Cruzeiros vão trazer 253 mil turistas para Salvador até abril de 2022

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07.12.2021, 05:00:00
MSC Seaside desembarca em Salvador nesta terça-feira (7) (Divulgação/MSC)

Cruzeiros vão trazer 253 mil turistas para Salvador até abril de 2022

Temporada começa nesta terça-feira (7) e injetará R$ 125 milhões na economia

A temporada 2021/2022 dos navios de cruzeiros começa nesta terça-feira (07) na Bahia, véspera do feriado de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira do estado. Ao longo de todo o verão, são esperados mais de 253 mil passageiros de 64 navios turísticos diferentes que farão escala no Porto de Salvador até 22 de abril de 2022. O primeiro a atracar é o MSC Seaside, que virá de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, e trará mais de quatro mil passageiros à cidade.

Ao todo, segundo a Secretaria de Turismo do Estado (Setur), de dezembro até abril do ano que vem estão previstas 79 atracações de navios nos portos baianos. Serão em torno de 350 mil visitantes. Como cada passageiro gasta US$ 100 em cada parada, em média, o incremento na economia baiana gerado por esses turistas será de US$ 35 milhões.

O secretário municipal de cultura e turismo de Salvador, Fábio Mota, diz que cada passageiro deverá gastar, em média, R$ 500 na capital, o que resultará em uma injeção de R$ 125 milhões na economia da cidade nos próximos cinco meses. “Estamos todos esperançosos para dar sequência a essa retomada. São mais pessoas conhecendo a cidade e desenvolvendo nossa economia”, afirma o secretário. 

Mota explica que a principal diferença do turista que vem pelos portos daqueles que chegam por outros modais, é que ele gasta mais em pouco tempo. “Geralmente, tem um ticket maior. Gasta mais e fica pouco tempo, porque tem pressa para gastar, e isso se configura de várias formas. Tem turista que passa o dia na praia, outro que vem para conhecer o Mercado Modelo, o Pelourinho e o Centro Histórico e boa parte para os restaurantes e bares, aproveitando nossa gastronomia”, detalha o titular da Secult.

Por isso, a estratégia é fazer com que o visitante dos cruzeiros volte à cidade em outro momento. “Temos uma ação no Terminal Náutico com um balcão mostrando as belezas da cidade, com tudo que tenha a ver com o turismo e com a cultura. Então, depois que ele conhece a cidade, a expectativa é que ele volte com mais tempo para ficar no hotel e passar pelo menos três a quatro noites com a família”, acrescenta Fábio Mota. 

Fábio Mota estima que cada passageiro gaste R$ 500 em Salvador, durante visita

(Foto: Jeferson Peixoto/Secom)

Para o presidente da Federação Baiana de Turismo e Hospitalidade do Estado da Bahia (FeTur-BA), Silvio Pessoa, o que o turista de navio mais agrega é na divulgação de Salvador. “O mais importante desse nicho de mercado marítimo é a divulgação que essas pessoas fazem da cidade, porque o espaço-tempo que elas passam aqui é muito curto. Em termos de gastos financeiros, é pouco. Mas o boca-a-boca e a divulgação são o diferencial”, opina. 

O ideal, segundo ele, era que Salvador não fosse apenas uma escala, mas a origem ou destino final do cruzeiro. “Seria interessante para Salvador porque o turista explora a cidade, se hospeda e fica mais dias. Os cruzeiros são um nicho de mercado que não podemos ficar de fora, senão, os visitantes começam a pegar navios no Mar Mediterrâneo, fora do país, nos Estados Unidos”, argumenta Silvio Pessoa. 

Protocolos sanitários

Para receber os visitantes, uma série de protocolos sanitários foram elaborados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), com base em orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a pasta, o plano de monitoramento dos cruzeiros serve para não permitir o crescimento de casos de covid-19 no estado. Por enquanto, não é permitida a circulação de navios turísticos internacionais. 

Turistas passeiam no Pelourinho; muitos que chegam de navio, durante escala em Salvador, escolhem conhecer o local por ser próximo ao porto

(Foto: Paula Fróes/CORREIO)

A Anvisa disse que não houve mudança nas regras vigentes para navios de cruzeiro, mesmo com a chegada da nova variante ômicron ao Brasil. O comprovante de vacinação com o esquema completo é exigido para qualquer pessoa, assim como teste PCR feito 72h antes da viagem ou antígeno 24h antes (veja quadro).

A maior parte dos navios vêm de São Paulo e Rio de Janeiro, de acordo com a Contermas, administradora do Terminal Náutico de Salvador. “Estamos disponibilizando em todo terminal sinalização audiovisual contendo os procedimentos de segurança exigidos pelos órgãos. O limite máximo de passageiros permitido pela Anvisa é de 75% da capacidade do navio, pois tem que deixar uma área isolada para os casos que ocorrerem”, lembra o gerente da unidade, Claudio Brites.

Sul da Bahia

Quase metade dos cruzeiros previstos para o estado passará por Ilhéus, no Sul da Bahia. Segundo o secretário de turismo da cidade, Fábio Wanderley Júnior, 34 navios atracarão no município, totalizando 119 mil passageiros nesta temporada, além de 51 mil que fazem parte da tripulação. "O ticket médio é de R$ 350 a R$ 550 por pessoa, sendo que, em média, 50% dos passageiros e tripulantes descem do navio. Durante toda a temporada, estimamos aproximadamente R$ 30 milhões em nossa economia", declara Júnior.

Os navios de carga também operam com rígidos protocolos, que preveem exames para o embarque e desembarque dos tripulantes e quarentena se ocorrer caso suspeito ou confirmado a bordo. 

Em nota, o titular da Setur, Maurício Bacelar, afirmou que “os cruzeiros marítimos são verdadeiras vitrines para as cidades, criando nos passageiros a vontade de retornar para conhecer melhor os destinos baianos”, pontuou Bacelar.

Exigências da Anvisa para navios de cruzeiro:

1 - Comprovante de vacinação completa contra covid-19 para o embarque de todos os passageiros elegíveis pelo PNI;
2 - Obrigação de apresentação de teste do tipo RT-PCR negativo feito até 72h ou de teste de antígeno feito até 24 horas antes do embarque;
3 - Testagem diária de 10% dos passageiros a bordo e de 10% da tripulação. Testes positivos não poderão ser descartados por segundo teste (contraprova);
4 - Triagem dos passageiros por meio de informações de formulário contendo informações sobre as condições de saúde do viajante;
5 - Lotação máxima da embarcação limitada a 75% da capacidade de passageiros;
6 - Espaçamento a bordo de 1,5 metro entre grupos de viajantes (exemplo: grupo familiar ou grupo de pessoas que viajam juntas);
7 - Testagem semanal de toda a tripulação a bordo;
8 - Separação de cabines para isolamento de casos suspeitos a bordo;
9 - Aprovação prévia dos protocolos de cada embarcação pela Anvisa;
10 - Notificação diária da situação de saúde a bordo pela embarcação.

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