Lembra deles? Cinco hotéis em Salvador fecharam na pandemia e não reabriram

bahia
21.07.2021, 06:00:00
Marazul, na Barra, ainda não reabriu na pandemia (Arisson Marinho/CORREIO)

Lembra deles? Cinco hotéis em Salvador fecharam na pandemia e não reabriram

Setor ainda amarga prejuízos, mas se mantém otimista para os próximos meses

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A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA) aponta que de 5% a 10% dos hotéis de Salvador estão fechados temporariamente por conta da pandemia. Ao menos cinco foram identificados: Hotel Marazul, Novotel Salvador Rio Vermelho, Hotel Vila Velha, Sotero Hotel e Hotel Bahia Lodge. Os estabelecimentos que não fecharam seguem amargando os prejuízos de R$ 600 milhões e 30% de funcionários demitidos calculados para 2020, de acordo com um levantamento da ABIH-BA. Apesar disso, a expectativa é de que, com a vacinação e a retomada das atividades na cidade, as taxas de ocupação subam no segundo semestre e o setor tenha grande fluxo de turistas no próximo Verão. 

O telefone e o site do Hotel Marazul, que fica na Barra, estão desativados, assim como é o caso do Hotel Vila Velha, no Corredor da Vitória. Em relação ao Hotel Bahia Lodge, no Rio Vermelho, um funcionário que atendeu o telefone que aparece no site de buscas informou que o local está desativado desde abril de 2020. O CORREIO entrou em contato com o diretor do Novotel Salvador, também no Rio Vermelho. Ele informou que o local foi fechado em março de 2020 por conta da pandemia e que agora está em reforma, com previsão de retomada para 24 de setembro deste ano. 

Hotel Sotero, no Stiep, suspendeu atendimento (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

O Sotero Hotel comunicou o fechamento por tempo indeterminado através das redes sociais. A nota informa que “Dada a incerteza que existe e está além do nosso controle, o Sotero Hotel suspendeu temporariamente, suas atividades a partir de 23/3/2020”. O comunicado acrescenta: “Independente das autoridades públicas não terem deliberado sobre o fechamento de hotéis, nós individualmente decidimos por isso para prezar pela saúde da nossa comunidade”. 

Cenário do setor
O Relatório de Diária Média e Ocupação dos hotéis de Salvador, divulgado pela Federação Baiana de Turismo e Hospitalidade do Estado da Bahia (FeTur-BA) aponta que, em junho deste ano, os 19 principais estabelecimentos da cidade fecharam o mês com ocupação média de 31,24%. O índice é bem maior do que os 17,83% alcançados no mesmo período de 2020, mas ainda não é positivo. A média de junho de 2019, quando não existia a pandemia, foi de 52,67%. 

O presidente da ABIH-BA, Luciano Lopes, aponta que a média ainda é preocupante. “É um número que possibilita apenas pagar os custos fixos que um hotel tem, que são muito altos por conta da quantidade de funcionários e dos impostos. Muitos hotéis recorreram a capital de giro, créditos, estão colocando recursos próprios, justamente para não fechar as portas. O ideal é que se tenha ao menos 50% para atingir um ponto de equilíbrio e começar a cobrir os custos e despesas”, diz. 

Hotéis fechados durante a pandemia estão danificados (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Dos hotéis listados pela FeTur, apenas dois fecharam junho com taxa de ocupação acima de 50% (54% e 63%). Também dois estão na faixa entre 40% e 50%. Na casa dos 30%, são oito. Já na faixa entre 20% e 30%, são cinco. Por fim, dois hotéis aparecem com taxas abaixo dos 20% (12% e 15%). 

A proprietária do Hotel Fiesta, Liliane Pinheiro, concorda que a situação ainda é delicada para a hotelaria. Por lá, a taxa de ocupação de junho ficou na casa dos 30%, mas ela explica que o número não se deve à movimentação turística, mas a um contrato feito para receber funcionários de uma empresa que veio prestar serviços em Salvador.

“Nenhum hotel é capaz de se manter sozinho com 30% de ocupação. Uma taxa confortável seria entre 60% e 70%”, aponta Liliane.

Ela diz que, no ano passado, precisou investir dinheiro próprio no hotel e também demitir 50% dos funcionários para conseguir manter as portas abertas. “Muitos hotéis buscaram financiamento e agora estão tendo que pagar esses empréstimos. Esse não foi o nosso caso, mas nós tivemos que injetar capital próprio no negócio. Além disso, tivemos que cortar gastos e demitimos mais de 50% dos funcionários”, conta. 

Apesar de tudo isso, a proprietária se mantém otimista para os próximos meses. “A cada avanço na vacinação e no processo de retomada de atividades, é uma esperança a mais. É possível que as pessoas estejam começando a se sentir mais seguras agora e isso faz com que a gente tenha a expectativa de ter um verão bom, com bastante movimentação turística. Também já temos uma procura por eventos corporativos para 2022 e é possível que essa procura chegue para ainda esse ano também”, finaliza. 

A situação do Grande Hotel da Barra é parecida, mas, por lá, a taxa média de ocupação de junho foi mais confortável: 54,08%. O diretor do hotel, Manolo Garrido, diz que os finais de semana têm apresentado bons resultados e, durante a semana, a taxa volta a cair. No momento, quem mais está fazendo reservas são os turistas do Sul e Sudeste do país. “Na semana passada, tivemos hóspedes que vieram por conta do feriado da Revolução Constitucionalista, de 9 de julho, em São Paulo. Aí a ocupação foi boa”, explica Garrido.

Mas, segundo o proprietário, o momento não é ainda de comemoração. Ele diz que a receita financeira está sendo usada para cobrir as despesas e não possibilita a formação de caixa. O hotel, assim como o Fiesta, também enfrentou bastante dificuldade em 2020. “Nós tivemos que pegar crédito com um banco no ano passado para o fluxo de caixa. Ficamos fechados do final de março até agosto porque não tinha como manter um hotel sem hóspedes e demitimos muitos funcionários, deixando poucos somente para a manutenção”.

Garrido explica que, ao reabrir, conseguiu readmitir uma parte dos funcionários e a situação melhorou, mas, com a chegada da segunda onda, o otimismo precisou de uma pausa, até retornar recentemente. “Em março deste ano, tivemos uma segunda onda e voltamos à estaca zero. Agora, as coisas começam a melhorar. Não nos recuperamos ainda, mas a perspectiva é de melhora a cada dia. Os números da pandemia estão caindo e a primavera vai chegar em setembro, então temos esperança”, finaliza. 

Otimismo para os próximos meses

Apesar dos dias difíceis, os índices de ocupação estão apresentando uma melhora, mesmo que discreta, a cada mês. De acordo com o levantamento da FeTur, em janeiro e fevereiro, as taxas foram mais elevadas, por conta da alta estação, representando 50,95% e 39,43%, respectivamente. Em março, a queda é acentuada e a média vai para 18,93%, mas, em abril, sobe para 21,39% e, em maio, para 29,29%. Como citado no início da reportagem, a média de junho foi de 31, 24%. 
 
De acordo com a ABIH-BA, a gradual retomada impactou também na diária média que apresentou crescimento em relação ao mês anterior, passando de R$ 328,13 em maio para R$ 338,58 em junho. Se excluídas as informações referentes aos hotéis de luxo, tem-se uma diária média em junho de R$ 238,31. 
 
Para a ABIH-BA, a Fase Verde de retomada das atividades, ativada no último dia 9 em Salvador, deve aumentar o fluxo de turistas e desperta otimismo no setor hoteleiro. De acordo com Luciano Lopes, presidente da Associação, a abertura das praias, bares e restaurantes, além da ampliação do horário de funcionamento do comércio, parques, espaços de convenções e centros culturais, vão possibilitar o incremento do fluxo de turistas na cidade.

“Pesquisas apontam que Salvador é um dos destinos mais desejados, por isso é necessário que as atrações turísticas estejam disponíveis para completar a rica experiência da visitação. A hotelaria está preparada para atender a todos com os protocolos de segurança”, relata Lopes. 

“O foco é que as pessoas tenham vontade de viajar e se sintam seguras para fazer isso. A recuperação para os patamares de antes da pandemia ainda vai demorar um pouco porque é um processo lento, mas esperamos chegar ao final do ano com ocupação na casa dos 50% e, no segundo semestre de 2022, voltar ao patamar de onde paramos”, finaliza o presidente. 

O que dizem as pesquisas do IBGE?

Após quatro quedas consecutivas, os serviços turísticos na Bahia tiveram os maiores aumentos do país e da série histórica iniciada em 2011, tanto de abril para maio deste ano (52,6%) quanto de maio de 2020 para maio de 2021 (200,3%). Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE no dia 13. A Bahia teve desempenho de abril para maio melhor do que os 12 estados pesquisados, ficando à frente da média do país, que foi de 18,2%. 

No confronto com o mesmo mês do ano anterior, a Bahia também teve, em maio, o maior aumento no volume de serviços ligados ao turismo na série histórica, que se iniciou em 2012 para esse indicador (200,3%). O resultado se deu frente à forte queda registrada em maio de 2020 (-72,2%). A Bahia também mostrou o melhor resultado do país, quase o dobro do registrado no Brasil como um todo (102,2%). 

Nos primeiros cinco meses de 2021, os serviços ligados ao turismo na Bahia apresentaram crescimento (4,2%), em um resultado acima do país como um todo (-5,5%). É a primeira vez, em 2021, que o estado tem alta nesse indicador acumulado. Porém, no acumulado nos 12 meses encerrados em maio, os serviços turísticos baianos ainda mostram queda (-27,2%). Todos os estados têm recuo nesse indicador, com o resultado nacional (-29,7%) sendo inferior ao registrado na Bahia.

Em busca de hóspedes

Procurando alternativas para atrair hóspedes durante a pandemia, muitos hotéis têm implementado promoções, parcerias e iniciativas para conquistar público. O Pisa Plaza Hotel, no Stiep, está voltado agora para o público local. Além de estacionamento gratuito para hóspedes, oferece também a opção de Day Use, um pacote em que o valor é pago por pessoa e dá direito a utilização da estrutura do hotel, sem pernoite, por até 20% do valor de uma diária. Também há descontos de até 15% para quem realiza reserva com antecedência e para quem opta por um pacote com uma maior quantidade de diárias. 

Já o Quality Hotel, também no Stiep, inaugurou uma sala preparada para eventos híbridos, com estrutura para transmissão ao vivo em redes sociais. A sala possui sistema de imagem e som interligado digitalmente, com microfone, painel de LED, iluminação e câmeras. Toda a estrutura, que pode ser usada por até 10 horas, sai pelo valor de R$ 7 mil. A reserva pode ser feita pelo e-mail eventos.qssa@atlanticahotels.com.br ou pelo telefone (71) 3617-3395. 

No Gran Hotel Stella Maris, o foco é nas famílias e, com a hospedagem do casal, está sendo ofertada gratuidade para duas crianças de até 10 anos. Se a escolha for por hospedagem com café da manhã e jantar, o preço da diária sai por a partir de R$ 450. Se a família preferir incluir também o almoço, o valor fica por a partir de R$ 600. A promoção fica disponível até dezembro, enquanto durar o estoque.  

“Nosso principal foco neste momento são as hospedagens para famílias. O objetivo é  que elas paguem um preço mais competitivo com o maior número de serviços já inclusos. Isso dá mais conforto e segurança para eles que não precisam se deslocar muito ficando seguros no hotel”, afirmou a diretora de vendas e marketing do hotel, Viviane Pessoa. As reservas podem ser feitas através do site ou dos telefones (71) 3413-0000 e (71) 3413-0200, este último para WhatsApp. 

O Hotel Deville Prime Salvador, que fica em Itapuã, também está com promoção voltada para as famílias. O pacote especial de meia pensão tem diária com 32 horas – check-in às 10h e check- out às 16h - em categoria Luxo Duplo a partir de R$ 430 + 15% em até 10 vezes no cartão. O pacote inclui hospedagem, café da manhã e jantar, com bebidas à parte. Há cortesia na hospedagem para duas crianças de até 12 anos. A promoção é válida até 17 de dezembro. 
 
Outra iniciativa é uma parceria com uma agência de cicloturismo. Os hóspedes podem alugar bicicletas e quadriciclos na recepção do hotel. O valor das bicicletas é R$ 25 por hora ou R$ 50 a diária. Já do quadriciclo, R$ 50 por hora ou R$ 30 por meia hora.
 
“Sem dúvida é mais um atrativo para nossos hóspedes, já que temos ciclovias próximas ao hotel, no Farol de Itapuã. É um ótimo passeio para tirar fotos, aproveitar a brisa  e até mesmo experimentar o acarajé”, explica Sueli Fernandes, gerente comercial do hotel. A dica para quem curte longas distâncias é ir de Itapuã até Amaralina. Os dois bairros estão com trechos grandes de ciclovias já revitalizados e entregues. O trajeto de 17 quilômetros passa pela orla da Pituba, Jardim dos Namorados, Boca do Rio, Praia da Armação, Jaguaribe e Piatã.
 
Informações e reservas antecipadas devem ser via central de reservas Deville, no 0800 703 1866 (de segunda à sexta, das 9h às 19h - ligação gratuita para todo o Brasil), pelo e-mail reservas.ctr@deville.com.br ou ainda pelo WhatsApp no número + 55 41 3219-4004 (24 horas). 

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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