Maqueiro, não! App regula serviço de macas em hospital

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01.09.2019, 04:46:00
Atualizado: 02.09.2019, 13:56:01

Maqueiro, não! App regula serviço de macas em hospital

Ferramenta digital torna mais eficiente transporte de pacientes e eleva moral de categoria

São 15:30 quando Wesley vê o alerta do pedido da corrida no celular. Precisará chegar em até cinco minutos para não ter o pedido cancelado. No Pronto Atendimento, Yasmin aguarda sua chegada. No Hospital Santa Izabel, no centro de Salvador, as macas e cadeiras de rodas chegam por meio de um aplicativo de corrida criado para atender a unidade. Os homens de blusa azul e calça branca, chamados agentes de transporte, estão por todos os lados com celulares à mão.

É a primeira vez que um hospital brasileiro testa essa modalidade de transporte por aplicativo, informação confirmada pela Federação Brasileira de Hospitais (FBH). Como num aplicativo de corrida qualquer, por exemplo, tanto motorista quanto passageiro podem cancelar. No caso do TAP, nome do sistema, tanto agente de transporte quanto paciente. A diferença é que quem precisa de uma corrida dentro da unidade tem urgência de chegar ao destino. 

Quando chega a Yasmin, Wesley Rocha espera cinco minutos.

“Se demorasse mais, teria que cancelar”, explica, enquanto leva, de cadeira de rodas, a menina ao setor de exames.

Os agentes recebem as chamadas em tempo real, por proximidade. A taxa de cancelamento é de 1% a 3%. 

Wesley mostra funcionamento do aplicativo (Foto: Betto Jr/CORREIO)

No mês de julho, foram 9.325 corridas. Numa tarde de quarta-feira, a reportagem acompanhou, da solicitação ao fim, quatro corridas. O tempo de espera média é de 4 minutos e 33 segundos.

A corrida é iniciada a partir de um código. É preciso fotografar o QR Code fixado na pulseira do paciente e verificar se aquela é a pessoa certa. Até porque, o aplicativo funciona dos setores mais emergenciais aos mais complexos. “Ajuda bastante a gente. Não corre risco de pegar a paciente errada”, acredita o agente Wesley. Eles garantem que nunca aconteceu.

(Betto Jr)
Ariele, 3, levada ao ambulatório por um carrinho elétrico, guiado por Mendes.
Ariele, 3, levada ao ambulatório por um carrinho elétrico, guiado por Mendes. (Betto Jr)
(Beto Jr)

Por todos os lados
Os 47 agentes ficam espalhados pela unidade, com 53 mil metros quadrados a percorrer. O dia costuma ser mais movimentado. As pausas ocorrem ou no salão da musicoterapia, onde param para escutar piano, ou na central de transportes. Naquela sala, seis pessoas observam, num monitor, os pedidos. 

Cada um é organizado por nome, horário, local de solicitação e destino.

“A gente pode perguntar onde estão, o porquê de uma demora”, explica Bianca Silva, uma das responsáveis pela função.

Os enfermeiros e técnicos fazem a solicitação. Nos casos de pacientes com necessidade de máscaras de gás, por exemplo, quatro técnicos de enfermagem se alternam para auxiliar o transporte. Os médicos também podem precisar acompanhá-los. 

Às 15h45, o paciente Alex da Silva é levado, numa maca, para o setor de hemodinâmica. O agente conversa com ele enquanto o elevador não chega.  Há sete meses, tudo era diferente, lembra Mendes, chefe o setor de transporte.

Maqueiros não, agentes de transporte
Antes, quando precisavam chegar até um paciente, os agentes utilizam o procedimento padrão nos hospitais baianos. Cada área tinha sua própria equipe de maqueiros e encontrava, via rádio, um profissional. O equipamento ficava pendurado à cintura do atendente e rompia o silêncio do hospital, incomodava. 

Os maqueiros, hoje chamados de agentes de transporte, não podiam migrar, mesmo que a movimentação em uma área fosse maior que em outra. A centralização começou a se tornar um problema. 

Agente de transporte guia carrinho elétrico pedido por aplicativo (Foto: Betto Jr/CORREIO)

Nos quartos, os médicos reclamavam da demora. Os maqueiros não conseguiam chegar sempre a tempo. A solução mais imediata foi pensar na contratação de novos funcionários. Um dia, no seu escritório, Mônica Bezerra, diretora administrativa do hospital, pensou que de nada adiantaria. Àquela altura, os maqueiros estavam incomodados até com a própria função. Daí a mudança de nome. 

A sacada foi pensar um novo aplicativo de corridas. A administração contratou uma empresa de tecnologia, que iniciou a análise. Ninguém havia testado algo parecido dentro de um  hospital. Nem que a mudança de nome teria  impacto. “Criamos nas pessoas a concepção de que elas são importantes”, diz a diretora.

Cinco estrelas
Desde então, Elci Mendes é responsável por coordenar as idas e vindas do transporte hospitalar. “Maqueiros não, agentes de transporte”, avisa, se, por força do hábito, alguém confunde os nomes”.

“Melhorou muito a mão de obra profissional, porque ele se sente parte do processo”, acredita ele.

Na tarde da visita, Ariele, 3, diagnosticada com pneumonia, foi levada ao ambulatório por um carrinho elétrico. “Achei ótimo. Tira um pouco do peso de estar aqui”, diz Elisângela Souza, 39, mãe da criança, que ri a caminho do consultório, guiada por Mendes. Os funcionários e pacientes não estranharam a mudança, mas acham curioso a automatização do pedido.

O agente Hebert Peixoto, 42, trabalha ali desde 2015. Acompanhou toda a transição. “Antes, eram os setores ligando para cada maqueiro. Uma agonia. Me sinto até mais valorizado”, lembra, antes de partir para o setor de exames, onde pegará uma paciente. 

Os agentes precisam ser rápidos. O hospital já está em fase de testes para criar uma avaliação em estrelas. Na saída, dez agentes posam para a foto. "Somos os Smurfs", brinca Luciano Santos. 

A pausa dura cinco minutos, até que Mendes avisa que precisam retornar. É o máximo de tempo que podem ficar parados sem perder nenhuma corrida ou empacar o hospital. 

Até prontuário é eletrônico: hospitais começam a investir em tecnologia de gestão
Desde o início do ano, funcionários de cinco hospitais estaduais registram os prontuários eletronicamente. O software adotado, chamado AGHUse, registra, em tempo real, a ocupação dos leitos e o estado de saúde de cada paciente. A tecnologia também agrega os custos, faturamentos, estoques e manutenções em cada um deles. 

Neste ano, a rede estadual de saúde, por exemplo,  investiu R$ 60 milhões milhões em tecnologia na gestão dos hospitais. A Secretaria Municipal não tem estimativa. No ano passado, uma pesquisa do Deel Global Techonology Adoption Indez (GTAI) mostrou que, no Brasil, as administrações hospitalares tinham investido 4% a mais em tecnologia. Não apenas na melhoria de equipamentos, mas de métodos de gestão.  

O diretor da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb), Mauro Adan acredita que a aplicação de tecnologia na gestão tem a ver com a fidelização de pacientes. É o que fará o paciente voltar, quando for preciso.

O que vai fazer que o paciente escolha o hospital: equipe médica ou recurso que eu possa ter, seja de conforto ou segurança”, opina Mauro.  A associação não tem nenhum balanço. 

No caso do Santa Izabel, a mudança aconteceu a partir da adoção da metodologia Lean, em 2015, explica Mônica Bezerra. O método, criado pela Toyota na década de 60, pretende tornar o processo mais produtivo, na menor quantidade de tempo possível. No Lean, tudo pode ser considerado um problema. 

As equipes coletam informações sobre o produto, quem será beneficiado, quem contribui e como cada etapa pode ser medida. Depois, é formulado um projeto. A crença é de que qualquer intervenção, por mínima que pareça, causa impacto na rotina e no rendimento da empresa. 

O Hospital Municipal de Salvador implantou a mesma metodologia em agosto do ano passado. Um dos indicadores adotados é medir a lotação do hospital, a partir da medida exata de quanto tempo os pacientes passam pelas urgências e permanecer no hospital. 

Assim, podem readequar a assistância conforme necessitado. O hospital também criou um aplicativo por meio do qual é possível acessar as especialidades disponíveis e exames realizados. 

*Com supervisão do subeditor Geraldo Bastos


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