'A verdadeira patroa sou eu', diz baiana que derrotou Maiara e Maraísa na Justiça

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18.06.2022, 07:40:00
(Foto: Divulgação )

'A verdadeira patroa sou eu', diz baiana que derrotou Maiara e Maraísa na Justiça

Cantora Daisy Nunes comemora decisão judicial que a reconheceu como dona da marca 'As Patroas'

Um dos projetos mais bem sucedidos nos últimos anos na música brasileira, “As Patroas”, que reuniu inicialmente a saudosa Marília Mendonça e as irmãs Maiara e Maraísa, foi parar na Justiça. Afinal, essa marca já existia há muito tempo e pertence a uma baiana, Daisy Soares, eleita cantora revelação do São João da Bahia em 2019. Ela tentou de todas as maneiras, como ela faz questão de explicar nesta entrevista concedida ao Baú do Marrom, resolver a pendência de forma amigável. Não foi possível.

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“Eu não tenho uma briga com elas. Eu tenho uma disputa da minha marca com um empresário que tentou registrar e que tentou utilizar a marca de forma indevida. Então não se trata de algo contra as meninas. Pelo contrário, gosto muito e admiro todas elas”, comentou Daisy.

No dia 10 de junho, publiquei com exclusividade, no Blog do Marrom, a história de que Maiara e Maraísa não poderiam mais utilizar a marca ‘As Patroas’, e sua grafia no singular, em suas divulgações, serviços ou produtos comercializados em meios físico e virtual, após decisão liminar, deferida pelo Juízo da 2ª Vara Empresarial de Salvador em favor de Daisy Soares, e o assunto virou tema nacional.

Foto: Divulgação 

Depois que a notícia veio à tona e foi destaque em todos os postais, sites e até programas de TV como o A Tarde é Sua, de Sonia Abrão, a vida de Daisy, que criou a banda de forró A Patroa em 2013, ao lado da guitarrista Paulinha, ficou uma loucura. Os fãs mais radicais das sertanejas começaram a postar notas desaforadas contra a artista, algumas beirando o preconceito pelo fato de ela ser baiana e nordestina. Nesta sexta-feira (17), inclusive, a conta do Instagram da banda foi derrubada. A ação chegou a ser comemorada por páginas atribuídas a fãs de Maiara e Maraísa. 

Mas Daisy disse que mesmo sendo “massacrada”, continua firme com seu propósito de fazer seu trabalho tornar-se conhecido em todo o Brasil, sem querer passar por cima de ninguém. Proprietária de ‘A Patroa’ junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) desde 2017, Daisy garante: “A verdadeira patroa sou eu.” Confira o bate-papo.

Baú do Marrom: Como você recebeu a notícia do embargo feito pela justiça?

Daisy Soares: Esse embargo foi pedido pelo nosso advogado que encaminhou a solicitação para empresa Work Show (que administra a carreira de Maiara e Maraísa).  Assim que eu soube da solicitação de pedido de registro da marca, eu entrei em contato com o Wander Oliveira que é proprietário da Work Show e informei pra ele que já existia a banda “A Patroa”, que ele estava tentando registrar com o mesmo código, que é o código 41. Então, informei que não ia ser permitida. Porque a Lei não permite que se registre nome no plural com a mesma denominação, com a mesma intenção.

E ele falou pra mim que se tratava de uma festa. Pois é, mas mesmo assim tá com o mesmo código e pode ocorrer uma confusão. Ele falou que iria mudar, modificar. Mostrei meu trabalho, mostrei que a gente já estava atuando desde o ano de 2013, expliquei tudo.  Ele ouviu, informou que iria solicitar a mudança e nada foi feito.O processo foi indeferido. Ai o advogado particular da Marília Mendonça entrou em contato comigo querendo conversar, porque eles estavam pra fazer a turnê, Patroas, já estava agendada para esse ano. Por isso eles me procuraram pra tentar negociar.

Baú do Marrom: Você procurou as artistas na época e elas não responderam?

Daisy Soares: Nós conversamos e ele queria que eu fosse muito lá pra Goiânia pra conhecer a Marília, conhecer a Maiara e Maraísa e tinha uma pressa muito de grande de querer que eu negociasse, que eu passasse a marca pra eles, prometendo fazer um apadrinhamento, prometendo fazer uma parceria, mas nada de concreto, nada escrito, nada formal, tudo muito conversado superficialmente. Eles ficaram muito querendo que eu dissesse o que eu queria, e eles não me davam uma proposta concreta. O advogado da Marília marcou uma reunião comigo, com a Maiara e Maraísa e Marília Mendonça e disse que eu não precisava levar meu advogado.

Baú do Marrom: E como foi essa reunião?

Daisy Soares - Eu chamei a Paulinha, que é sócia comigo no projeto, para participar da reunião. Tinha um link oculto que disseram que era do escritório e não sabia que estava lá, estava sem caneta, sem imagem e nós conversamos, mas conversamos para a gente se conhecer, saber quem era a patroa. A Marília até brincou: vocês são as patroas raízes, nós somos as patroas nutelas e ela falava assim: incontestável o seu direito, você tem direito ao registro, a marca é sua. Ela falou disso, ela teve a preocupação. Ela foi muito bacana com a gente. Ela se preocupou, quis entender como era a nossa história, quis entender como era o nosso projeto e conversão. Foi uma conversa bem legal, brincamos. A Maraia e Maraisa também. São pessoas que eu sempre admirei e admiro, né?! Não é uma briga com elas. São referências para várias mulheres.

Quando terminou a reunião o advogado me perguntou: E aí já pensou um novo nome pra você, uma nova marca e tal. O que é que você pensa pra fazer. Eu disse para ele que eu não me sentia confortável de eu ter que fazer uma proposta. Eu queria saber qual era a intenção deles. O que eles queriam fazer. O que eles tinham para me oferecer ou ofertar a minha marca, pois eu não estava vendendo a minha marca.

Baú do Marrom: Como surgiu a ideia de fazer As Patroas?

Daisy Soares - A Patroa surgiu quando eu entrei numa banda de axé aqui na Bahia. E aí eu vi quando a Paulinha tocando guitarra, ela ainda era menor de idade, tinha 16 anos, mas tinha potencial. Eu disse: poxa, se a gente fizesse um projeto voltado ao empoderamento feminino, né? Uma mulher representando um músico tocando. E ela usava um salto vermelho e ficou característico dela. A gente pensou em coisas voltadas assim: a força da mulher. Falava muito de criar um contexto sobre profissões. Ela é engenheira, eu sou Urbanista. Então a gente misturava as profissões. Dizia que cada mulher fazia. A abertura do nosso show falava: mulherada invadiu os quatro cantos do planeta: delegada, juíza, advogada, desembargadora, falava diversas profissões. E aí eu chamei a Paulinha para gravar esse projeto da Patroa, e começamos a desenvolver. Em 2014, solicitei o registro da marca e em 2017 conseguimos o registro. Neste mesmo ano eu fiz um show no mesmo dia de Marília Mendonça em Valença, aqui na Bahia. A gente abriu o show dela.

Baú do Marrom: Qual o balanço que você faz de toda essa polêmica?

Daisy Soares: Tudo isso pra mim, foi danoso. Porque a gente vem construindo desde 2013 e de repente elas fazem um clipe falando das profissões também. Lança um clipe nacional, coloca na TV, no Fantástico. Então foi uma concorrência desleal, de um produto que a gente estava trabalhando pra crescer e de repente ele é utilizado por um conjunto, um grupo de cantoras já consagradas no Brasil, que só pegaram o nome e deram a evidência que me ofuscou, apagou totalmente o que eu estava tentando construir. Que dizer a gente perde referência,  perde identidade, a gente perde tudo. E quando a Marília Mendonça morreu foi pior porque aí sim eles bombaram muito mais, usaram todos os dias, o tempo inteiro a marca patroa e a gente acabou sendo sufocada com isso.

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