Alta nos preços ameaça tirar flores da lista de presentes do Dia das Mães

bahia
04.05.2022, 05:00:00
Bhonnie diz que clientes preferem colocar limite de preço do que escolher a flor (Acervo pessoal)

Alta nos preços ameaça tirar flores da lista de presentes do Dia das Mães

Na comparação com o pré-pandemia aumentos chegam a mais de 300%

Quem gosta de presentear a mãe com flores no Dia das Mães já sabe que se não chegar cedo, vai ter fila nas floriculturas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o Dia das Mães representa cerca de 20% do faturamento do setor. Mas, em 2022, os floristas estão temendo que haja queda no movimento por conta dos altos preços cobrados nas distribuidoras.

Na comparação com o cenário antes da pandemia, algumas flores, nas distribuidoras, acumulam aumento de mais de 300%. A florista Bhonnie de Bonilha, de 33 anos, conta que já tem clientes anunciando que não comprarão este ano.

“Para o Dia das Mães, eu já estou ouvindo clientes falando que não vão comprar. Quem está fazendo encomenda está colocando um valor limite, nem escolhe a flor, pergunta o que eu consigo até aquele preço”, afirma. Ela diz que os preços aumentam a cada semana e que, de fevereiro para cá, os valores ficaram “assustadores”.

“Eu comprava um pacote de astromélias a R$20 em fevereiro e, para o Dia das Mães, o preço está R$55 (aumento de 175%). Na semana passada, um pacote com 20 rosas custava R$65 e, normalmente, custa R$45 (aumento de 44%). Uma rosa vermelha de 40 cm, no dia 19 de abril, era R$25 e, hoje, está R$85 (aumento de 240%)”, revela.

A advogada Luciana Brito, de 43 anos, é daquelas que têm sempre uma flor em casa. Ela diz que quinzenalmente compra flores para decorar a mesa de jantar. “Eu já tinha deixado de comprar os lírios por causa do aumento. Estava comprando rosas e astromélias, mas ficou impraticável, aí comprei uns vasos pequenos de margarida e folhagem para usar nessa quinzena e agora vou espaçar mais as compras”, conta.

Luciana reclama do preço das flores e deve abandonar opção de presente (Foto: Paula Fróes/CORREIO)

Luciana diz também que sempre faz uma compra especial para a mesa do Dia das Mães e presenteia a mãe e a irmã com um arranjo, mas, este ano, não vai dar. “Eu pretendia comprar, mas, com esses preços, vou ficar só com os vasinhos que comprei semana passada”. 

A designer de eventos Duda Mandelli, de 32 anos, faz uma comparação de preços de antes da pandemia para agora.

“A astromélia era R$10 e hoje está R$45 (aumento de 350%). A rosa, que custava R$29, está R$109 (aumento de 275%). É complicado porque, para eu fazer um arranjo de mesa para uma festa, é preciso de muita flor. Antes da pandemia eu fazia um arranjo com R$150 e, agora, não consigo fazer com menos de R$250. Como que a gente vende isso, como repassa para o cliente?”, coloca.

Duda diz que aumento supera o esperado para a época do ano (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Ela diz que entende que os preços aumentem com a retomada das atividades e a aproximação do Dia das Mães, mas que o aumento foi muito acima do esperado. “A gente até entende o aumento porque ficamos muito tempo parados, os produtores e as distribuidoras tiveram prejuízos. Mas mesmo agora, com a retomada dos eventos e tudo mais, os preços não equilibraram e, pelo contrário, aumentaram ainda mais. Eu tenho contratos fechados antes da pandemia e estou tendo que fazer a festa pelo preço que fechei”, acrescenta.

Bhonnie de Bonilha, que também é associada da Associação Brasileira de Arte Floral (Abaf), explica que a maior parte das flores vendidas na Bahia vêm do Sul e Sudeste, principalmente de São Paulo. Os aumentos acontecem em todo o país, mas afetam os estados de maneira diferente. “Quanto mais distante de São Paulo, mais caro. A Bahia não tem uma grande produção; aqui temos Maracás, mas só lá não consegue alimentar toda a demanda do estado e não tem a qualidade das flores de fora”, afirma.

O CORREIO procurou as três principais distribuidoras de Salvador: Cooperflora Holambra, Holambelo e Terra Viva. A filial da Holambelo disse que aumentou os preços porque também está comprando caro da cooperativa de São Paulo. A Cooperflora Holambra não respondeu ao contato até o fechamento da reportagem.

A filial da Terra Viva em Salvador disse que o aumento elevado agora é resultado dos prejuízos da pandemia. “Durante a pandemia, os produtores pararam de investir e, assim que houve a flexibilização das medidas restritivas, a procura por flores foi maior do que a oferta, chegando a ter falta de flores. Assim, o preço subiu. A gente também sofre porque estamos comprando com preço elevado dos produtores”, disse Diego César de Souza, representante da Terra Viva em Salvador.
 

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