Idoso morto nos Mares tinha R$ 2,5 mil no bolso, mas nada foi levado

salvador
28.10.2021, 05:15:00
Atualizado: 28.10.2021, 07:22:18
(Bruno Wendel/CORREIO)

Idoso morto nos Mares tinha R$ 2,5 mil no bolso, mas nada foi levado

Criminoso descrito era forte, usava um chapéu grande de palha e uma máscara

Moradores da Rua Araújo Bulcão, no bairro da Calçada, estão intrigados com a morte do idoso Oberdan Rodrigues Hermano, 74 anos, baleado na cabeça nessa terça-feira (26). Segundo testemunhas, o assassino atirou sem nada dizer e fugiu andando sem levar sequer um real da vítima, que teria acabado de sacar uma grande quantia numa agência bancária a poucos metros da cena do crime.

"É estranho porque ele era uma pessoa tranquila, que todo mundo gostava, era sempre brincalhão. O que a gente ficou sabendo é que não houve voz de assalto e nem teve tempo pra ele reagir. O cara chegou, atirou e foi embora andando, como se nada tivesse acontecido. E o mais estranho é que o idoso estava cheio de dinheiro no bolso, tinha acabado de sacar R$ 2,5 mil e o assassino não quis nada. O autor estava atrás de um trailer esperando o idoso. Com certeza, encomendaram a morte dele", contou o vendedor de uma loja situada em frente à rua. 

O crime é  investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios/BTS e a motivação ainda é desconhecida.  Apesar de a PC informar que a autoria está sendo apurada, testemunhas disseram que a execução do idoso teve a participação direta de um único homem. O criminoso descrito era forte, usava um chapéu grande de palha e uma máscara, como a maioria das pessoas para evitar o contágio e transmissão da covid-19. "Mas tudo isso era para não ser descoberto, tanto que saiu andando", detalhou. 

idoso foi morto após deixar banco, mas autor não anunciou assalto e não levou dinheiro  (Reprodução)  

Imóveis
Segundo testemunhas, Oberdan era dono de quatro casas e dois apartamentos no bairro de Roma, onde morava. A maioria dos imóveis foi comprado quando ele retornou dos Estados Unidos, onde passou mais de 20 anos. "Ele já tinha retornado à Bahia também há muito tempo, quando casou e alguns anos depois se separou. Atualmente morava sozinho', contou um ambulante que conhecia a vítima. O crime aconteceu por volta do meio dia. "É um horário que muita gente passa aqui, mas o cara não estava nem aí",  relatou. 

Ainda na versão das testemunhas, Oberdan tinha acabado de sair da agência nada Caixa Econômica Federal, cuja lateral direita fica na Rua Araújo Bulcão. "O cara estava na rua há bastante tempo, atrás do trailer , aguardando. Quando o idoso passou, ele se aproximou em passos largos, caminhou ao lado dele, sacou um revólver e deu um tiro à queima-roupa no lado esquerdo da cabeça. Enquanto todo mundo corria, ele caminhava tranquilo, em direção ao Largo de Roma" , contou. 

Moradores de Roma acordaram se perguntando o motivo e quem teria interesse na morte de Oberdan. "Ele era uma pessoa simples, apesar do patrimônio que tinha. Foi surpresa pra todos nós. Quando disseram que ele foi morto após sair do banco, e pela quantia que sacou, logo pensei: ' ele reagiu a um assalto'. Mas não foi nada disso. Pelo o que fiquei sabendo, o cara não deu voz de assalto. Se aproximou e atirou. A gente espera uma resposta rápida da polícia, porque todo mundo aqui gostava dele", disse um morador.

Uma senhora que mora no bairro e que tem um bar, disse que já atendeu o idoso várias vezes. "Uma pessoa muito educada. Já esteve aqui mais de uma vez, sempre usando bermuda, camiseta e chinelo. Ele sentava e só comprava água. Ele não bebia. Às vezes o português dele não era muito claro, porque adquiriu o sotaque de quando morava nos Estados Unidos. Era uma pessoa do bem. Espero que peguem quem fez ou mandou fazer essa atrocidade com ele", declarou.

Ainda de acordo com moradores, os filhos de Oberdan moram nos Estados Unidos. A ex-mulher dele moraria em Roma, mas não foi encontrada pela equipe de reportagem, assim como parentes. 
 

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