Ele não para? Brincadeiras para fazer com seu filho e ainda manter a forma

salvador
16.05.2020, 05:43:00
Atualizado: 22.05.2020, 11:56:50
A profissional de educação física Leila Maia e sau filha, Lívia (Arquivo pessoal)

Ele não para? Brincadeiras para fazer com seu filho e ainda manter a forma

Como aproveitar a energia da criança para se motivar a queimar algumas calorias

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Diz aí: seu filho ou filha parece que está ‘ligado nos 220’ nessa quarentena? Fica o dia inteiro pedindo a sua atenção e participação? Isso é normal. Crianças estão privadas das coisas que mais gostam, como conviver com outras da mesma idade na escola, brincar com amigos e praticar esporte.

Você, por outro lado, anda com a bateria arriada, né? É normal, também. Medo, estresse e ansiedade do momento em que vivemos, com tantos afazeres de trabalho, domésticos e familiares, acabam tomando mesmo conta do seu corpo e esgotando sua energia.

Que tal, então, juntar o útil ao agradável? Que tal aproveitar toda a energia do seu filho e brincar com ele, motivando-se e queimando algumas calorias? Brincar com as crianças, além de fazer muito bem a elas, pode ser um exercício físico para um adulto.

Para te ajudar, o CORREIO conversou com especialistas em educação física e traz aqui 10 brincadeiras, mais algumas dicas, para você colocar a brincadeira-exercício em prática.

FUNDAMENTAL

Do mesmo jeito que as crianças precisam gastar energia nessa quarentena para se sentirem bem, os adultos também precisam: “Não só no sentindo de buscar a saúde física, mas no sentido de que movimentar-se é cuidar da saúde mental e emocional”, diz a profissional de educação física Leila Maia.

“Há uma porção de hormônios demandados em situações de medo e estresse que acabam adoecendo fisicamente o corpo. Nessa situação precisamos externar nossas emoções, e o exercício é essencial para isso. Senão você estravaza em fugas como comida, bebida, cigarro ou desconta em alguém próximo”, diz a especialista Leila Maia.

Para crianças, os benefícios da prática de atividades físicas são amplos: “Várias pesquisas internacionais já reportam o efeito positivo da prática regular de atividades físicas no desempenho cognitivo. Resumidamente, a prática de exercícios, o sono e a alimentação de qualidade são os três fatores fisiológicos que mais influenciam na aprendizagem escolar”, diz Robson Furlan, mestre em Educação Física.

Robson tem um canal de YouTube e um perfil de Instagram focados na divulgação de aulas e atividades online criadas por ele, que podem ser realizadas pelas crianças sozinhas ou junto dos pais, e que trazem benefícios para todos.

“Tenho destacado nos conteúdos que publico na internet o potencial da atividade física em aumentar a autoestima das crianças, melhorar o humor e potencializar a capacidade de aprendizagem escolar”, diz o especialista Robson Furlan.

O profissional de educação física Paulo Tuchê destaca que a atividade física em casa pode criar uma nova tradição dentro da família, além de contribuir para a cumplicidade e a confiança entre pais e filhos.

“O brincar é um processo de aprendizado para pais e filhos. Além de colaborar para a saúde física e mental, facilitam no conhecimento um do outro, a comunicação, a socialização. Trata-se de um desenvolvimento integral da família nesse momento complicado da história”, diz Paulo Tuchê.


10 EXERCÍCIOS PARA FAZER EM FAMÍLIA


1) Sol e Lua

Imprima ou peça para a criança desenhar um sol, uma lua e uma estrela em pedaçoes de papel diferentes. Coloque uma linha no chão, colocando o sol de um lado e a lua do outro, com a estrela na mão do mestre. Quando o mestre disser ‘sol’, a pessoa deve pular para o lado do sol. Quando disser ‘lua’, para o lado da lua. Quando mostrar a estrela, a pessoa pula no ar afastando braços e pernas.


2) Desafio dos polichinelos

Exercícios perfeitos para trabalhar o fôlego e a coordenação motora – independentemente da idade. Consiste em fazer uma sequência de polichinelos alternando entre manter os pés unidos ou afastá-los. Pode ser feito também afastando os pés lateralmente e frontalmente de maneira alternada. A ideia é ir aumentando a dificuldade a cada nível: pode girar, aumentar o número de repetições, buscar uma sincronia com outra pessoa...


3) Olha o tubarão

Coloque um colchonete, um tapete ou uma toalha no chão, no centro. A regra é que o colchonete é a ‘ilha’ e que todos vão girar em torno dela, no mar. O mestre dá o comando: se for ‘navegar’, é para correr ao redor da ilha. ‘Pirada’ é para pular num pé só. Se for ‘tempestade’, é para andar agachado. ‘Terra à vista’ é para abaixar avançando sobre uma perna. Quando for ‘tubarão’, tem que pular para cima do colchonete.


4) Dança do sorvete

Uma dança com uma coreografia dinâmica e completa: tem agachamento, movimentos de braços e pernas que exigem coordenação motora e equilíbrio das crianças – e que pode ser desafiadora para pais também – e também ritmo. Como a canção muda de velocidade, vai exigir também atenção, reflexo e fôlego.


5) Rolamento para frente

Fazer um rolamento de forma correta é importante para todo o corpo. Exige coordenação motora, flexibilidade e tem muito adulto que cresceu sem conseguir fazer ou sem realizar os movimentos completos. Que tal se desafiar a fazer o rolamento corretamente e também ensinar seu filho?


6) Circuito em família

Nessa brincadeira, a família ganha em interação. As atividades são em par. Podem ser feitas pelo pais e com a criança dando os comandos, ou pelas crianças com os pais dando os comandos... Várias combinações. O importante é coordenar os movimentos para que tudo saia certinho. Cada atividade leva 40 segundo, com 30 de descanso entre elas.


7) Variações de equilíbrio

De maneira simples, com papeis, panos ou objetos de casa, dá para criar uma infinidade de variações que vão trabalhar o equilíbrio e a isonomia do corpo. Basicamente, a ideia é ficar sobre um pé só e mudando de posição. É importante se desafiar a cada nível: trocar de postura, catar objetos no chão, pegá-los no ar ou quicar uma bola.


8) Vivo ou morto e pula-sapo

Essas boas e velhas brincadeiras também servem como exercício. Já reparou que é quase um agachamento quando alguém diz ‘morto’ e você tem que ficar de cócoras? É só fazer o movimento direitinho. O outro, pula-sapo, também é bem conhecido: uma pessoa se abaixa e a outra pula por cima dela.


9) Amarelinha e siga o mestre

A boa e velha amarelinha é desafiadora e também serve como atividade aeróbica, de saltos, e ainda trabalha o equilíbrio em qualquer idade. Dá para dificultar o exercício ao passar por baixo das pernas do adulto ou da criança ao terminar o circuito, por exemplo. Na também antiga brincadeira de ‘siga o mestre’ dá para introduzir alguns exercícios nas poses, como prancha, abdominal, agachamento, burpee e por aí vai.


10) Pular corda

Brincadeira de criança que nas academias em geral – luta, musculação ou crossfit – ainda se pratica, e muito. Claro, trata-se de um ótimo exercício aeróbico que exige coordenação e ainda trabalha as pernas. Adultos podem brincar num ritmo mais acelerado e inclusive se agachando entre um pulo e outro.

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS


Exemplo tem que partir dos pais

Ainda que o pai ou a mãe não seja nenhum atleta, participar de exercícios com a criança já é um baita estímulo para que ela aceite a atividade física na sua rotina. Os especialistas em educação infantil afirmam que o exemplo dos pais é um dos fatores que mais pesam na forma como a criança vai encarar o esporte: pais ativos tendem a ter filhos ativos e pais sedentários, a ter filhos sedentários.

“Para pais sedentários, o primeiro desafio é a conscientização. Precisam entender como a atividade física é importante para a formação da criança. Porém, só compreender isso não é suficiente: O pai ou a mãe precisam agir”, diz o professor Robson Furlan. “Entender que é o melhor modelo para o filho e que as crianças aprendem pelo exemplo. A ideia de ‘faça o que eu digo, não faça o que eu faço’ não funciona com elas. Participar da prática deixa de ser uma obrigação e passar a ser um gesto de cuidado com o filho”.


É brincadeira, mas também é coisa séria!

Além da parte lúdica e divertida das brincadeiras e de ‘queimar’ a energia acumulada, é importante que as crianças aprendam a executar bem os movimentos. Pais precisam estar atentos a isso: incentive seu filho a realizar o movimento completo, amplo. Não é mero entretenimento. “Quando as  crianças aprendem a realizar bem as habilidades motoras e a dominar o próprio corpo, elas adquirem ‘competência motora’”, diz Robson Furlan, profissional especialista em educação física infantil.

“Crianças com baixa competência motora não se sentem confiantes em relação às próprias habilidades. Elas acabam ficando inseguras ao perceberem que os colegas são mais habilidosos nesse sentido e, por isso, na maioria das vezes, não apresentam interesse pelas atividades físicas que são propostas”, conta o professor. Assim, as crianças aos poucos vão desenvolvendo gosto pelos exercícios.


Relação pode ser de ganho mútuo

Muitos pais podem não ter tempo, na rotina habitual, para praticar exercícios. Ou podem achar chato praticá-los sozinhos, numa academia. Sendo assim, fazer alguma atividade ao lado dos filhos pode servir de incentivo. “É um momento de reflexão, de olhar por uma outra perspectiva para a atividade física, de buscar um estilo de vida mais ativo. E por que não iniciar com os filhos?”, diz a profissional de educação física Leila Maia.

Para a brincadeira tornar-se um treinamento nessa quarentena, é preciso organização e desafios constantes: “Não é brincar cinco minutos de qualquer jeito e largar. Se o pai se organizar e fizer de 20 a 30 minutos de brincadeiras coordenadas todos os dias com os filhos, isso já se torna um exercício físico. É bom desafiar o corpo também, trazendo aos poucos mais duração e intensidade às atividades”, orienta Leila.


Vá na brincadeira, mas vá com cuidado

Não é brincadeira: mesmo a mais lúdica das atividades ao lado do filho pode, sim, gastar muitas calorias. Os pais podem adaptar o nível de dificuldade para si a depender do hábito de praticar exercícios. Para os mais sedentários, cuidado, pois qualquer corrida já pode dar cansaço. Para os que têm alguma prática, vale agachar mais, saltar mais, correr elevando mais os joelhos ou ficar em posição de isometria quando pararem sobre uma perna só. A ideia é respeitar o próprio corpo e se desafiar.

“Para os pais mais sedentários as atividades que passo, apesar de parecerem simples, vão exigir bastante. Veja, minha esposa não pratica atividade física com tanta frequência. Na live especial do Dia das Mães que fizemos ela topou me ajudar. Dois dias após a live ela ainda estava com algumas dores musculares, sinal de que foram exercícios que exigiram bastante do corpo dela”, conta o professor Robson Furlan.

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