Efeito Fadinha: Rayssa vai de vídeo viral à prata olímpica em 6 anos

esportes
26.07.2021, 21:42:00
Atualizado: 26.07.2021, 21:42:49
Rayssa Leal na Olimpíada de Tóquio (Wander Roberto/COB)

Efeito Fadinha: Rayssa vai de vídeo viral à prata olímpica em 6 anos

Maranhense viralizou em 2015, aos sete anos, ao fazer manobra complicada vestida de fada e, nesta segunda-feira (26), subiu ao pódio em Tóquio-2020

Se você pode sonhar, você pode realizar. Foi com essa frase na mente que Rayssa Leal transformou seu próprio conto de fadas em realidade. Aos 13 anos, a Fadinha tornou-se a brasileira mais jovem a receber uma medalha olímpica, a de prata na categoria street do skate em Tóquio-2020.

A incrível jornada começou a ser escrita no dia 7 de setembro de 2015. Naquele dia, Rayssa saiu com seu vestido azul, com direito a asas nas costas, e foi tentar fazer manobras de skate que aprendia assistindo a vídeos no YouTube. O equipamento havia sido dado de presente a ela por um amigo de seu pai. Mal sabia ele que estaria ajudando a escrever a história de uma heroína olímpica.

Com seu visual que lembrava uma fada, a menina de então 7 anos sofreu alguns tombos até conseguir completar uma manobra considerada dificílima. O vídeo foi postado nas redes sociais e viralizou. Chegou até o americano Tony Hawk, a maior lenda da história do skate, que também compartilhou. 

Com o talento da filha, Haroldo e Lilian, os pais, se dedicaram a levá-la a campeonatos. Primeiro, mirins. Mas logo esses ficaram muito fáceis, e Rayssa foi elevada de categoria, começando a disputar contra adultos. Os desempenhos continuaram excelentes. 

Nos dois Mundiais de skate que competiu, Rayssa levou a prata em São Paulo, em 2019, e o bronze em junho deste ano, em Roma. Atualmente, é a número 2 do ranking, atrás da também brasileira Pâmela Rosa, que foi eliminada em Tóquio-2020 ainda nas classificatórias.

Em agosto de 2019, um mês antes do Mundial, a maranhense esteve em Lauro de Freitas para disputar o Circuito Brasileiro de Skate. Ali, a vaga na Olimpíada podia ser vislumbrada, mas ainda não era garantida.

“Já pensou? O Brasil é um dos países mais fortes que tem no skate, então espero que a gente possa tentar um pódio e uma medalha de ouro”, disse ao CORREIO na época.

Rayssa não só chegou aos Jogos, como tornou-se, do alto de seu 1,45m e 35kg, a mais jovem medalhista olímpica dos últimos 85 anos, desde Berlim-1936. Também virou a atleta mais nova do Brasil a participar de uma edição dos Jogos, quebrando o recorde que pertencia à nadadora Talita Rodrigues, que competiu em Londres-1948 com 13 anos e 11 meses. Rayssa tem 13 anos e 6 meses.

Fenômeno nas redes
Outra coisa que chamou a atenção na entrevista para o CORREIO naquela época foi o fato da maranhense pedir para não ser chamada de Fadinha. Com a adolescência batendo à porta, não queria mais ser conhecida por um apelido de infância. Mas o nome caiu nas graças da torcida brasileira, e Rayssa fez as pazes com Fadinha. Hoje, ela se chama assim nas redes sociais e faz graça.

Rayssa com o visual de fada que viralizou
(Foto: Reprodução/Instagram)

Aliás, ela mesma passou a apelidar os atletas da Vila Olímpica - começou a chamar quase todos de tio e tia. Nem Tony Hawk, o ídolo, escapou. A lenda, que está em Tóquio como correspondente da emissora NBC, reencontrou com a brasileira e virou "tio Toninho" e até "Tonizinhu". Ativa nas redes sociais, Rayssa já passou dos 5 milhões de seguidores no Instagram - e o número segue aumentando.

"Toninho, meu amigo. Na verdade, eu encontrei ele só uma vez hoje. Não, duas. Dei um oizinho, ele me deu um oi de volta. Aí eu pedi uma água a um voluntário, ele veio até mim e falou: "Good luck" [boa sorte]. Enfim, eu fico muito feliz por conhecer essa lenda que me inspira todos os dias. Ele repostou meu vídeo lá no início. Ele gosta muito de mim", falou. 

Durante a disputa em Tóquio, chamou a atenção não só a performance de Rayssa na pista do Ariake Urban Sports Park, como sua postura de leveza. Entre uma manobra e outra, a brasileira passava o tempo dançando. Parecia que estava ali em uma simples brincadeira, sem demonstrar a pressão de estar em uma Olimpíada. Ainda deu tempo de gravar um TikTok ao lado da filipina Margielyn Didal, que também competia na decisão.

Margielyn Didal comemorou com Rayssa a medalha da brasileira
(Foto: Wander Roberto/COB)

"Eu tento ao máximo me divertir. Porque eu tenho certeza que me divertir deixa as coisas fluírem. Elas acontecem naturalmente. E ficar dançando ali é muito engraçado. Eu tento ao máximo ficar mais leve e não pegar a pressão", explicou Rayssa, horas depois de levar a medalha.

Ficou com a prata ao somar 14,64 na final. O ouro foi da japonesa Momiji Nishiya, também de 13 anos - quatro meses mais velha que ela. A também japonesa Funa Nakayama, de 16 anos, anotou 14,49 e levou o bronze. O pódio, aliás, também marcou história: foi o primeiro do skate feminino em Olimpíada, além do mais jovem em qualquer edição dos Jogos.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas