Carnaval 2022 pode trocar circuitos tradicionais por Centro de Convenções

salvador
10.08.2021, 05:00:00
(Marina Silva/CORREIO)

Carnaval 2022 pode trocar circuitos tradicionais por Centro de Convenções

Ivete e Cláudia Leitte já divulgaram presença na quinta e sexta da folia

O soteropolitano Gabriel Malaquias, 22 anos, até chorou porque não teve carnaval em 2021. Pela abstinência, planeja curtir em dobro no próximo ano, se a pandemia estiver controlada e a festa for confirmada. Ele já começou a procurar os blocos e quer garantir até o final do ano. “Vou todos os dias, a expectativa é total. Moro no Carnaval, na Avenida Sete”, conta.  

O modelo do carnaval de Salvador de 2022 ainda é incerto, mas as autoridades já deram algumas pistas – ele pode ocorrer em espaços fechados. Segundo o presidente da Empresa de Turismo de Salvador (Saltur), Isaac Edington, o formato da festa deve seguir o do Festival da Virada, anunciado pelo prefeito Bruno Reis na última semana. Serão cinco dias de festa, de 29 de dezembro a 2 de janeiro, no Centro de Convenções, mesmo local onde será realizado o evento-teste.  

As cantoras Ivete Sangalo e Claudia Leitte inclusive anunciaram que estarão na quinta e sexta de Carnaval no Centro de Convenções, na Boca do Rio. Também fazem parte da grade de atrações nomes como Luísa Sonza, Alinne Rosa, Banda Eva e Babado Novo.  

De acordo com o blog do Marrom, outros dias estão sendo programados, mas ainda não foram divulgados pelas produtoras IESSI e San Folia, as organizadoras. Procurada, a IESSI disse não ter informações oficiais que pudessem ser compartilhadas e a San Folia afirmou que ainda não está 100% confirmada.  

Para Isaac Edington, esse estilo de evento é uma boa saída para o Carnaval. “Existe um movimento dos empresários, que estão buscando alternativas para poder continuar suas atividades e nós também estamos trabalhando para todas as possibilidades. Essa iniciativa é excelente, temos que estar abertos para novas perspectivas”, defende.  

O presidente da Saltur faz a ressalva que esse modelo ‘indoor’ ainda não está definido como oficial. “Não podemos ainda cravar como será o próximo Carnaval, o momento agora é de cautela. Vamos trabalhar para deixar tudo pronto e anunciar no momento certo, porque não adianta começar a planejar em cima da hora”, explica. 

Ele acredita que ambos os modelos de festa, no formato privativo e na rua, podem acontecer simultaneamente, se as condições epidemiológicas permitirem. Tudo depende, sobretudo, do avanço da vacinação contra o novo coronavírus.

“Estamos bastante otimistas, pelos indicadores que temos visto e, ocorrendo a estabilização da pandemia, nosso desejo é fazer um Carnaval extraordinário, desde que cheguem vacinas e é bem possível que a população esteja toda vacinada até lá”, completa Isaac Edington.  

Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS), na segunda-feira (9), a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estava em 38% na capital baiana. Até então, são 233.232 casos confirmados da covid-19, com 227.246 recuperados e 7.261 óbitos. Outros 178.554 casos da doença são considerados suspeitos.   

Na rua
Tanto o presidente do Conselho Municipal do Carnaval de Salvador (Comcar), Flávio Emanoel, quanto o empresário Joaquim Nery, dono da Central do Carnaval, entendem que a festa tem que ser feita na rua. “Não entendo isso como um novo modelo, o Carnaval de Salvador é maior que isso e tem que ocorrer no formato que sempre aconteceu”, defende Flávio Emanoel.  

De acordo com o presidente do Comcar, será possível, sim, fazer o Carnaval em 2022, devido ao acelerado ritmo de vacinação na cidade: 81,3% do público-alvo (acima de 18 anos) está vacinado com a primeira dose – o equivalente a 53,5% do total da população soteropolitana. Com a segunda dose, ou seja, completaram o esquema vacinal, 35,8% do público-alvo ou 23,6% dos habitantes. 

Na Central do Carnaval, a venda de blocos e camarotes não parou. Contudo, a oferta está menor. Em 2020, eram 21 opções de bloco e 10 de camarotes. Hoje, são seis blocos e quatro camarotes no portfólio. Para Nery, não dá para ter Carnaval sem os foliões na avenida. “O Carnaval de Salvador, historicamente, sempre foi uma festa de rua, não combina com um evento exclusivamente indoor. Não dá para pensar em Carnaval sem pensar em pipoca, nos trios, em brincar do lado da corda”, pondera. 

Para o presidente da Associação dos Profissionais de Eventos (APE), Adriano Malvar, ainda é cedo para falar de Carnaval e Réveillon. Porém, ele acredita que o setor já iniciou a retomada das atividades, o que vai facilitar para a adesão de eventos maiores. “As coisas têm que voltar gradativas. Estamos imbuídos ainda na campanha de vacinação, mas criando essa agenda positiva, de eventos para até 300 pessoas. Acredito que no ciclo de 21 dias, esse número passe para 400 e, em setembro, para 500 pessoas, com bandas no palco, e que a gente chegue no fim do ano preparado”, avalia.  

Festas e shows continuam proibidos na capital e no estado
Para o Governo do Estado, o Carnaval ainda não está definido, assim como o Réveillon. “O Governo do Estado ainda não tem posição definida a respeito da realização de festas de Réveillon e do Carnaval de 2022 na Bahia. Não há, neste momento, planejamento para realização de festa de Réveillon em Salvador por parte do Governo do Estado”, esclarece, por meio de nota. Contudo, o governador Rui Costa já havia comentado que seria viável realizar a festa.

Contudo, o governador Rui Costa já havia comentado antes que seria possível realizar a festa. “Temos condições de vacinar toda a população brasileira até o final do ano”, falou na época. 

O governo lembra que, por enquanto, festas e shows com características semelhantes a estas estão proibidas na Bahia, independentemente do número de participantes. Além disso, o executivo estadual diz que “a parceria e o alinhamento entre Estado e Municípios para definir a adoção de medidas restritivas e a posterior flexibilização destas medidas são essenciais para que a Bahia continue salvando vidas e controlando os índices de contaminação da covid-19", completa. 

Em Salvador, a prefeitura flexibilizou, na última sexta-feira (6), a realização de eventos sociais, como casamentos, aniversários e formaturas, de 200 para até 300 participantes. A condição é que, na data da festa, a ocupação de leitos de UTI esteja em percentual igual ou inferior a 60%.  

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro 

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