Dossiê: conheça os adversários do Bahia na Copa Sul-Americana

e.c. bahia
10.04.2021, 05:59:00
Maior vencedor da Libertadores, Independiente é maior ameaça ao Bahia no grupo B (Foto: Independiente/Divulgação )

Dossiê: conheça os adversários do Bahia na Copa Sul-Americana

Tricolor já sabe caminho na Sula e agora sonha com título internacional

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Com o caminho praticamente definido na Copa Sul-Americana, o Bahia agora começa a estudar os adversários e traçar as estratégias para realizar o sonho de levantar o título do torneio continental. Em 2021 a competição terá um formato diferente. No lugar do mata-mata do início ao fim, a segunda fase será formada por oito grupos com quatro clubes cada. É nesse momento que o tricolor inicia a sua caminhada. 

O sorteio realizado sexta-feira (9), na sede da Conmebol, apontou o Bahia no grupo B, ao lado do Independiente, da Argentina, do Guabirá, da Bolívia, e de um representante uruguaio que sairá do confronto entre Torque City e Fénix. Na próxima quarta-feira (14) as equipes fazem o jogo de volta para definir o classificado - na ida houve empate de 0x0. 

Ao todo, o Bahia disputará seis jogos nessa fase, três em casa e três fora. A última vez em que esteve numa competição internacional em formato de grupos foi na Copa Libertadores de 1989, portanto há 32 anos. A diferença é que dessa vez apenas o primeiro colocado de cada chave avança para as oitavas de final. 

Os primeiros confrontos estão marcados para a semana de 20 de abril, e essa fase vai até 26 de maio. Para te deixar preparado para acompanhar a competição, o CORREIO destrinchou cada uma das equipes que estão no caminho do Bahia. Confira: 


INDEPENDIENTE (ARGENTINA)

Nome: Clube Atlético Independiente
Fundação: 01/01/1905
Estádio: Libertadores da América
Cidade: Avellaneda

O Independiente é de longe um dos grandes favoritos no grupo e na competição. O clube argentino tem sede em Avellaneda, cidade da Grande Buenos Aires, e recebe o apelido de Rei de Copas. O motivo da alcunha não é nada animador para os adversários. O clube nunca perdeu uma final de competição internacional.

O Independiente é o maior vencedor da Copa Libertadores da América. Ao todo são sete taças em sete finais. A maior parte conquistada nas décadas de 1960 e 1970, com direito ao tetracampeonato em 1972-1975. Já na Sul-Americana, o time chegou à final duas vezes e também venceu as duas. Em 2010 bateu o Goiás na decisão. Sete anos depois a vítima foi o Flamengo, no Maracanã. É também o maior vencedor, empatado com o Boca Juniors.
 

Estádio Libertadores da América, em Avellaneda, é a casa do Independiente (Foto: AFP)

Pelos feitos e tamanho, o Independiente é considerado um dos cinco grandes clubes da Argentina. A lista inclui Boca Juniors, River Plate, San Lorenzo e o Racing, principal rival do "Rojo". Uma curiosidade é que o estádio do Independiente, o Libertadores da América, fica a apenas alguns metros de distância do El Cilindro, mando de campo do Racing.

Apesar do histórico de conquistas e de ser um clube temido em competições internacionais, o Independiente não vive os seus melhores momentos. No ano passado o time foi apenas o quinto entre seis na segunda fase da Copa Diego Armando Maradona, equivalente ao torneio nacional e que foi disputada após a pausa nas competições por conta da pandemia do coronavírus.

Na Sul-Americana, o time vermelho foi eliminado nas quartas de final em duelo doméstico com o Lanús e não conseguiu o tricampeonato. Na tentativa de mudança, o clube alterou o comando no futebol e contratou o experiente Julio César Falcioni para o lugar do técnico Lucas Pulsineri.

O treinador de 64 anos ficou marcado no futebol argentino por passagens pelo Boca Juniors, onde venceu o Campeonato Argentino e a Copa da Argentina em 2011, e no Banfield, pelo qual conquistou a primeira divisão em 2009. Atualmente a equipe de Falcioni está quarta colocação do grupo B da liga nacional, com 13 pontos em oito jogos.
 

O atacante Sílvio Romero é um dos destaques do time argentino (Foto: Divulgação/Independiente)

No elenco, o Independiente conta com peças que o Bahia precisa ter muita atenção. Fazem parte da lista o lateral Bustos, os pontas Sebastián Palacios e Jonathan Menéndez, e o centroavante Sílvio Romero, principal referência da equipe e que já soma três gols em seis partidas.


GUABIRÁ (BOLÍVIA)

Nome: Clube Deportivo Guabirá
Fundação: 14 de abril de 1962 (58 anos)
Estádio: Gilberto Parada
Cidade: Montero

Enquanto o Independiente é o todo poderoso, o Deportivo Guabirá inicia a segunda fase da Sul-Americana como o patinho feio do grupo B. A equipe está longe de ser considerada uma das grandes do futebol boliviano. Pelo contrário. Em 58 anos de história o modesto time de Montero - cidade que fica na região metropolitana de Santa Cruz de la Sierra - soma apenas quatro títulos na galeria de troféus.

O mais expressivo foi a Copa Simón Bolívar de 1975. Na época o torneio correspondia ao campeonato nacional da primeira divisão da Bolívia. O Guabirá desbancou o Bolívar e conquistou o título.

Com a criação da Liga de Futebol Profissional, em 1977, a Copa Simón Bolívar deixou de existir. Ela retornou em 1989, como a segunda divisão do país. Nesse novo modelo, o Guabirá venceu as edições de 2007 e 2009. A equipe soma ainda a conquista da Copa Aerosur de 2010, uma espécie de torneio alternativo entre os times das cidades de Santa Cruz de la Sierra, La Paz e Cochabamba.

Em 2021 o Guabirá participará da Sul-Americana pela terceira vez na história. Nas outras duas oportunidades, foi eliminado na primeira fase em 2018, para a LDU, e em 2019, diante do Macará, ambos do Equador.
 

O Guabirá passou pelo também boliviano Nacional de Potosí para se garantir na fase de grupos da Sul-Americana (Foto: Divulgação)

O clube boliviano soma ainda duas participações em Copas Libertadores. Uma em 1976 e outra em 1996. Nas duas vezes foi o lanterna do grupo.

Este ano o Guabirá se credenciou a jogar a fase de grupos da Sul-Americana depois de eliminar o Nacional de Potosí com duas vitórias na fase nacional. O time treinado pelo ex-jogador argentino Víctor Hugo Andrada tem como principal destaque o meia equatoriano Kevin Mina, de 27 anos. Ele é o artilheiro da equipe com três gols em cinco partidas.

Um ponto positivo para o Bahia é que o Guabirá manda os seus jogos no estádio Gilberto Parada, com capacidade para 18 mil pessoas, que fica na cidade de Montero, a 50km de Santa Cruz de la Sierra. Diferentemente de outras regiões da Bolívia, que são temidas pela altitude, o local está apenas 300 metros acima do nível do mar, o que não representará dificuldade para o tricolor.

Uma curiosidade: após a classificação para a segunda fase da Sula, a diretoria do clube premiou elenco e comissão técnica com 250 mil dólares da cota de 900 mil que a agremiação tem direito pela participação no torneio. Os jogadores dividiram 180 mil dólares enquanto os outros 70 mil foram repartidos entre a comissão técnica.


TORQUE CITY

Nome: Montevideo City Toque
Fundação: 26 de dezembro de 2007 (13 anos)
Estádio: Centenário
Cidade: Montevideu, Uruguai

Caso elimine o Fénix na próxima quarta-feira (14), pela primeira fase, o Torque City garantirá participação inédita na etapa internacional de um torneio. O clube uruguaio é mais um na leva de equipes administradas pelo Grupo City - que tem como mais famoso o Manchester City, da Inglaterra -, ao redor do mundo.

Originalmente a equipe foi fundada em 2007, sob o nome de Clube Atlético Torque. Mas em 2017 foi adquirido pelo grupo City e no ano passado mudou radicalmente. Além do nome, que passou para Montevideo City Torque, as cores saíram do vermelho e verde para o azul característico da franquia. O clube mudou também o escudo. 
 

Franquia do Grupo City na América do Sul, o Torque mudou de nome, cores e símbolo para entrar do padrão das outras equipes (Foto: Divulgação)

Desde que passou a integrar o Grupo City, o clube vem recebendo grandes investimentos. Em março, foi inaugurado o novo centro de treinamentos, com 95 mil metros quadrados e estrutura semelhante à de equipes como Manchester, New York City e Melbourne City.

Dentro de campo os resultados também começaram a surgir. Em 2019 o Torque subiu para a primeira divisão uruguaia e na temporada passada brigou por uma vaga na Libertadores. Ficou na quarta posição. 
 

Em março o Torque inaugurou um CT de 95 mil metros quadrados. A ideia é revelar atletas (Foto: Divulgação) 

O time é treinado pelo argentino Pablo Marini, que tem experiência no futebol chileno e mexicano, e conta com uma mescla de promessas e atletas experientes. Entre os atletas que já atraem os olhares do mercado internacional estão o meia Santiago Rodríguez, de 21 anos, e o atacante Matías Cóccaro, que anotou 12 gols na temporada passada. A eles se somam atletas rodados como o meia Arismendi e o goleiro Guruceaga, contratado este ano.

FÉNIX

Nome: Centro Atlético Fénix
Fundação: 7 de julho de 1916 (104 anos)
Estádio: Parque Capurro
Cidade: Montevidéu, Uruguai

Mais tradicional no futebol uruguaio do que o Torque, o Fénix se apresenta como típico clube de bairro uruguaio. Fundado 7 de julho de 1916, El Ave, como a equipe é carinhosamente chamada pelos torcedores, não está perto de ser uma terceira força no país, mas junto aos outros clubes da capital tentam fazer frente ao poderio dos gigantes Nacional e Peñarol.

O Fénix se orgulha de ser o maior vencedor da segunda divisão uruguaia, com sete títulos. Na elite, as melhores campanhas foram a conquista da Liga Pré-Libertadores - disputa para definir o indicado ao principal torneio do continente - em 2002 e 2003, nas duas únicas vezes que participou da competição.

Fora a fase nacional deste ano, a equipe já participou da Sul-Americana em duas oportunidades. Em 2016, foi eliminada na primeira fase pelo Cerro Porteño. No ano passado, o time violeta conseguiu sua melhor campanha, caindo nas oitavas de final ao ser derrotado pelo Independiente, da Argentina.  
 

Mais tradicional no Uruguai, o Fénix disputa com o Torque uma vaga na fase de grupos da Sul-Americana (Foto: Divulgação)

O Fénix costuma mandar os jogos no seu estádio, o Parque Capurro, que fica no bairro que leva o mesmo nome e tem capacidade para apenas 7 mil pessoas. Pela estrutura modesta, não é incomum que jogos mais importantes sejam disputados em outros locais, como o mítico estádio Centenário.

O atual elenco, treinado pelo experiente Juan Ramón Carrasco, conta com dois brasileiros. O lateral esquerdo Lucas Coelho, de 27 anos, que foi revelado pelo Nacional-SP, e o atacante Kaíke, de 25 anos.

Em 2020, o destaque do time que ficou na quinta colocação na liga nacional foi o veterano atacante Maureen Franco, de 37 anos. O jogador anotou 18 gols e terminou como terceiro maior artilheiro do torneio. Caso avance para a fase de grupos da Sul-Americana, Maureen voltará a enfrentar o Bahia após dois anos. Ele estava no time do Liverpool-URU que eliminou o tricolor em 2019.

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