CDI? CDB? COE? Entenda de uma vez a sopa de letras do mundo dos investimentos

economia
16.01.2021, 06:03:00
Atualizado: 05.02.2021, 20:09:40
Já quebrou a cabeça pensando em investimento? Entenda as siglas mais comuns dos aplicativos (Andrea Piacquadio / Pexels)

CDI? CDB? COE? Entenda de uma vez a sopa de letras do mundo dos investimentos

Já abriu o app da sua corretora e não entendeu nada? O CORREIO te ajuda com as siglas mais comuns

Como já foi tratado aqui pelo CORREIO, 2021 é o ano ideal para você tirar o dinheiro do cofrinho e começar a investir. É o que concordam os especialistas em finanças, uma vez que a poupança está rendendo muito menos do que a inflação.

Mas, se você é um iniciante nesse mundo, com certeza já passou por essa experiência: abriu o aplicativo da sua correta favorita e se deparou com uma centena de siglas e muitos termos em inglês de difícil compreensão.

É taxa CDI pra cá, título CRI pra lá, retorno sob IPCA+, ação do tipo BDR, fundo FIM... O que significa isso tudo, afinal de contas? Será que tem um jeito simples e prático de começar a desbravar essas siglas?

Em mais um capítulo do especial sobre finanças, o CORREIO traz para você um guia básico com a explicação de algumas das siglas mais comuns no mercado financeiro. O que é CDB? O que é IGPM?

De quebra, você terá uma boa introdução ao mundo dos títulos de renda fixa e aos fundos de investimento:


SELIC

É a chamada 'taxa básica' de juros da economia brasileira. Ou seja, é ela que influencia todos os juros praticados no país, desde aqueles cobrados pelos bancos ao conceder um empréstimo a um indivúduo até o retorno que você pode ter ao realizar uma aplicação financeira.

Selic é uma sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, que são negociações de títulos federais feitas entre o Banco Central e as instituições financeiras. Resumindo bem, esses empréstimos servem para controlar o volume de moeda nos bancos e, assim, controlar a inflação.

A cada 45 dias, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central determina a Selic. Em agosto de 2020 ela ficou em 2% ao ano, a menor da história.

“Em investimento, qualquer valor acima da Selic quer dizer que existe algum grau de risco. Quanto maior for, maior é o risco. Ou seja, pode não acontecer o que você esperava”, conta Máximo Marmund, especialista em investimentos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima).

IPC-A

É a sigla para Índice de Preços ao Consumidor Amplo, atualizado mensalmente pelo IBGE. É o índice mais utilizado para se medir a inflação mensal no país. Para tanto, considera uma cesta básica de bens de consumo das famílias.

“O IBGE olha, mês a mês, como estão os preços dos produtos daquela cesta. A pesquisa considera o hábito de consumo de famílias até 40 salários mínimos, o que abrange 90% da população brasileira. Foi levantado qual o peso do consumo dessas famílias com alimentação, transporte, imóveis, entre outros. Essas bases são usadas no cálculo do índice”, explica Marmund.

Em dezembro de 2020, por exemplo, o IPC-A fechou em 1,35%. Isso significa que os preços daquela cesta de produtos considerada básica para as famílias aumentou 1,35% no mês.

ATENÇÃO: IPCA+

Em investimento, é comum achar a sigla IPCA+, comumente ligada a investimentos de renda fixa, como o Tesouro Direto. Isso significa que o retorno daquele título será a porcentagem do IPCA após o período determinado mais (daí o +) alguma porcentagem de rendimento.

“Ou seja, títulos que consideram o IPCA+ são uma excelente opção para você não perder dinheiro para a inflação, já que ele corrige a desvalorização da moeda e ainda adiciona um valor de rendimento”, diz o especialista em investimentos.

IGP-M

É a sigla para Índice Geral de Preços do Mercado. Medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem como objetivo ser mais um medidor da inflação no país. A diferença para o IPC-A é que o IGP-M tenta ser mais abrangente, ao levar em conta um conjunto de outros indicadores.

O IGP-M é uma combinação entre 60% o IPA (Índice de Preços do Atacado), que considera os valores pagos pelos produtores, por exemplo, ao adquirirem insumos; 30% do IPC (Índice de Preços do Consumidor); e 10% do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que leva em conta preços de materiais de construção e outros insumos usados nesse setor.

CDB

É a sigla para Certificado de Depósito Bancário. Esse é um tipo de título de renda fixa, que é emitido pelos bancos e demais instituições financeiras. Nada mais é do que um empréstimo da pessoa física ao banco. O investidor empresa uma certa quantia a instituição, por um determinado período de tempo, e recebe os juros em cima daquele valor.

“É um investimento muito seguro. Além de ter renda fixa, há a garantia de retorno, em caso de quebra do banco, por parte do FGC”, explica Máximo Marmund.

O que leva a outra sigla…

FGC

Trata-se do Fundo Garantidor de Crédito. É uma instituição do Governo Federal, administrada junto aos bancos, que garante ao investidor o retorno de até R$ 250 mil por aplicação realizada, e até R$ 1 milhão por pessoa física, caso a instituição que vendeu o título não consiga honrá-lo.

“Ou seja, se o banco que te vendeu um CDB for à falência, você tem garantido o retorno daquele valor, desde que seja até R$ 250 mil por aplicação ou R$ 1 milhão no total. Os investimentos com garantia do FGC são considerados os mais seguros do mercado”, explica o especialista.

CDI

Muito comum em títulos de renda fixa, como o CDB, esse índice reflete os juros praticados nos empréstimos feitos entre os bancos. A sigla significa Certificado de Depósito Interbancário. Ou seja, se parece com o CDB, mas é feito entre instituições da mesma natureza.

“Todo banco faz um balanço diário do quanto possui em dinheiro e do quanto tem emprestado. Ele não pode terminar nenhum dia no negativo, pois paga uma multa pesada, estipulada pelo Banco Central para controlar os empréstimos”, explica Marmund.

“Então imagine que os bancos têm um grupão de WhatsApp. Se um deles percebe que vai fechar o dia no negativo, ele vira para o outro e fala 'me empresta aí x milhões de reais' por uma noite. Pois a taxa de juros daquele empréstimo é a taxa do CDI”, completa o especialista.

A taxa do CDI é sempre ligeiramente menor do que a Selic. Geralmente, títulos de CDB oferecem como retorno algo como 120% ou 130% do CDI. Como a Selic está em 2%, pode-se dizer que o retorno, nesses casos, ficariam entre 2,4% e 2,6%, por exemplo.

COE

Certificado de Operação Estruturada. Uma sigla muito comum em aplicativos de corretoras, mas cujo funcionamento do investimento é difícil de ser explicado para leigos.

De maneira geral, pode-se dizer que o COE é um fundo de investimentos protegidos, e que premia de acordo com o cumprimento de cenários. Por exemplo: se o Ibovespa subir dentro do esperado, o retorno se assemelha à renda fixa. Se o Ibovespa subir mais do que o esperado, a premiação, aí sim, é grande. Mas se ficar abaixo do esperado, o investidor recebe seu capital inicial de volta.

“O COE parece mais envolvente para os iniciantes por conta da possibilidade de receber o seu dinheiro de volta caso dê errado. Mas, pense: nesse caso, seu dinheiro ficou parado. Ele deixou de render por um ou dois anos”, analisa Máximo Marmund.

FIRF, FIA, FIM, FIC

Essas siglas aparecem ao fim do nome de um fundo de investimentos, e servem para descrever que tipo de aplicação é realizada por aquele fundo. Por 'fundo', entende-se um investimento que não é unitário, e que é administrado por um gestor ou corretora.

FIRF é Fundo de Investimento em Renda Fixa. Ou seja, aquele gestor faz no mínimo 95% das suas aplicações em títulos de renda fixa. FIA é Fundo de Investimento em Ações. Ou seja, aquele gestor aplica no mínimo 66% do patrimônio em ações de empresas.

FIM significa Fundo de Investimento em Multimercados. Quer dizer que o gestor faz aplicações de diferentes naturezas, desde ações, dívidas públicas até mesmo ouro e câmbio. Por fim, FIC significa Fundo de Investimento em Cotas. Ou seja, o gestor compra cotas de participação em outros fundos.

BDR

A primeira sigla em inglês. Significa Brazilian Depository Receipt. Na prática, é um investimento feito no Brasil num título emitido por uma empresa que está no exterior.

“Antigamente, só podia comprar ações de empresas de fora do país quem era investidor profissional com qualificações muito determinadas ou quem operava em bolsas do exterior. Recentemente, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários, órgão do Governo Federal que regula investimentos) liberou para que pessoas físicas também pudessem comprar títulos de BDR”, explica Máximo Marmund.

Ou seja, na prática, significa que o investidor pessoa física brasileiro já pode adquirir ações de empresas multinacionais, a exemplo das gigantes da tecnologia como Tesla, Apple, Microsoft e outras.

LCA e LCI

Siglas que significam Letra de Crédito do Agronegócio e Letra de Crédito Imobiliário. São tipos de título de renda fixa. Na prática, o investidor empresta um determinado valor, que pode ser usado para custear plantações ou colheitas, por exemplo, ou construção ou aquisição de casas próprias.

Como há uma contribuição social importante nesse tipo de investimento, há a garantia do FGC. Isso quer dizer que, em caso de inadimplência ou de quebra da instituição financeira, o Fundo Garantidor de Crédito do Governo Federal pode retornar até R$ 250 mil por aplicação ou R$ 1 milhão por pessoa.

CRI e CRA

Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA). São dois tipos de título de renda fixa. Através deles, o investidor pode adquirir direitos sobre valores a receber, ou recebíveis, que são emitidos por empresas através de empresas chamadas securitizadoras.

Funciona assim: uma construtora vendeu todos os apartamentos de um prédio. Porém, ela só receberá o valor final dentro de 20 ou 30 anos, já que os imóveis foram parcelados. Se ela quiser obter dinheiro agora para construir outro prédio, ela pode negociar os valores que tem a receber.

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