Escolas particulares aumentam mensalidade em até 12% para 2022; veja lista

salvador
15.11.2021, 06:00:00
Atualizado: 15.11.2021, 19:11:00
Colégio Asas, em Feira de Santana, manteve mensalidade para 2022 (Divulgação/Colégio Asas)

Escolas particulares aumentam mensalidade em até 12% para 2022; veja lista

Motivos são inflação e aumento dos custos operacionais

O texto foi editado às 13h30, desta segunda-feira (15), porque uma das escolas consultadas mudou o valor do reajuste da mensalidade após a publicação desta matéria.

As escolas particulares de Salvador vão encarecer as mensalidades para o ano letivo de 2022. De acordo com um levantamento do CORREIO, que buscou 31 escolas e obteve resposta de 12 delas (veja quadro), o aumento das parcelas pode chegar a até 12%, comparado a 2021. Os gestores relatam que o reajuste foi feito com base na inflação, que subiu 10,25% nos últimos 10 meses, de acordo com o último Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O Colégio Montessoriano, na Boca do Rio, foi o que teve o maior reajuste do levantamento, Na escola, que tem alunos do Ensino Infantil ao Médio, a correção da mensalidade está em torno de 12%, de acordo com a diretora, Lúcia Matos. No último ano, a direção preferiu não repassar o aumento para os estudantes. Já em 2019, essa alta foi de 8%.  

Mesmo com o aumento, as matrículas não deixaram de ser feitas pelos pais. “As matrículas estão com procura acima da média. O grupo 3, que não teve procura ano passado, este ano está quase chegando a 50% de ocupação. Essa turma é a primeira a fechar, tradicionalmente. A procura nos dá um indicador de que estamos retomando um processo de normalidade”, avalia Lúcia. Pelo menos um quarto dos estudantes de 2021 fizeram a rematrícula para 2022. 

Famílias tentam descontos

A confeiteira Naiane Moraes decidiu manter o filho no Montessoriano, mesmo com a alta na mensalidade. “Apesar do reajuste ter sido maior do que nos anos anteriores, ainda está mais em conta do que em outras escolas, por causa dos convênios que eles oferecem. Entendo a necessidade do reajuste, mas está pesado para todo mundo. Estamos vivendo uma crise, desde a pandemia, sem precedentes”, comenta Naiane.

Os descontos são de 20%, mais 5% de fidelidade, pelo marido trabalhar no Tribunal Superior Eleitoral. Além disso, quem paga antecipado, ganha outros 5% de redução. “Já estabelecemos a antecipação como nossa data de pagamento”, revela a confeiteira. O filho dela irá para o 6º ano no ano que vem e estuda no colégio desde o grupo 3.

Naiane Moraes, mãe de Samuel, optou por manter o filho no Montessoriano, mesmo com o reajuste

(Foto> Acervo Pessoal da Família) 

Para a fisioterapeuta Suênia Rocha, qualquer aumento na mensalidade impacta no orçamento da família. “Qualquer reajuste vai impactar, pois, com o cenário atual, onde a inflação cada dia aumenta, meu poder aquisitivo só tem diminuído”, declara Suênia, que ainda não sabe de quanto será o valor para 2022. O filho dela, de 15 anos, estuda no Colégio Antônio Vieira. “Sofri redução na minha renda. Então, para manter o pagamento sem atrasos, precisei cortar despesas supérfluas”, conta, citando viagens, cinema e saída para restaurantes. 

O salário fixo de Suênia não sofreu alteração, mas os atendimentos particulares que fazia em domicílio foram suspensos. “Com a pandemia, perdi essa renda e era um valor significativo que se somava à minha renda fixa”, explica. A fisioterapeuta diz que o colégio é aberto ao diálogo para situações financeiras, mas que ela nunca conseguiu bolsa de estudos. “Já me inscrevi algumas vezes, mas não fui contemplada. O que consegui foi um desconto de 10%, que ajuda um pouco”, completa. Ela enviou uma solicitação para 2022, mas ainda não obteve resultado. 

No Sartre COC, o reajuste é de 8,5%. Para a primeira e segunda série do ensino médio, os valores, que eram R$ 2.216,52, passarão para R$ 2.404,71. Porém, quem faz a rematrícula adiantada, continua pagando a mensalidade de 2021, como a secretária Ana Faria, que sempre aproveita para matricular antes do prazo:

"Sempre faço adiantado porque dá para parcelar em mais vezes e eles mantêm o valor do ano atual. Estou pagando a rematrícula sem o reajuste de 2022”.  

No Colégio Adventista, a alta foi de 10%. Nos colégios Miró e Novo Educar, o acréscimo será de 10,34% e 10%, respectivamente. No Miró, o valor sairá de R$ 1.800 para R$ 2.080, na Educação Infantil. No Novo Educar, a mensalidade vai de R$ 250 para R$ 275 no Ensino Fundamental I.

Segundo o dono do Miró, Jorge Tadeu Coelho, também presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe), não houve reajuste no ano passado. "As escolas particulares agiram nestes dois anos de pandemia de duas formas: ou não reajustaram nada ou fizeram um reajuste no ano passado. Os reajustes variam de acordo com a situação econômico-financeira de cada escola. O Miró só reajustou agora", esclarece.

No Centro Educacional Maria José, o aumento será de 8,5%, de R$ 806 para R$ 875 no Ensino Fundamental II. O menor percentual foi registrado na Escola Arco Íris, em Brotas, de 5%. O Fundamental I aumentou de R$ 1.430 para R$ 1501,50 e o Infantil de R$ 1300 para R$ 1365. A Escola Concept, na Avenida Orlando Gomes, terá reajuste de R$ 4.428 para R$ 4.800 no primeiro ano do Ensino Médio. O Anchieta e a Gurilândia ainda não definiram, mas estimam que o percentual seja de 6% e entre 8 e 10%, respectivamente. 

Escolas têm liberdade para definir reajuste 

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA), Nelson Souza, o índice de reajuste é definido por cada escola. “Não existe um índice de reajuste igual para todas as escolas e elas não têm obrigação de repassar para o sindicato. Mas, de acordo com a lei 9.870/1999, a mensalidade escolar deve ser de acordo com o custo de cada estabelecimento”, explica Souza.  

O vice-presidente do Sinepe esclarece que os colégios precisam apresentar uma planilha de aumento de custos ou investimentos, como reformas, construção de nova quadra ou piscina, no edital de matrícula, para os responsáveis dos estudantes. “Essa planilha deve ser disponibilizada 45 dias antes do encerramento das matrículas, para o pai ou mãe do aluno ver porque a escola está aplicando reajuste de x%”, completa..  

Modelo ainda incerto para as aulas

A expectativa é que as aulas em 2022 sejam 100% presenciais, mas ainda é preciso aval dos governos municipal e estadual.  No Colégio Antônio Vieira (CAV), as inscrições para a matrícula do ano que vem começaram em julho. Porém, a matrícula de fato só começa, oficialmente, em dezembro, para alunos novos e veteranos. 

“Por enquanto, está em vigor o decreto que prevê o retorno 100% presencial para os que assim optarem, considerando a redução do distanciamento para 1 metro. A maioria optou pelo presencial. Mas a escola está pronta para atender o que as autoridades e órgãos competentes definirem, a partir da análise que eles fazem dos indicadores da pandemia”, declarou o CAV, pela assessoria de comunicação.

O Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE-BA), que define as diretrizes pedagógicas, ainda não deliberou sobre qual modelo será adotado. Até então, o que vale é o regime especial enquanto perdurar a pandemia. Não há previsão do CEE deliberar sobre o tema.

A Escola Cresça e Apareça já tem 80% dos alunos matriculados, cobrando o valor de 2021. Ela ainda não definiu qual será o reajuste para 2022. As escolas Tempo de Criança, Oficina, Colégio São Paulo, Tempo de Crescer, Lápis de Cor, Nossa Senhora do Resgate, Marista, Escola Pode Fazer, Lua Nova, Kimino e o Módulo Criarte também não definiram o reajuste para 2022. 

O Grupo de Valorização da Educação (GVE), que reúne cerca de 60 escolas particulares de Salvador e Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, informou que "não está discutindo reajustes de mensalidade nesse momento”, pois muita coisa precisa ser definida ainda para o próximo ano, como a metragem do distanciamento, modelo de ensino e aferição de temperatura.

Os colégios Módulo, Bernoulli, Sartre, Pan Americano, São José, Anchieta e São Paulo foram procurados, mas não responderam até o fechamento da edição às 23h de ontem. A reportagem ainda procurou a Secretaria Municipal de Educação (Smed) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), que não enviaram respostas. A Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) não tinha dados sobre o tema, já que não houve, ainda, reclamação dos pais sobre o aumento das mensalidades. O órgão acrescentou que não é obrigatório que as escolas informem o percentual de reajuste.

Colégio Asas, em Feira, mantém preços em respeito às famílias 

O Colégio Asas, em Feira de Santana, cidade localizada a 100 quilômetros de Salvador, decidiu não aumentar as mensalidades para 2022, em respeito às famílias que passam por dificuldades financeiras. Em 2021, o colégio, inclusive, reduziu a mensalidade entre 25% e 30% para os alunos. “Diante do grande desafio e responsabilidade social com a comunidade de pais e seus familiares, conservamos as mensalidades de 2021 para o ano de 2022”, explica a diretora geral da Escola Asas de Papel e Colégio Asas, Geane Cerqueira. Os espaços têm cerca de mil estudantes e existem há 23 anos.

De acordo com a direção, essa decisão foi tomada para atender à condição financeira dos pais e ao protocolo socioemocional orientado pelo Conselho Nacional de Educação. “Sabemos que não foi uma decisão fácil, devido aos reais impactos financeiros sofridos por muitas escolas, e que necessitam de um orçamento equilibrado para efetivação de um serviço de qualidade que não tem preço: a educação. Contudo, permaneceremos com todas as mensalidades da nossa instituição”, acrescenta Geane. 

Percentuais de reajuste para 2022:
Sartre Coc - 8,5%
Colégio Adventista - 10%
Colégio Montessoriano - em torno de 12%
Colégio Miró - 10,34%
Escola Arco Íris - 5%
Gurilândia - entre 8 e 10%
Colégio Novo Educar - 10%
Colégio Anchieta - em torno de 6%
Centro Educacional Maria José - 8,5%
Escola Concept - 8,4%
Colégio Asas (Feira de Santana) - 0%

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