Com menos filas, segundo turno ainda teve quem perdesse a hora em Salvador

salvador
28.10.2018, 20:30:00
Amanda Sanches, 20, foi uma das pessoas que chegou para votar após os portões fecharem (Foto: Vanessa Brunt/CORREIO)

Com menos filas, segundo turno ainda teve quem perdesse a hora em Salvador

Famílias resolveram levar crianças por conta da agilidade; veja o que fazer se não votou

Com poucas ou nenhuma fila, o clima do segundo turno de eleições foi mais fluído e tranquilo em Salvador, principalmente durante a tarde deste domingo (28). Apesar da calmaria e rapidez para as votações dentro das escolas, houve quem ainda pontuasse, porém, um desconforto pela manhã por conta do trânsito.

Assim, mesmo com o risco de um possível atraso – sabendo que os portões estariam fechados às 17h (por conta da Lei Eleitoral) –, o final da tarde foi o momento escolhido por diversos adultos que desejaram levar crianças ou por idosos que foram votar por livre escolha.

Casal Letícia Vieira e Jorge Torreão trouxe as filhas por saberem do fluxo mais tranquilo (Foto: Vanessa Brunt/CORREIO)

O casal Letícia Vieira e Jorge Torreão, por exemplo, saiu para votar às 8h. No entanto, mesmo com as curtas filas dentro das escolas, o engarrafamento os fez desistir no horário. "Ouvimos que estava tranquilo, afinal, é só um voto a ser feito e soubemos que estava mais organizado também. Mas as filas de carros estavam do mesmo jeito no primeiro turno: enormes. Resolvemos deixar pra vir à tarde", contaram, às 16h, quando marcaram presença no colégio estadual Luiz Viana, em Brotas.

Com a nova decisão e sabendo do fluxo mais tranquilo, Letícia e Jorge resolveram trazer as duas filhas para mostrar como é o processo. "Tem que começar a conscientizar desde cedo. Dessa vez (no segundo turno), agora à tarde, está menos cansativo e melhor pra trazer os filhos", pontuou o casal.

Shirley Alves, 44, e Samanta Stephanie, 23, também as suas filhas para o segundo turno de votações (Foto: Vanessa Brunt/CORREIO)

Quem também resolveu dar o exemplo para a criançada foi Shirley Alves, 44, e Samanta Stephanie, 23, que, junto com uma amiga, trouxeram também as suas filhas para o segundo turno de votações. "Mostramos para elas como fazer. Foi rapidinho e soubemos que estava assim, então nos tranquilizamos em trazê-las", disseram.

Na mesma escola, estava Rodrigo Barroso, que elogiou a agilidade dos mesários e da tecnologia no segundo turno. "Minha biometria não funcionou no primeiro turno, mas dessa vez até isso foi mais rápido", contou.

"Ainda tinha uma urna só na sala, o que não acho certo; mas achei mais organizado desta vez", contou Rodrigo Barroso, 20 (Foto: Vanessa Brunt/CORREIO)

"Pela manhã estava mais cheio, rolaram até algumas filas. Agora está tão rápido, ninguém está esperando nada. Acho que vamos ter poucos atrasados", disse o jovem de 20 anos, que foi votar com alguns amigos mais cedo e levou Adriane Dias, também de 20 anos, para votar no final da tarde.

Mesmo com a perna imóvel, Tony Neves, 32, não deixou de fazer esforço sozinho para ir votar (Foto: Vanessa Brunt/CORREIO)

Ao lado do casal de amigos estava Tony Neves, 32, que mesmo com a perna enfaixada, não foi impedido de cumprir seu papel de cidadão. "Vim sozinho, eu e as muletas. Mas o importante é votar, né? Soube que hoje o negócio está fluindo melhor, então vim em paz", contou, na expectativa de um voto rápido.

Vagner Lima Lima, 45, foi votar com o seu filho, Ramon Bastos, de 9 anos, perto das 17h (Foto: Vanessa Brunt/CORREIO)

Os que quase e os que nada
Às 16h45, Maria Clara, 65, estava saindo da frente do Colégio Central, onde deu o seu voto. "O momento está complicado e fiz questão de fazer a minha parte. Nunca vi uma polarização dessas", afirmou. "Cheguei quase em cima da hora, mas é porque moro pertinho. Acho que isso causa uma sensação muito cômoda e perigosa às vezes", ponderou, aos risos.

Maria Clara, de 65 anos, foi votar pela preocupação com o cenário político atual (Foto: Vanessa Brunt/CORREIO)

Os amigos Thiago Guerra, 24, e Sandro Galvão, 43, não fizeram diferente de Maria Clara e escolheram o final da tarde para votar. "Sabíamos que hoje o processo estava mais rápido para votar, então deixamos um pouco pra cima da hora mesmo", declararam.

Faltando 5 minutos para as 17h, Vagner Lima Lima, 45, estava saindo com o seu filho, Ramon Bastos, 9, da mesma escola em que Maria Clara votou. Passando por eles, pessoas corriam para dentro da instituição, com receio do atraso. Afinal, quem estivesse dentro do local antes das 17h, poderia votar mesmo após os portões fechados.

Mas, nem todos tiveram a sorte da galera que corria para dentro. Amanda Sanches, 20, não pôde votar. Ela chegou às 17h02 e os portões já estavam fechados. "Pareço uma atrasada no Enem aqui, né? Bobeei no horário, mas, na verdade, nem estava me importando tanto. Os candidatos não me representam. Estou revoltada com esse momento da política e com as duas escolhas finais dos brasileiros", afirmou.

Não votou? Veja o que fazer
O eleitor que não conseguiu chegar no horário ou não votou por outros motivos, deve fazer a justificativa da sua ausência por meio do preenchimento do Requerimento de Justificativa Eleitoral, documento disponibilizado nos sites dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), nos cartórios eleitorais, nos postos de atendimento ao eleitor, na página do TSE e nos locais de votação ou justificativa nos dias de eleição. 

O requerimento deve ser entregue em qualquer cartório eleitoral ou enviado por correio, acompanhado com o documento que comprove o motivo da ausência. O eleitor pode justificar a ausência até 60 dias depois do turno — até 27 de dezembro de 2018, ao faltar no segundo turno.

Passado o tempo da justificativa, o eleitor deve pagar uma multa, que varia de R$ 3,51 a R$ 35,10, sendo um valor determinado pelo juiz eleitoral da região. Os eleitores que não votarem no primeiro e segundo turno (sem a justificativa para nenhum dos dois momentos), serão multados duas vezes. 

Caso o eleitor continue a não votar nas próximas eleições, outras penalidades, para além da multa, podem ser inclusas. Para fazer o pagamento, o eleitor pode retirar a guia de multa (GRU) em qualquer cartório eleitoral do país e efetuar o pagamento em uma agência. Caso o indivíduo não tenha condições financeiras para quitar o débito, poderá solicitar ao juiz eleitoral a dispensa da multa por ter deixado de votar ou justificar nas eleições, declarando, sob as penas da lei, que não pode pagar, em virtude da carência de recursos financeiros.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.

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