

Para realmente valorizar o seu patrimônio, só migrando para a chamada 'renda variável', cujo retorno depende dos resultados do mercado. Para os cautelosos, o mais seguro é investir em 'renda fixa', cujo retorno é garantido, mas a valorização é bem menor.

9) … Mas tenha muito cuidado com isso

Tirar o seu dinheiro da poupança não significa colocar em qualquer fundo. Você precisa saber aonde quer chegar e quais metas deseja alcançar com aquelas economias. São projetos a longo prazo? Você aceita correr riscos? Pode precisar daquele dinheiro a qualquer momento? Em suma, o investimento precisa ser planejado e personalizado.

“Tem que ir para a renda variável, mas tem que ir sabendo o que está fazendo. Passar em uma corretora e pesquisar. Tem várias casas de análises que podem ajudar, assessores personalizados, o mercado brasileiro hoje oferece uma boa estrutura”, diz Raphael Carneiro.

O recomendável é procurar uma empresa especializada: “Porque você deixa na mão de quem estuda e vive disso. Pessoas com experiência e que trabalham atentas ao mercado o dia inteiro. Assim, você pode focar no seu trabalho, que é onde você vai ganhar dinheiro para continuar montando o patrimônio”, explica o especialista.

10) Trace objetivos para o seu dinheiro

Para que você quer economizar dinheiro em 2021? É importante traçar uma meta financeira para o novo ano. Algo que caiba no seu orçamento e que te traga alguma satisfação: reformar a casa, comprar uma TV nova ou um notebook, viajar, trocar de carro.

“Quando você traça um objetivo, você tende a se controlar mais, porque sabe para onde irá aquele dinheiro que decidiu economizar. Você deixará de poupar por poupar. Vai se esforçar para gastar menos para poder, em oito meses, realizar aquilo que projetou”, avalia.

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