Fafá de Belém mata saudades dos fãs de Salvador, onde estreou em 1975

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05.09.2012, 13:28:00
Atualizado: 05.09.2012, 13:31:04

Fafá de Belém mata saudades dos fãs de Salvador, onde estreou em 1975

A artista vai apresentar seus principais clássicos, como Nuvem de Lágrimas, Vermelho, Abandonada e Coração do Agreste

Salvatore Carrozzo
salvatore.carrozzo@redebahia.com.br

Fafá de Belém saiu ainda adolescente da capital doPará, sua cidade natal, para o Rio de Janeiro, onde estourou no país e também no exterior – ela é adorada em Portugal, sua segunda casa. Mas seu começo é intimamente ligado à Bahia. “Foi o estado que me mostrou o caminho”, afirma a cantora, 56 anos.
Fafá diz estar com saudades dos palcos baianos (“já são quase 10 anos do último show aí”). O hiato acaba sexta-feira, quando ela iniciar o primeiro dos três shows programados para Salvador, no Cine Teatro Sesc Casa do Comércio, em comemoração aos 66 anos do Sesc. As outras apresentações acontecem sábado e domingo.


Fafá fez seu primeiro show profissional no Teatro Vila Velha (Foto: Divulgação)

Os fãs podem ir preparados, pois a artista vai apresentar seus principais clássicos, como Nuvem de Lágrimas, Vermelho, Abandonada e Coração do Agreste. Haja coração! Principalmente o de Fafá, uma chorona confessa.
 A estreia profissional da paraense foi no Teatro Vila Velha, em Salvador, em 1975. “Fui para fazer duas semanas de shows e acabei ficando três meses na cidade”, conta a artista, soltando sua conhecida e gostosa gargalhada. E ela tem boas recordações daquele Verão. “Fiquei na casa de Djalma Corrêa (músico mineiro, hoje com 69 anos) em Amaralina. Conheci foi é gente naquela época”, diz.

Fafá de Belém não caiu de paraquedas por aqui. Tudo começou em 1973. O produtor musical baiano Roberto Santana, então na Polygram, estava em Belém, por conta de um show da turnê de Vinicius de Moraes (1913– 1980) e Toquinho. Acabou conhecendo a menina de 15 anos, que se reunia com amigos para cantar em um bar antes dele abrir ao público; quando  começava a funcionar, os menores tinham de ir embora.

“Apareceu aquele homem com cara estranha, perguntando se eu queria gravar. Aí eu disse para ele ir falar com meu pai. No dia seguinte, estava ele lá na sala de estar”, relembra. Foram dois anos de troca de correspondências até a coisa engrenar.

Gabriela do Pará
E foi o mesmo Roberto quem acabou com a farra baiana de Fafá em 1975. “Ele me ligou com aquele vozeirão perguntando o que eu ainda estava fazendo em Salvador, falando para ir ao Rio”, conta. E Fafá foi. Quase 30 anos depois, ela relembra o período. “Não tinha noção de nada, era apenas uma menina de Belém querendo cantar”, recorda.

O nome artístico de Maria de Fátima Palha de Figueiredo, aliás, foi ideia de Roberto. “Eu queria usar o nome de minha família. Mas aí ele chegou no Rio dizendo que tinha conhecido uma cantora, a Fafá lá de Belém”. Maria de Fátima acabou aceitando a sugestão do produtor, pai do cantor Lucas Santtana e que foi produtor de  nomes importantes da MPB como Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Com um lado espiritual profundo, Fafá acredita em sincronicidade cósmica. E foi o universo conspirando que a levou ao Rio naquele ano. Estava tudo certo para a cantora baiana Maria Creuza gravar Filho da Bahia, composição de Walter Queiroz para a primeira versão da novela Gabriela, com Sonia Braga no papel principal. Mas Maria Creuza teve uma crise renal às vésperas da gravação e precisou ser submetida a uma cirurgia.

E lá foi Fafá começando com o pé direito. A canção também integra a trilha da regravação de Gabriela, atualmente exibida pela Globo/TV Bahia. Para completar, Pauapixuna, música de seu segundo disco, Água (1977), está na novela Amor, Eterno Amor. Segundo a artista, estar em novelas é sempre uma oportunidade única para o público redescobrir seu trabalho.

Novos talentos
E por falar em descobertas, Fafá comemora o boom que a música paraense vive atualmente no país. Diz admirar o trabalho de Gaby Amarantos e Felipe Cordeiro e o resgate de artistas mais antigos, como Dona Onete, “uma senhora de 70 anos que fala de sensualidade de uma forma linda”.
Ela espera que o entusiasmo não seja passageiro. “Essa cultura da celebridade está afastando o Brasil do Brasil. Por isso acho interessante trabalhos como o de Tulipa Ruiz, Criolo, entre outros da nova cena”.

 Em cada gargalhada que dá, Fafá mostra que convive muito bem consigo mesma e que o passar do tempo não pesa muito em sua vida. “Acho que quebrei paradigmas. Quando cheguei ao Rio, eu tinha dez quilos a mais que as outras cantoras”, conta. A inspiração para os vestidos bem decotados veio de filmes com a italiana Sophia Loren.

Numa boa
E foi desse jeito brejeiro que Fafá contrariou os padrões caretas dos anos 70, mergulhados na ditadura militar. Na década seguinte, engrossou o caldo de artistas que apoiaram as Diretas Já, movimento pela redemocratização. Cantou o Hino Nacional em comícios e entrou de vez para o imaginário popular.

Fafá enfrenta tudo de peito aberto. Assim como a polêmica surgida na internet no ano passado, quando foi publicado um vídeo no qual ela, em uma música, compara Daniela Mercury a uma galinha. “O pessoal tirou do contexto. Eu estava no bloco Quanta Ladeira, do Carnaval de Recife. A ala de compositores fez a letra e passou a bola para mim. Daniela deve saber que o Quanta Ladeira esculhamba com todo mundo, até comigo. Acredito que não há mágoas”, afirma, sempre numa boa. Depois de Salvador, Fafá vai direto para Portugal, descansar. “Voltarei linda, loira e japonesa”, diz. Entre gargalhadas, claro.

Com riso solto
Show: Comemoração dos 66 anos do Sesc
Artista: Fafá de Belém
Local: Cine Teatro Sesc Casa do Comércio, no Caminho das Árvores
Data: Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 20h
Ingresso: R$ 60/R$ 30. Vendas na bilheteria do teatro


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